Siga o OTD

Brasileira do skeleton desafia covid-19 como atleta e enfermeira

Brasil Zero Grau

Brasileira do skeleton desafia covid-19 como atleta e enfermeira

Quando não está representando o Brasil no Skeleton, Nicole Silveira é enfermeira no Canadá, onde mora desde os sete anos

No dia 20 de novembro de 2020, Nicole Silveira, atleta brasileira do skeleton, se tornou na primeira representante do país presente na Copa do Mundo da modalidade. O feito foi alcançado em meio aos protocolos de segurança por conta da pandemia de Covid-19. Algo que não é novidade para ela, que também enfrentou a doença como enfermeira.

Profissional de saúde atuante no Canadá, Nicole trabalhou na área durante a primavera e o verão no hemisfério norte (março a setembro). Ela atuou inicialmente em uma casa de repouso para idosos e também em hospitais da região. O período englobou justamente o início e o pico de avanço do novo coronavírus.

“Foi bastante difícil. Primeiro porque eu retornei para o Canadá na véspera do lockdown e tive que ficar de quarentena. Depois, inicialmente trabalhei em uma casa de idosos no auge das medidas de isolamento social”, explicou.

+ SIGA O OTD NO YOUTUBE, NO INSTAGRAM E NO FACEBOOK

Essa experiência da representante brasileira do skeleton também influenciou em sua preparação esportiva. Acostumada com equipamentos de proteção individual, como máscaras e roupas, Nicole também identifica a eficácia dos protocolos adotados nas competições internacionais, reduzindo ainda mais o risco de contágio.

Para garantir a realização da Copa do Mundo de Bobsled e Skeleton, a IBSF adotou um protocolo rígido de prevenção para os atletas e dirigentes. Entre as medidas, a entidade realizou etapas duplas em Sigulda, na Letônia, e Innsbruck, na Áustria, no fim de 2020. O objetivo é reduzir o deslocamento dos atletas e garantir uma espécie de “bolha”.

“É claro que usar máscara para atividades físicas é desconfortável, mas eu já estou acostumada com o dia a dia e, como enfermeira, eu vejo quando posso manter distância em certas situações na competição. Mas isso não é ruim. Eu só tenho a agradecer por ter uma competição para disputar no atual estágio da pandemia”, afirma.

Nicole Silveira é a representante brasileira do skeleton
Nicole Silveira atua como enfermeira no Canadá quando não compete no skeleton (Instagram/nicole__silveira)

Da dança ao gelo, passando por futebol e fisiculturismo

A brasileira do skeleton é uma das estrelas dos esportes de gelo do país. Mas sua trajetória até chegar à modalidade foi bastante diversa. Natural de Rio Grande (RS), a jovem de 26 anos mora desde os sete no Canadá. Com família inserida no esporte (o pai e o avô foram jogadores de basquete), ela tem contato com a atividade física desde a infância.

Antes de se mudar, por exemplo, Nicole já praticava a dança. Depois, experimentou a ginástica. Mas quando viu o irmão praticando o futebol, resolveu experimentar a prática. Foram quase dez anos nesse esporte, mas ela resolveu parar. Até que veio o fisiculturismo por indicação de colegas.  

Na primeira experiência, já ficou na quarta colocação de sua região, sendo que as três avançavam à próxima fase. O instinto de competição (“eu sou 0 ou 100 no esporte, ou faço no limite ou nem faço”) a fez continuar. No ano seguinte, não só passou de fase, como avançou até à final do Campeonato Canadense da modalidade.

E onde entra o gelo que a transformou na brasileira do skeleton. Em 2017, quando trabalhava em uma loja de suplementos, recebeu o convite para integrar a equipe de bobsled da Heather Paes. O objetivo era garantir a classificação olímpica para os Jogos de Inverno de PyeongChang-2018. A vaga não veio, mas Nicole gostou do ambiente e resolveu continuar, agora em outra função.

+ O BRASIL ZERO GRAU TAMBÉM ESTÁ NO TWITTER, NO FACEBOOK E NO INSTAGRAM! SIGA!

“Eu gosto de estar no controle e, na experiência do bobsled, eu era apenas a breakwoman [responsável pelos freios]. Queria continuar, mas já em mente que ou faria curso de pilotagem ou migraria para o skeleton”.

Até onde a brasileira do skeleton pretende chegar?

Migrou para o skeleton após receber convite de Matheus Figueiredo, presidente da CBDG. Logo após os Jogos de PyeongChang-2018, ela realizou seus primeiros treinos oficiais em Calgary, no Canadá. Em outubro daquele mesmo ano, participou de suas primeiras competições com a Copa América.

São, portanto, apenas duas temporadas completas nesta modalidade de gelo. Mesmo assim, já é a atual vice-campeã do circuito da Copa América, participou das últimas duas edições do Campeonato Mundial. Por fim, se o ranking pré-olímpico fechasse hoje, Nicole ficaria com uma vaga inédita nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim-2022.

Mesmo assim, a brasileira do skeleton mantém os pés no chão. O objetivo, agora, é se desenvolver ainda mais na modalidade e pensar nos pontos necessários a partir da próxima temporada.

“Eu tenho dois anos de skeleton. As mais próximas do meu nível têm cinco, seis anos de experiência na modalidade. A evolução aumenta a confiança nas competições e estar aqui, ao lado das melhores do mundo, certamente ajuda a me impulsionar ainda mais”, conclui.

O próximo passo será nesta sexta-feira, 27 de novembro de 2020. A partir das 5h no horário de Brasília (10h no horário local), Nicole compete na segunda etapa da Copa do Mundo de Skeleton em Sigulda, na Letônia.

Mais em Brasil Zero Grau