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Tamara Boros, técnica da seleção da Alemanha depois de Tóquio-2020

Mais um desafio na carreira de uma das grandes mesatenistas de sua geração

Boros: vice-líder do ranking em 2002 e bronze no Mundial de 2003 (Divulgação)

Tamara Boros, técnica da seleção da Alemanha depois de Tóquio-2020

Em meio a tantas incertezas que rondam a Olimpíada de Tóquio-2020, uma coisa parece certa: depois dos Jogos na capital japonesa, a croata Tamara Boros será a técnica da seleção feminina da Alemanha. A própria treinadora, atualmente no comando da seleção alemã sub-23, confirmou a movimentação – anunciada oficialmente em meados de 2020 – em conversa promovida em março pela ITTF (Federação internacional de tênis de mesa). Tamara substituirá Jie Schopp, que por sua vez passará a dedicar as suas atenções ao grupo infanto-juvenil do país.

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Disse Boros: “Depois da Olimpíada (de Tóquio-2020) vou assumir a seleção nacional feminina da Alemanha, uma grande honra e um grande desafio para mim. Será a primeira vez que terei meu próprio grupo e serei responsável por uma seleção nacional; estou ansiosa por este desafio. Espero que possa ter, como técnica, o mesmo resultado que tive como atleta. Estou fazendo de tudo para isso.”

Tamara Boros (Croácia) atuando como técnica
Tamara Boros assumirá a seleção feminina da Alemanha depois de Tóquio-2020 (Divulgação)

Altas expectativas

Se o objetivo de Tamara Boros é obter como treinadora resultados semelhantes aos que conquistou como atleta, as expectativas são altas. Ou seja: defendendo a Croácia, ela ocupou a vice-liderança do ranking mundial em 2002 e foi medalhista de bronze no Campeonato Mundial no ano seguinte, em 2003. Além das várias medalhas em campeonatos europeus, Boros tem quatro participações olímpicas no currículo: de Atlanta-1996 a Pequim-2008. Em 2015, três anos depois de “pendurar a raquete”, a croata foi nomeada para o Hall da Fama da ETTU (União Europeia de tênis de mesa).

Boros e sua jogadora assinatura: o backhand
Uma das armas mais poderosas da vice-líder do ranking mundial em 2002: o backhand (Divulgação)

Última não-asiática a conquistar uma medalha em Campeonatos Mundiais

Tamara Boros também lembrou de seu momento mais especial no esporte, ou seja: o bronze no Mundial de 2003. A última não-asiática a conquistar uma medalha no evento disse: “Foi meu sonho realizado, estava trabalhando com meu técnico por este resultado e a felicidade foi tão grande, um sentimento que nunca vou esquecer. Já se passaram quase 18 anos e ainda posso sentir a emoção de quando venci o jogo contra (a chinesa naturalizada americana) Gao Jun por 4×3 nas quartas-de-final.” E destacou: “O mais importante é o processo, o trabalho a longo prazo, e o resultado virá. Isto é o que senti em 2003: depois de 15 anos de trabalho intenso, o resultado apareceu e ganhei a medalha.” Vale lembrar que Gao Jun, companheira de equipe de Deng Yaping, foi medalhista de prata nas duplas (ao lado de Chen Zihe) em Barcelona-1992.

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A carreira de técnica

Sobre a carreira de técnica, a futura líder da seleção alemã comentou: “Acho que ainda não sou do nível top, espero fazer o meu melhor para chegar lá e estou pronta para aprender… acho muito importante que você aprenda a vida inteira, seguindo a evolução. É por isso que terminei o Mestrado em treinamento esportivo, queria ver o esporte de outra parte, de como o nosso corpo funciona. Também tenho muito interesse na preparação física.”

Ao lado do técnico com quem conquistou o bronze no mundial de 2003
Boros com o técnico Neven Cegnar: muitos anos de parceria (Divulgação)

Mulheres no comando

A seleção feminina alemã tem sido comandada com sucesso por Jie Schopp nos últimos anos. Ela levou o time a três títulos europeus seguidos (2013, 2014 e 2015) e à medalha de prata nos Jogos do Rio-2016. Após Tóquio-2020, Schopp se dedicará às gerações futuras, ou seja: focará no grupo de meninas até 15 anos. A categoria até 18 anos receberá a atenção de Lara Broich.

Ter mulheres no comando de uma grande seleção, como a técnica Tamara Boros na Alemanha, é bom para a modalidade e para inspirar outras mulheres. Isto é, elas servem de referência, um modelo a ser seguido.

Pois conforme debatido no Fórum do Dia Mundial do Tênis de Mesa – Empoderamento Feminino promovido pela CBTM em março, estudos indicam que uma técnica mulher é um dos fatores que contribuem para que haja mais meninas praticando o tênis de mesa. Mas hoje, as mulheres não chegam a 20% do número de técnicos no Brasil  – uma realidade de muitos outros países. Neste sentido, poderíamos todos aprender com o exemplo da Alemanha.

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