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Maratona Aquática

Parceria e convivência: atletas que trabalham em casal

No dia dos namorados, Ágatha Rippel, Douglas e Lucélia Brose e Poliana Okimoto contam como é dividir o casamento e a profissão

Atletas brasileiros que dividem o trabalho e o casamento (Olimpíada Todo Dia)

Parceria e convivência: atletas que trabalham em casal

São 24 horas de convivência, anos de trabalho, mas muitas conquista. E acima de tudo, amor. Alguns atletas no Brasil tem o privilégio e as vantagens – e desvantagens – de trabalhar lado a lado com as suas cara metades. Além de esposos, são também equipes profissionais. Assim, eles dividem a quadra/tatame/mar e a vida. E para celebrar o dia dos namorados, o Olimpíada Todo Dia convidou quatro deles para contarem como é trabalhar em casal: Ágatha, do vôlei de praia, Douglas e Lucélia Brose, do caratê, e Poliana Okimoto, da maratona aquática.

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Ágatha e Renan Rippel

 Ágatha Rippel - Renan Rippel - Casamento - vôlei de praia
Ághata e Renan (Arquivo pessoal)

Pensa em um casal simpático. Ágatha é atleta e Renan, preparador físico. Os dois são campeões mundiais e vice-campeões olímpicos. Isso mesmo. Os dois. Porque há quase 10 anos, eles dividem a vida e quadra. Começaram a namorar em 2010 e no mesmo ano decidiram morar juntos. Assim, Renan deixou Paranaguá (PR) e foi com a cara e com a coragem viver com Ágatha no Rio de Janeiro. 

“Depois que a gente namorou um ano a distância, Renan botou uma pressão em mim, ele adora botar pressão, é especialista nisso, para gente morar junto. Mas quando ele foi para o Rio, a gente estava em uma situação muito punk. Eu tinha acabado de perder meu patrocínio, minha parceira, o lugar onde eu treinava e o apartamento que eu alugava. Então quando ele chegou, eu estava muito desestruturada. E ele largou os empregos em Paranaguá e veio sem nenhum emprego, só para ficar comigo. É bonito né?! É lindo, maravilhoso. Quem quer dá um jeito. Mas não posso dizer que foi fácil”, relembrou Ágatha.

“Me lembro até hoje. Dois de janeiro de 2011, nós dois entrando no nosso apartamento em Copacabana. Um apartamentinho minúsculo, mas a gente cheio de amor e felicidade. E a partir daquele momento, a gente já começou a trabalhar junto”, completou. 

Antes mesmo de Renan se mudar, ele pediu Ágatha em noivado. Mas o casamento mesmo só aconteceu três anos depois, em março de 2013. E foi uma festa daquelas. Aconteceu em Morretes, uma cidade pequena e histórica no Paraná, que parou pela festança. Amigos do Brasil todo prestigiaram o momento e alguns passaram o fim de semana todo com o casal. “Foi muito especial. Vontade de fazer outra festa assim. Muita vontade mesmo”, disse Ágatha.  

 Ágatha Rippel - Renan Rippel - Casamento - vôlei de praia
O casamento (Instagram/rippelrenan)

Vantagens e desvantagens

“Eu acho que têm muito mais vantagens do que desvantagens. A gente divide a vida juntos, divide sonhos juntos. Em 2014, 2015 eu comecei a viajar para todas as competições e desde então a gente faz tudo junto. A vantagem é estar sempre junto, dividindo as felicidades e tristezas. A gente se apoia um no outro”, contou Renan. 

“Dá muito orgulho ver a carreira que a gente trilhou juntos. E o fato de o Renan ser da mesma área e da mesma equipe que eu faz com que a gente se entenda muito sobre a vida pessoal de cada um. Porque eu entendo a rotina dele e ele entende a minha. Então não existe cobrança sobre isso. E o fato de ele ser da minha equipe faz com que a gente tenha uma rotina de viagens igual. Isso é uma vantagem, porque deixa a gente mais próximo”, concordou Ágatha.

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Da mesma forma que Renan e Ágatha concordam com as vantagens, eles também compartilham da mesma opinião sobre as desvantagens.“A desvantagem eu acho que é o pouco espaço que a gente tem para a vida pessoal. A gente acaba vivendo muito o trabalho e também vem um pouco de estresse com isso. Discussões, conflitos no dia a dia. Trabalhar junto por tanto tempo, 24h por dia… Tem um desgaste nisso, não tem como”, pontuou Renan. 

“A gente como casal talvez não tivesse tido algumas brigas, discussões se a gente não estivesse trabalhando junto. E o tempo que a gente passa junto é muito grande sabe?! Eu vejo isso como uma desvantagem, porque eu acho que o casal precisa ter momentos de respiro, individuais. A gente busca isso no nosso dia a dia, mas não é tão fácil, porque a vida de atleta é muito intensa. Então hoje, quando estamos em casa, a gente procura conversar cada vez menos sobre trabalho”, acrescentou Ágatha. 

Respeito, amizade e amor

Então, depois de tanto tempo juntos, qual é a importância de um na vida do outro? “Na vida profissional, a Ágatha é uma atleta incrível. Então é um orgulho absurdo trabalhar com ela. Ela representa tudo na minha vida profissional e é um espelho do bom trabalho que eu realizei. E o nosso casamento é baseado em respeito, amizade e amor. A gente é muito parceiro, divide tudo, conversa demais e sobre tudo. Ela representa um crescimento meu absurdo como e ser humano e como homem”.

 Ágatha Rippel - Renan Rippel - Casamento - vôlei de praia
10 anos de parceria (Arquivo Pessoal)

“Renan tem uma vida importância absurda na minha vida. Ter ele ao meu lado me ajudou a ter mais foco na vida. Na vida esportiva, eu posso dizer que minhas grandes conquistas foram ao lado do Renan e a participação dele nelas é 100%. Eu não sei onde eu teria chegado se o Renan não estivesse do meu lado. E na vida em geral, eu sou muito apaixonada por ele e serei eternamente. Ele é meu companheiro, a gente é muito amigo. E o que eu mais amo no Renan é que ele tem uma mente muito aberta para aprender e tentar entender o outro. Então a gente cresce muito juntos, porque estamos sempre buscando o que é melhor para o casal. A gente quer ficar junto sabe?! Isso é o mais importante”.

Douglas e Lucélia Brose

Douglas Brose - Lucélia Brose  -Casamento - caratê
Os caratecas Douglas e Lucélia Brose (Instagram/luceliabrose)

Podemos dizer que o caratê foi o cupido de Douglas e Lucélia. Foi graças a ele que os dois se conheceram e hoje são marido e mulher, técnica e atleta. Tudo começou em 2004, quando eles foram contratados pela mesma cidade para disputar os Jogos Abertos de São Paulo e Santa Catarina. E foi amor à primeira vista. Lucélia foi para Florianópolis morar com Douglas e desde então passaram a trabalhar juntos, ambos ainda como atletas. 

“A gente começou a treinar juntos constantemente. Ela era minha técnica e eu era técnico dela, teoricamente. A gente tinha um tatame do lado do nosso quarto… A gente participava de treinos com outros professores, mas a partir dali, a gente passou a trabalhar juntos mesmo”, relembrou o bicampeão mundial, Douglas Brose.

Em 2006, eles começaram a namorar oficialmente. E no ano seguinte, Douglas Brose surpreendeu a então namorada. “Ele já estava planejando me pedir em casamento em 2007 e depois dos Jogos Pan-Americanos do Rio, ele aproveitou que a gente foi participar de um programa de TV e me pediu em casamento em rede nacional! Foi muito legal, muito bonitinho. E eu aceitei na hora, claro”, contou Lucélia. 

Vantagens e desvantagens

Eles começaram como dois atletas. Hoje, Lucélia é treinadora de Douglas. E assim como Ágatha e Renan, os Brose concordam que dividir o tatame e também a vida tem seu lado bom e ruim. “As vantagens de trabalhar junto é ter uma pessoa que compreende o ritmo de um atleta, de viagens, treinos, competições, de se afastar do meio social… Então como ela tinha esse mesmo objetivo, ficou muito mais bacana e a gente conseguiu levar isso sempre de uma maneira muito legal”.

Douglas Brose - Lucélia Brose  -Casamento - caratê
Treino da família Brose (Instagram/douglasbrose)

“A desvantagem é que às vezes é difícil conseguir separar a vida pessoal da profissional. Às vezes você tem um desentendimento na vida pessoal, tem que ir para o tatame e tentar esquecer isso o mais rápido possível. Às vezes demora um pouco, mas tem que tentar superar o problema, separar as coisas. Vai lá, treina e volta para a discussão”, brincou Douglas. 

“É difícil, mas na maioria das vezes a gente consegue. Acho que a grande desvantagem é o excesso de convivência. Mas ao mesmo tempo é isso que possibilita a gente realizar todos os nossos projetos e estar dentro da vida um do outro. Desde o começo foi assim. Então a gente está acostumado e foi o que a gente escolheu”, completou Lucélia Brose.

Paixão dupla

Douglas ama Lucélia e Lucélia ama Douglas. E a família Brose ama o caratê. Foi o esporte que uniu os, hoje, pais de Daniel. Ao longos dos últimos 16 anos, muito aconteceu, mas eles sempre puderam contar um com o outro. 

“Me lembro de uma história em 2009. Foi a primeira vez que o Douglas participou do Campeonato Mundial, eu não tinha me classificado, então fui só acompanhar, como técnica dele. Além de ele ter sido campeão, ele teve uma fratura na mandíbula e a gente não conseguiu voltar para o Brasil. Então ele foi operado em Taiwan. E ali eu pude ver o quanto era importante a gente estar junto, entender um ao outro. E o quanto o Douglas era um cara extraordinário, forte. O Douglas, enquanto eu era atleta, foi um fator motivacional muito grande para mim. Poder dividir isso com um parceiro foi realmente extraordinário. E hoje, na minha função de técnica, ele continua sendo a minha grande motivação para continuar dentro do caratê”.

Douglas Brose - Lucélia Brose  -Casamento - caratê
Lucélia, Douglas e Daniel Brose (Instagram/douglasbrose)

“Primeiro eu conheci o caratê e me apaixonei. Depois eu conheci a pessoa que também gosta de caratê e me apaixonei também. Eu tive a sorte de ter uma pessoa tão importante na minha vida particular também na esportiva. Ela é muito importante para mim, porque me ajudou muito no esporte e na vida pessoal. Desde que eu conheci a Lu, acho que o que deu certo é que, antes de sermos apaixonados um pelo outro, nós éramos apaixonados pela mesma coisa. Isso nos uniu de uma forma maravilhosa”, finalizou Douglas Brose.

Poliana Okimoto e Ricardo Cintra

 Poliana Okimoto - Ricardo Cintra - Casamento - maratona aquática
Poliana e Ricardo com o bronze na Rio-2016 (Satiro Sodré/SSPress)

“Acho que a gente é o casal menos romântico dessa matéria”, brincou Poliana Okimoto. A medalhista de bronze na Rio-2016 conheceu seu atual marido através do esporte. Ricardo Cintra era atleta da equipe Unisanta, em Santos, litoral de São Paulo. Em 2003, Poliana se mudou para a mesma cidade e para o mesmo clube, e lá conheceu Ricardo. 

“A gente se conheceu lá, se identificou muito desde o início, ficamos muito amigos. Nossos ideais, as coisas que a gente acreditava bateram muito e aí começamos a namorar”, contou Poliana Okimoto.

“Eu vinha dando resultados ruins na piscina e o Ricardo já queria parar de nadar, estava mais velho… E ele via que eu era uma atleta muito dedicada, gostava do que estava fazendo, só que não estava tendo bons resultados. E aí a gente decidiu sair da Unisanta e ir para o Pinheiros, mas com o Ricardo dando os meus treinos em Santos mesmo. Foi assim que a gente começou a trabalhar junto. Era raríssimo isso aqui no Brasil, então as pessoas tinham dúvida se ia dar certo, porque é realmente difícil levar as duas coisas juntas. Mas a gente conseguiu e tivemos bastante sucesso na nossa parceria”.

Poliana Okimoto e Ricardo, no entato, diferente de Douglas e Lucélia Brose e Ágatha e Renan Ripple, não tiveram um pedido de casamento e também não tiveram festa. “A gente só casou no civil, por falta de calendário. A gente casou pensando que talvez mais frente poderíamos fazer uma cerimônia. Mas acabou passando e a gente nunca achou tempo. A gente ficou um bom tempo morando junto, juntou as escovas de dente no mesmo ano em que começamos a namorar…. Então a gente já meio que se considerava casados”. 

Vantagens e desvantagens

“Acredito que a gente tenha mais vantagem do que desvantagem. Eu fico imaginando se eu estivesse casada com outra pessoa e tivesse que deixar ela aqui… Teve anos que eu fiquei mais fora do que aqui no Brasil sabe?! Seria muito difícil. E quando viajava, eu estava levando minha casa junto, porque o Ricardo sempre foi a minha casa. E outra vantagem é a gente se conhecer muito bem. Então a gente tinha uma confiança um no outro, uma cumplicidade muito grande tanto nos treinamentos, quanto em casa, e isso refletia nos meus resultados”, contou Poliana Okimoto.

 Poliana Okimoto - Ricardo Cintra - Casamento - maratona aquática
Poliana Okimoto e Ricardo Cintra (Arquivo Pessoal)

“A única desvantagem é a convivência 24h por dia. E às vezes a gente leva problemas de casa para a piscina, da piscina para a casa. Nós não somos robôs, somos seres humanos. E muitas vezes a gente teve que parar e pensar o que estávamos fazendo. Mas a gente sempre conseguiu lidar muito bem com isso. Sempre com diálogo, confiança e respeito um pelo outro”. 

Na vitória e na derrota

Além de estarem juntos na alegria e na tristeza, Poliana Okimoto e Ricardo Cintra dividem os louros dos triunfos e as dores das derrotas. E se hoje Poliana é campeã mundial e medalhistas olímpica na maratona aquática, ela deve muito a Ricardo. 

“O Ricardo construiu a minha história no esporte, porque eu era uma atleta antes dele e outra depois dele. Acho que a gente conseguiu unir a nossa paixão pelo esporte e fazer isso com muito amor. A medalha olímpica era um sonho desde criança, que eu achava às vezes que não ia conseguir realizar. Mas o Ricardo estava sempre lá, reacendendo a minha chama. Ele me apresentou uma nova modalidade, que eu não gostava, e insistiu nisso. Então o Ricardo mudou minha vida. A minha vitória sempre foi a nossa vitória e a minha derrota sempre foi a nossa derrota”, finalizou Poliana Okimoto.

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