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Mayra Aguiar, da seleção brasileira, foi campeã do Grand Slam de Dusseldorf de judô em 2019

Planeta Ippon

Mayra fecha com ouro recuperação do Brasil

Ouro de Mayra Aguiar, prata de Rafaela Silva e mais três bronzes no feminino deixam Brasil só atrás do papa-medalhas Japão no Grand Slam de Dusseldorf. Homens vão ao primeiro torneio e saem com um quinto lugar

Mayra Aguiar comanda o pódio dos 78kg (foto: Gabriela Sabau/IJF)

Mayra fecha com ouro recuperação do Brasil

A brasileira Mayra Aguiar venceu o Grand Slam de Dusseldorf nos 78kg. Ela derrotou a anfitriã alemã Anna Maria Wagner na decisão, por waza-ari, e ficou com o ouro. Maria Suelen Altheman (+78kg) também foi ao pódio com um bronze no último dia de competições, neste domingo 24.

Foi a primeiro ouro de Mayra desde o mundial de 2017. Foram dez competições sem vencer. O Brasil não subia no lugar mais alto do pódio desde Cancun em março do ano passado, com Rafaela Silva. Em Grand Slam, o último foi em março de 2018, Maria Portela (70kg) na Rússia.

O Brasil fecha o Grand Slam de Dusseldorf com cinco medalhas, um ouro, uma prata e três bronzes, todos no feminino. O desempenho foi o segundo melhor entre todos os 93 países participantes, ficando só atrás do papa-medalhas Japão. Uma volta por cima após Paris, quando o melhor resultado foi o quinto lugar de Rafaela Silva (57kg).

Rafaela, aliás, foi prata na Alemanha no primeiro dia do torneio. Completam o quadro os bronzes de Nathália Brigida (48kg), o segundo em 2018 após quase dois anos lesionada, e da jovem Ellen Santana, seu primeiro pódio com a seleção adulta.

Leonardo Gonçalves (100kg) foi o melhor entre os homens. Também disputou o bronze no domingo, mas perdeu para o austríaco Laurin Boehler e sai da Alemanha com um bom quinto lugar em seu segundo em Grand Slam da carreira. No primeiro, em 2016, caiu na segunda rodada.

Foi apenas o primeiro torneio da seleção masculina principal, assim como havia sido Paris para as mulheres.

Mayra Aguiar amassa e dá troco em rivais

Mayra venceu Wagner com autoridade na final. Buscou pacientemente a pontuação e a conseguiu com um o-soto-gari quando faltavam cerca de 15 segundos.

A semifinal foi mais rápida. Durou 1min15s, (confira abaixo) entretanto poderia ter acabado em 10 segundos, pois o juiz principal chegou a marcar ippon no primeiro ataque da brasileira. Os auxiliares de vídeo confirmaram um waza-ari.

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Antes da final quem havia durado mais foi a austríaca Bernardette Graff nas quartas: 3min10s. As outras duas sobreviveram cerca de um minuto (clique aqui para ver todas as lutas de Mayra).

Troco nas algozes do ano

Mayra começou o ano mal. Perdeu logo na estreia para a chinesa Fei Chen, no Grand Slam de Paris, no começo de fevereiro. Mas ela sabia que isso poderia acontecer: “essas competições de início de temporada são muito duras, mas também são quase que um treinamento. É observar como estamos indo e ajustar ao longo das competições”, disse antes do torneio francês.

Uma semana depois venceu a mesma Fei em Oberwart, aberto europeu de menor expressão, e perdeu a final para a mesma Graff que venceu nas quartas agora em Dusselforf. Deu o troco nas duas.

Maria Suelen e Leonardo Gonçalves

Maria Suelen começou sua campanha enfrentando uma velha companheira de seleção. Venceu Rochele Nunes, brasileira que defende Portugal desde o início do ano, no hansoku-make. Logo a seguir encarou e perdeu para Iryna Kindzerska, do Azerbaijão, indo para a repescagem.

No caminho para o bronze, despachou Julia Tolofua, francesa algoz da outra brasileira na chave, Beatriz Souza, desta vez por ippon. Na disputa do pódio, derrotou a bósnia Larisa Ceric, novamente no hansoku-make.

Maria Suelen no pódio (foto: Sabau Gabriela/IJF)

Leonardo Gonçalves foi a boa surpresa do time masculino. Chegou como o 16º mais bem ranqueado do torneio e foi vencendo os rivais – sem muito peso também, ressalte-se – e só parou nas quartas.

Lá acabou perdendo para o japonês Kentaro Iida, que havia eliminado o grande favorito Varlam Liparteliani na rodada anterior. Foi uma derrota relâmpago, mas Leonardo não se abalou e venceu o quarto cabeça-de-chave Ramadan Darwish na repescagem, ganhando vaga na luta pelo bronze.

A luta que valeu a medalha, contra Laurin Boehler, foi aberta com ambos tendo diversas chances de pontuar. Acabou o austríaco achando o waza-ari já no golden score.

Mais Brasil no Grand Slam de Dusseldorf

No último dia do torneio, lutaram também Rafael Silva (+100kg) e Jonas Inocencio (+100kg), que caíram nas oitavas; Eduardo Bettoni (90kg) e Rafael Macedo (90kg), eliminados na segunda rodada. Por fim, Rafael Buzzacarini (100kg), Samanta Soares (78kg) e Beatriz Souza (+78kg) que perderam na primeira luta.

O bronze de Ellen foi no sábado. Lutaram também no segundo dia de competições Eduardo Barbosa e Marcelo Contini (73kg); Eduardo Yudy (81kg); Aléxia Castilhos e Ketleyn Quadros (63kg); e Maria Portela (70kg).

Na sexta, primeiro dia de disputas, vieram as medalhas de Rafaela e Nathália. Além delas, lutaram Eric Takabatake e Phelipe Pelim (60kg); e Charles Chibana e Daniel Cargnin (66kg) no masculino. No feminino, Gabriela Chibana (48kg); Eleudis Valentim e Larissa Pimenta (52kg) e Tamires Crude (57kg).

O Grand Slam de Dusseldorf dá mil pontos no ranking mundial para o campeão e mais 700 para o vice, então tem bastante peso na corrida por Tóquio 2020. Quem conquistar o bronze soma 500 e, por outro lado, quem perder a luta do bronze recebe 360. Por fim, dá 260 para os sétimos e, pela ordem, 160, 120 e 100.

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