Pela primeira vez na história, o Brasil inicia uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno com chances concretas de medalha. Em Milão-Cortina 2026, a partir do dia 6 de fevereiro, os 14 atletas da delegação brasileira entram em ação em busca de resultados inéditos para o país na neve e no gelo. Mas afinal, o que mudou para o Brasil chegar a esse patamar? O Olimpíada Todo Dia te explica.
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Evolução do Brasil nos esportes de inverno
O Brasil participa dos Jogos Olímpicos de Inverno desde Albertville-1992. Até hoje, o melhor resultado do país foi o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross, em Turim-2006, que segue como a maior referência histórica do Brasil na Olimpíada de Inverno.
Mesmo sem neve em abundância, o país passou a investir em adaptações inteligentes e estrutura esportiva. O uso do rollerski permitiu o desenvolvimento do esqui cross-country em solo brasileiro, enquanto projetos como a Arena Ice Brasil, com a maior pista de gelo do país, ampliaram o acesso a modalidades disputadas no gelo. Além disso, a captação de atletas brasileiros no exterior e o fortalecimento da preparação física elevaram o nível competitivo da delegação.
Um sinal de que a medalha está mais perto
Em 2024, o Brasil já havia dado um passo importante. Zion Bethônico conquistou a medalha de bronze no snowboard cross nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, em Gangwon, na Coreia do Sul. O resultado reforçou a percepção de que a primeira medalha olímpica de inverno do Brasil deixou de ser apenas um sonho distante.
Lucas Pinheiro Braathen: principal nome do Time Brasil
O maior destaque da delegação brasileira em Milão-Cortina 2026 é Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino. Nascido em Oslo, filho de pai norueguês e mãe brasileira, Lucas começou a esquiar ainda criança e rapidamente se destacou no cenário internacional.
Competindo pela Noruega, uma das maiores potências do esqui alpino, ele alcançou o auge em 2023, quando se tornou campeão geral da Copa do Mundo no slalom. No entanto, insatisfeito com os rumos da carreira, anunciou uma aposentadoria precoce, aos 23 anos. Meses depois, decidiu retornar ao esporte representando o país de sua mãe.
A estreia pelo Brasil aconteceu no final de 2024, e desde então Lucas vive a melhor fase da carreira. Especialista nas provas técnicas, ele já conquistou nove medalhas em etapas de Copa do Mundo com as cores do Brasil e chega à Olimpíada como vice-líder do ranking mundial, com presença constante no top-5 da temporada.
Pat Burgener: talento e criatividade no snowboard
Outra grande esperança brasileira vem do snowboard halfpipe, com Pat Burgener. Assim como Lucas, Pat também já disputou Jogos Olímpicos por outro país — a Suíça — antes de passar a representar o Brasil.
A ligação com o país vem pela família materna. Sua mãe e seus avós se estabeleceram no Rio de Janeiro na década de 1980, após deixarem o Líbano durante a Guerra Civil. Após concluir o processo de naturalização, Pat mudou sua cidadania esportiva e passou a competir oficialmente pelo Brasil.
Destaque desde muito jovem, Burgener foi o primeiro atleta da história a executar a manobra Switch Backside Triple Cork 1440 ainda aos 14 anos. Ele soma dois bronzes em Campeonatos Mundiais, um quinto lugar nos Jogos Olímpicos de 2018 e, já competindo pelo Brasil, chegou a três finais de Copa do Mundo, incluindo um bronze na etapa de Calgary, no Canadá. Em Milão-Cortina, Pat pretende aumentar o grau de dificuldade de suas voltas para brigar por um lugar no pódio.
Nicole Silveira: a rainha do gelo brasileiro
No skeleton feminino, o Brasil deposita grandes expectativas em Nicole Silveira. Natural de Rio Grande (RS), ela se mudou ainda criança para o Canadá, onde teve passagens pelo futebol e pelo fisiculturismo antes de migrar para os esportes de gelo.
Após testes iniciais no bobsled, Nicole encontrou no skeleton sua verdadeira vocação. Em Beijing-2022, ela terminou em 13º lugar, o segundo melhor resultado da história do Brasil em Jogos Olímpicos de Inverno. Desde então, deu um salto de qualidade.
Em parceria com a belga Kim Meylemans, sua esposa, Nicole criou o projeto Time BB (Brasil + Bélgica), dividindo custos e estrutura para competir no circuito mundial. Os resultados vieram: título pan-americano, três bronzes em Copas do Mundo e um quarto lugar no Mundial de 2025. Em um cenário equilibrado, ela aparece como candidata real ao pódio em Cortina d’Ampezzo.
Os outros brasileiros em Milão-Cortina 2026
Além dos principais nomes, o Brasil contará com mais 11 atletas nos Jogos Olímpicos de Inverno:
⛷️ Esqui alpino
- Alice Padilha
- Giovanni Ongaro
- Cristian Oliveira Soevik
🏂 Snowboard
- Augustinho Teixeira (halfpipe)
🎿 Esqui cross-country
- Manex Silva
- Bruna Moura
- Eduarda Ribera
🛷 Bobsled
- Edson Bindilatti
- Luis Bacca
- Rafael Souza
- Davidson de Souza
- Gustavo Ferreira
(com um atleta reserva)