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Maratona Aquática

 

Ana Marcela faz treino de 12 horas no escuro antes do Canal da Mancha



Campeã olímpica nadou durante a madrugada na Represa Billings para simular uma possível largada noturna na travessia entre Inglaterra e França



Ana Marcela Cunha faz treino no escuro para simular o Canal da Mancha

Ana Marcela Cunha encarou nesta madrugada mais uma etapa importante da preparação para a travessia do Canal da Mancha. A campeã olímpica fez um treino de 12 horas no escuro na Represa Billings, em São Bernardo do Campo, entre a noite de sexta-feira (29) e a manhã deste sábado (30). A atividade começou às 20h e terminou às 8h, com pausas na margem apenas para alimentação.

O objetivo do treino foi simular uma situação que pode acontecer durante a travessia entre Inglaterra e França. No Canal da Mancha, a largada depende das condições do mar, da maré e da janela definida pela organização. Por isso, Ana Marcela pode ter que iniciar o desafio durante a madrugada, sem luz natural e tendo o barco de apoio como principal referência.

Ana Marcela Cunha explicou os motivos da preparação noturna em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia. Na conversa com Fernando Gavini e Gabriel Gentile, a nadadora contou que precisava entender como seria a sensação de nadar no escuro antes de encarar um dos desafios mais tradicionais das águas abertas.

“É um simulado que são 12 horas nadando, só que eu vou nadar no período da noite para o dia. Porque corre o risco justamente de falar: ‘3h da manhã a gente vai largar’. Não tem sol, não tem nada. Qual é a sensação de nadar no escuro? Como que é?”, explicou Ana Marcela.

Horário depende da maré

A travessia do Canal da Mancha não tem uma largada fixa como em uma prova tradicional de águas abertas. A equipe precisa aguardar o melhor momento dentro da janela prevista, avaliando maré, corrente, vento, temperatura da água e outras condições do dia. Ana Marcela explicou que pode receber a confirmação da largada poucas horas antes de entrar no mar.

“Não tem que largar no escuro, mas a gente vai ver dentro da nossa janela qual vai ser o melhor horário para largar. Depende da maré. A gente vai encontrar o melhor dia e a melhor maré dentro do melhor horário para que seja a melhor prova possível. Eu posso saber à meia-noite que: ‘olha, 3h da manhã nós vamos largar’”, afirmou.

Por isso, o treino na Represa Billings foi pensado para reproduzir parte da incerteza que a brasileira pode encontrar no Canal da Mancha. Além do esforço físico prolongado, a campeã olímpica também precisou lidar com a ausência de luz natural, a orientação externa e o controle mental durante a madrugada.

Barco será referência durante a travessia

Durante a entrevista ao OTD, Ana Marcela também explicou que, à noite, a orientação será feita pelo barco de apoio. Diferente das provas de águas abertas em circuitos delimitados por boias, a travessia do Canal da Mancha é feita com a atleta nadando sozinha, acompanhada pela embarcação.

“À noite, quem vai ser a sua orientação? É o barco. Cada um tem a sua estratégia também. Nessa travessia, a maior estratégia nossa vai ser o meu feedback em relação a como eu vou estar, como eu vou estar me sentindo”, disse a brasileira.

Ana Marcela deve tentar atravessar o Canal da Mancha entre os dias 20 e 29 de julho. A prova liga Inglaterra e França e, no melhor cenário, tem cerca de 33 a 34 km, com água fria e influência direta de correntes e marés. A brasileira já afirmou que o desafio representa uma realização pessoal e profissional, mais do que uma busca direta por recorde.

Fundador e diretor de conteúdo do Olimpíada Todo Dia Jornalista esportivo desde 1997 com experiência em coberturas de Jogos Olímpicos, Copas do Mundo, Mundiais, Jogos Pan-Americanos e muito mais. Teve passagens por ESPN, Portal Terra, TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Agora São Paulo e Agência Estado

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