Após nove dias de competição, o Campeonato Mundial Cadete e Juvenil de Esgrima Rio 2026 chegou ao fim nesta quinta-feira, no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, consolidando-se como um marco organizacional para o esporte no país. O evento reuniu 1.420 atletas de mais de 100 países, além de centenas de profissionais envolvidos diretamente na competição, entre eles 487 técnicos.
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Organização supera incêndio e garante continuidade do evento
O principal desafio do Mundial ocorreu com o incêndio no Velódromo, uma das sedes da competição. Em uma situação inédita, a organização brasileira atuou com rapidez e eficiência, reorganizando toda a estrutura do evento em poucas horas.
As pistas foram redistribuídas, novos espaços foram adaptados na Arena Carioca 1 e o cronograma foi mantido — com todas as disputas iniciando no horário previsto, sem prejuízo à competição. A resposta foi amplamente reconhecida pela comunidade internacional da esgrima.
O presidente interino da Federação Internacional de Esgrima (FIE), Abdelmoneim El-Husseiny, destacou a atuação conjunta das equipes: “A CBE agiu com rapidez e responsabilidade, trabalhando como um só time. A capacidade de realocar as competições com profissionalismo garantiu a segurança de todos e a continuidade das atividades sem interrupções.”
O presidente da Federação Europeia de Esgrima, Pascal Tesch, também ressaltou a capacidade de reação da organização: “Graças à rápida reorganização, a competição pôde continuar. A atuação da CBE, dos voluntários e especialistas, que criaram soluções da noite para o dia, foi fundamental para que o impacto não comprometesse o campeonato.”
Reconhecimento internacional e trabalho coletivo
A atuação da Confederação Brasileira de Esgrima e de toda a equipe local recebeu elogios de representantes de diversas federações. A presidente da Federação Britânica, Patrícia Ayenuro, elogiou a condução do evento: “Foi um torneio muito bem organizado. O que aconteceu foi impressionante — conseguimos manter tudo no horário graças a um grande trabalho em equipe.”
A técnica da seleção do Canadá, Sherraine Schalm, também destacou a capacidade de adaptação: “Ninguém espera um incêndio, mas a forma como a federação brasileira lidou com isso foi impressionante. Conseguiram manter um ambiente ideal para a competição.”
A gestora da FIE, Jennifer Yamin, ressaltou a execução do plano de contingência: “O Brasil demonstrou exatamente o que buscamos em eventos desse nível: identificar o problema e resolvê-lo no tempo necessário. A execução foi impecável.”
O diretor de comunicação da Federação dos Estados Unidos, Bryan Wendell, também elogiou a organização brasileira e destacou a experiência no evento: “Foi um torneio extremamente bem organizado. A forma como a federação brasileira e os voluntários reagiram ao incêndio foi inspiradora. Mesmo com a situação, a competição seguiu de forma fluida e no horário.”
Um evento planejado e executado com excelência
O presidente da CBE, Arno Schneider, destacou o longo processo de preparação e os desafios superados: “Esse Mundial começou a ser construído há mais de dois anos. Tivemos mudanças de sede, ajustes estruturais e, durante o evento, enfrentamos um incêndio. Ainda assim, conseguimos entregar uma competição segura, eficiente e de alto nível.”
Ele também ressaltou o papel da equipe e dos voluntários: “O empenho de toda a nossa equipe e dos voluntários foi fundamental. Esse campeonato é resultado de um grande trabalho coletivo.”
Resultados esportivos
Dentro da pista, os Estados Unidos lideraram o quadro de medalhas, com 13 conquistas (6 ouros), seguidos pela China. Para Wendell, o desempenho norte-americano reflete o futuro da modalidade: “Esse resultado mostra que a base da esgrima nos Estados Unidos é muito forte. Os atletas que competiram aqui são o futuro do esporte e já estão mostrando isso no cenário internacional.”
Entre os destaques individuais estiveram a chinesa Pan Qimiao, com dois ouros no sabre, e a americana Jaelyn Liu, bicampeã no florete.
O Brasil teve como melhor resultado o 15º lugar no sabre feminino juvenil por equipes, além das campanhas de Marcus Pinto, que terminou duas vezes entre os 30 melhores do mundo.
Legado para o esporte
Mais do que os resultados, o Mundial Rio 2026 reforça a capacidade do Brasil de sediar grandes eventos esportivos, mesmo diante de situações adversas. “Foi uma honra receber o mundo no Rio de Janeiro e mostrar a força da esgrima brasileira. Esse evento deixa um legado importante para o desenvolvimento do esporte no país”, destacou a Schneider, presidente da CBEsgrima.
A competição amplia a visibilidade da modalidade e fortalece o caminho para o surgimento de novas gerações de atletas.