De Assunção – Duas ex-judocas com currículo pesado estão trabalhando no comando da equipe de transição da Confederação Brasileira de Judô. Érika Miranda e Maria Portela estão ajudando os atletas que estão na mudança das categorias cadete e júnior para o sênior. Após uma passagem pela Alemanha, Érika voltou ao Brasil e comanda a seleção feminina nos Jogos Pan-Americanos Júnior de Assunção. No Paraguai, os brasileiros tiveram uma grande campanha garantindo 15 medalhas.
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Érika Miranda se aposentou em 2018 com três medalhas (um ouro e duas pratas) em Jogos Pan-Americanos, duas pratas e quatro bronzes em Mundiais e duas participações em Jogos Olímpicos. Seu primeiro trabalho como treinadora foi fora do Brasil, na seleção alemã de judô. “Hoje na Alemanha tem muitos treinadores estrangeiros, mas especialmente brasileiros. Foi a minha primeira experiência como treinadora e foi uma responsabilidade imensa, você pegar uma equipe que já tem uma tradição e consegui fazer resultados na Alemanha, onde a gente não tem essa qualidade técnica e física que o judô brasileiro na minha opinião tem”, comentou a treinadora em entrevista ao Olimpíada Todo Dia.
Mesmo com a diferença entre o estilo de judô brasileiro (mais físico na opinião de Érika) e o alemão, tem sido fácil para a técnica se adaptar de volta ao país. “A experiência ajudou. Mas retornar ao Brasil, com a qualidade técnica que todos os judocas do Brasil tem, com a força, garra vontade eu acho que tá sendo um pouquinho mais fácil”, contou a vice-campeã mundial.
Trabalhando na transição
Se na Alemanha Érika Miranda trabalhava com a equipe principal, no Brasil está sendo um pouco diferente. Afinal, a treinadora está acompanhando as categorias de base do país. “É uma experiência nova pra mim porque eu trabalhava com a com a equipe sênior antes. Mas é muito gratificante voltar pro Brasil, retribuir um pouquinho de tudo que o esporte me proporcionou. Está sendo interessante”, explicou.

O maior desafio para a treinadora é ver as especificidades de cada atleta no seu processo de transição do cadete e do júnior para a categoria sênior. “Eu acho que o maior desafio é colocar confiança nesses atletas. Apesar de alguns deles já terem terem experiência. Aqui a gente tem por exemplo a Bianca que já roda o circuito e faz essa parte da transição com a equipe sênior. Aí a gente contrasta com a Clarice que ainda é cadete, mas também já tá rodando com a seleção sênior. O Brasil vem fazendo essa transição muito bem. As meninas competem na categoria Júnior, mas a gente tem uma comunicação muito boa com a equipe principal. Então eu acho que isso é um fator chave para o desenvolvimento das meninas, principalmente nessa parte de transição”, concluiu.
Campanha de sucesso
O Brasil fechou os Jogos Pan-Americanos Júnior com 15 medalhas no judô. Foram 12 ouros, uma prata e dois bronzes, com todos os atletas da equipe subindo ao pódio. A treinadora aprovou o resultado. “Acho que foi melhor do que a gente tinha esperado. Claro que a gente sabia que o Brasil tinha uma superioridade na competição. Mas competição é competição. Muitas coisas podem acontecer. Foram doze ouros, eu me arrisco a dizer que a gente poderia ter mais, mas acontece, é coisa do dia de competição. Então, eu acho que o resultado foi incrível”, afirmou.