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Crônicas Olímpicas

Vacina para não amarelar na hora H

Serve para evitar o apagão psicológico, gerar alívio para competir mais leve, solto e despreocupado em ter que corresponder às expectativas do técnico, do clube, dos jornalistas e da torcida

Estava assistindo ao jogo da seleção brasileira pela televisão quando o narrador, com pinta de intelectual, soltou: “agora precisa de controle mental para garantir o resultado”, colocando o divã canarinho à prova. Fiquei imaginando a angústia do psicólogo da equipe, ao ver o seu trabalho sendo testado em rede nacional.

No esporte, a mídia ajuda e atrapalha. Dá visibilidade e aumenta a pressão. Estudos comprovam que as alterações psicológicas e emocionais geram mudanças nas habilidades motoras e no controle de concentração, tomada de decisão, velocidade de reação e fazem as pernas tremerem.

Lidar com a pressão no esporte é tão natural quanto os Estados Unidos liderarem o quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos. Na vida a pressão é sinônimo de viver. Se a sua vida não tem pressão é porque você já morreu, só se esqueceram de te avisar. Desde criança temos que lidar com as expectativas que as pessoas depositam nas nossas costas para começar a engatinhar, a ficar em pé, a balbuciar as primeiras palavras, a andar, a aprender a ler, ir bem na escola, passar no vestibular, conseguir um bom emprego, etc. Pressão é que não falta e controle emocional é o remédio para enfrentar a loucura que é viver.

Mas nem todo mundo sabe lidar quando o calo aperta. “De que vale ser um ótimo atleta tecnicamente e ter um pavio curto na hora do jogo?”, já questionava o meu professor de educação física Roberval, quando o clima esquentava nas peladas do último horário da escola. Mais do que correr, o esporte é o casamento entre o preparo físico, técnica e força mental. Tripé que Junior Baiano, Edmundo, Fábio Costa, Pepe, Sassá e Felipe Melo passaram longe de adquirir pela simples falta de pavio, de tão curto que era.

Se tem uma coisa difícil nos dias de hoje é garantir o controle mental. Bater um pênalti é mais fácil que desligar o Lucas Neto do YouTube nas mãos de uma criança de 5 anos. Grudar no Neymar na marcação é mais tranquilo que controlar a ansiedade de saber que a pessoa leu a mensagem de WhatsApp há 20 minutos e não respondeu. Esquecer o carregador do celular em casa deixa a gente mais nervoso que receber uma virada aos 40 minutos do segundo tempo de partida.

Deitar um atleta no divã ou sentar esse atleta na cadeira do doutor, para abrir o coração ou a vida, serve para potencializar o desempenho esportivo, melhorar a capacidade de concentração e controlar a ansiedade, segundo especialistas. Imagino que deva ser difícil convencer um jogador de futebol a virar paciente na frente do doutor (a), pois homem não gosta de médico e pensa que a ajuda está relacionada à doença.

O sacrifício é por uma boa causa. Serve para evitar o apagão psicológico, gerar alívio para competir mais leve, solto e despreocupado em ter que corresponder às expectativas do técnico, do clube, dos jornalistas e da torcida, além de evitar o pior vírus que um atleta pode pegar: amarelar na hora H. Mas, não é que o narrador intelectual sabe das coisas? Pois, o controle emocional é o pior de todos os adversários.

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Breno Barros, 33 anos, gosta de olhar os diferentes esportes olímpicos de forma leve. Participei da cobertura dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio 2016, dos Jogos Olímpicos da Juventude de Argentina 2018 e da China 2014, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012, dos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019, de Toronto 2015 e de Guadalajara 2011. Estive também nas coberturas dos Jogos Sul-Americanos da Bolívia 2018 e do Chile 2014.

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