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Manex Silva derruba recordes no esqui cross-country brasileiro

Brasileiro Manex Silva ultrapassa a barreira dos 100 pontos FIS no ranking do esqui cross-country e é um dos favoritos à vaga para Pequim-2022

Manex Silva nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude Lausanne 2020
Manex Silva representou o Brasil nos Jogos da Juventude de Inverno de 2020 e é um dos favoritos à vaga para 2022 (Valter França/COB/Arquivo)

Há pouco tempo, ver um atleta do Brasil com menos de 100 pontos FIS no esqui cross-country era improvável. Entretanto, desde 13 de outubro de 2021, é realidade. Manex Silva, 19 anos, (pronuncia-se “Manéchi”) está pulverizando os recordes brasileiros na modalidade e surge como um dos candidatos a grande nome do país nos esportes de neve.

Ao lado de Steve Hiestand, ele conseguiu quebrar a barreira dos 100 pontos FIS no ranking da Federação Internacional de Esqui. Entretanto, Manex leva uma pequena vantagem: possui 95.26 pontos no distance e 173.09 no sprint. Hiestand, por sua vez, está com 97.77 pontos FIS nas provas de longa distância. No esqui cross-country, quanto menos pontos o atleta tiver, melhor.

A pontuação é a menor obtida por um atleta masculino do Brasil na história da modalidade. Mais do que isso: atinge o Índice A para os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2022. Assim, caso seja convocado, está apto a disputar todas as provas individuais da modalidade, incluindo sprint, skiathlon e a prova de 50km.

Isso, porém, não o empolga muito. “Sendo totalmente sincero, essa pontuação é importante para a nossa participação nos Jogos Olímpicos, mas para mim não é o único critério de rendimento. Sei que na Europa é algo mais difícil de conseguir. Então, acho que é mais importante prestar atenção no desempenho do que na pontuação”, explica Manex Silva.

Essa mentalidade é que está por trás de seus feitos. Foi Top 40 no sprint dos Jogos da Juventude de Inverno de 2020, o melhor atleta sul-americano da competição e detém os recordes brasileiros da categoria adulto e júnior. “Eu só quero melhorar e melhorar para, algum dia, chegar na elite mundial e representar o Brasil da melhor forma possível”.

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Do Acre ao País Basco – e de lá para os esportes de inverno

Sua história no esporte de inverno no Brasil segue uma trajetória improvável. Ele nasceu em Rio Branco, capital do Acre. Com dois anos, se mudou para o País Basco, comunidade ao norte da Espanha e lar de seu pai. Aos oito, se mudou para uma pequena vila nos Pirineus, a região montanhosa que separa Espanha da França.

Foi lá, contudo, que Manex Silva começou a esquiar e competir em provas regionais. Representar o Brasil nem passava pela sua cabeça, até que viu Mirlene Picin, experiente atleta da equipe brasileira de esqui cross-country, participar de uma mesma prova na Espanha. Conversou com ela e entrou em contato com a CBDN na sequência.

“Eu nem sabia que existia uma confederação brasileira de esportes na neve. Mas um dia eu participei de um campeonato, vi a Mika Picin competindo pelo Brasil e eu e meu pai fomos falar com ela. Depois de algumas mensagens com a CBDN, combinamos em fazer um encontro em Livigno, na Itália, na temporada seguinte”.

Manex Silva segue em franca evolução no esqui cross-country

A estreia foi na temporada 2017-2018. Quando todos estavam de olho nos Jogos Olímpicos de PyeongChang, o brasileiro participava de suas primeiras competições oficiais no esqui cross-country. No ano seguinte já disputava o Mundial Júnior e em 2020 representou o país nos Jogos Olímpicos da Juventude de Inverno, em Lausanne, na Suíça.  

“Nesses últimos anos, aprendi e melhorei muito – e estou feliz com os resultados. Mas ainda tem muito caminho para trilhar e muito trabalho a ser feito para chegar a um nível melhor”, explica Manex Silva, ciente da evolução que ainda busca no esqui cross-country.  

Além de obter menos de 100 pontos na Lista FIS graças ao desempenho no rollerski, o jovem também está melhorando seus resultados na neve. É dele os melhores desempenhos do país em competições no exterior, como os 111.12 pontos FIS em Cerro Catedral, na Argentina, em 2019, e os 118.35 pontos FIS em Saalfelden, na Áustria, em 2021.

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Qual é a caminhada olímpica?

O Brasil já possui uma vaga garantida no esqui cross-country masculino. Ainda que exista uma chance remotíssima de levar um segundo competidor (o país é o 39º na lista de espera), o objetivo da CBDN é utilizar a temporada para definir o seu representante após o período pré-olímpico, que termina em 16 de janeiro de 2022.

A entidade criou regras específicas para definir os atletas convocados (há mais duas vagas em jogo na disputa feminina). A preferência na escolha será para atletas com Índice A, ou seja, obter menos de 100 pontos na Lista FIS no fim do período pré-olímpico – algo que Manex Silva e Steve Hiestand alcançaram com o Circuito Brasileiro de Rollerski.

Como há mais de dois atletas em disputa por uma única vaga, há também a Lista de Pontos CBDN, que vai levar em conta os seis melhores resultados em provas na neve no período. Dessa forma, aquele que tiver o melhor desempenho será o convocado para os Jogos Olímpicos de Pequim, em fevereiro de 2022

“Eu acho divertido essa disputa entre mim e o Steve. Com isso tem mais competitividade e o esforço de cada um aumenta o desempenho, com um tentando superar o outro. Mas na neve tudo muda e veremos como a disputa continua agora”, finaliza Manex, que ainda vai participar de mais uma etapa nacional no rollerski antes de iniciar a temporada no Hemisfério Norte.

Manex Silva e Steve Hiestand durante disputa do Circuito de Rollerski
Steve Hiestand (nº6) e Manex Silva disputam a vaga do Brasil para Pequim-2022 (Divulgação/CBDN)

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