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Seu treino também pode estar treinando o cérebro



Atividade física deixou de ser associada apenas ao corpo e passou a ser estudada como uma ferramenta para atenção, cognição e envelhecimento saudável



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Quando uma pessoa começa a praticar esporte ou exercício físico, normalmente os primeiros objetivos estão ligados ao corpo: perder peso, ganhar força, melhorar o condicionamento ou aumentar o desempenho.

Mas existe outro órgão que também responde aos estímulos do movimento:

o cérebro.

Nos últimos anos, pesquisadores passaram a investigar com mais atenção a relação entre atividade física e funções cognitivas, como memória, concentração e capacidade de tomada de decisão.

A pergunta é:fazer exercício também pode ajudar o cérebro?

A resposta é que a prática regular de atividade física está associada a benefícios em diferentes aspectos da saúde mental e cognitiva, embora os efeitos dependam do tipo de atividade, frequência e características de cada pessoa. Estudos relacionam a prática de exercícios a menor presença de sintomas de ansiedade e depressão, além de melhorias em qualidade de vida e bem-estar psicológico.

O exercício não substitui tratamentos médicos ou psicológicos quando eles são necessários.

Mas pode fazer parte de uma rotina de cuidado integral com o corpo e a mente.


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O corpo em movimento também estimula o cérebro

Durante uma atividade física, o organismo passa por uma série de adaptações.

O aumento da circulação sanguínea, a liberação de substâncias relacionadas ao funcionamento cerebral e a necessidade de coordenar movimentos fazem com que o cérebro também participe do processo.

Em esportes, essa relação fica ainda mais evidente.

Um jogador de futebol precisa interpretar o espaço, antecipar movimentos e tomar decisões em poucos segundos.

Um tenista precisa calcular trajetória, velocidade e posicionamento.

Um nadador precisa controlar ritmo, técnica e estratégia durante uma prova.

O esporte não trabalha apenas músculos.

Também exige processamento de informações.

Esportes que desafiam a mente

Nem todo exercício provoca o cérebro da mesma maneira.

Modalidades com maior exigência de tomada de decisão combinam esforço físico e estímulo cognitivo.

Entre elas:

Esportes coletivos

Futebol, vôlei e basquete exigem leitura de jogo, comunicação e adaptação constante.

O atleta precisa responder rapidamente a situações que mudam a cada segundo.

Esportes de raquete

Tênis, badminton e tênis de mesa envolvem antecipação, coordenação olho-mão e decisões rápidas.

Danças e modalidades técnicas

Atividades que exigem memorização de movimentos e coordenação também estimulam diferentes capacidades cognitivas.

Isso não significa que exercícios individuais sejam menos importantes.

Corrida, ciclismo e musculação também podem contribuir para a saúde cerebral quando praticados regularmente.

Exercício ajuda na memória?

A relação entre atividade física e memória é uma das áreas mais estudadas.

O exercício pode influenciar processos ligados à aprendizagem e ao funcionamento cerebral, especialmente ao longo da vida.

Em adultos, pesquisas associam níveis maiores de atividade física a melhores indicadores de saúde mental e qualidade de vida. Um estudo com mais de 88 mil brasileiros avaliou diferentes formas de atividade física e encontrou associação entre prática no tempo livre e menor chance de sintomas depressivos em diversos grupos analisados.

A memória, porém, não depende de um único fator.

Sono, alimentação, idade, genética, rotina e outros hábitos também participam desse processo.

A atividade física pode ajudar contra o estresse?

Esse é um dos motivos pelos quais muitas pessoas relatam sensação de bem-estar após praticar exercícios.

Durante a atividade física, o corpo passa por alterações hormonais e fisiológicas que podem influenciar o humor.

Além disso, o esporte oferece outros elementos importantes:

  • contato social;
  • sensação de progresso;
  • criação de rotina;
  • momentos de concentração.

Estudos com adultos apontam associação entre maiores níveis de atividade física e menores níveis de ansiedade em alguns grupos avaliados.

Mas a relação não é simples.

Exercício é uma ferramenta de promoção de saúde, não uma solução isolada para todos os problemas emocionais.

Por que isso se torna ainda mais importante com o envelhecimento?

Manter o cérebro ativo é uma preocupação crescente em uma população que vive mais.

Nesse contexto, a atividade física aparece como uma das estratégias associadas ao envelhecimento saudável.

O objetivo não é apenas viver mais.

É manter autonomia para realizar tarefas, interagir socialmente e continuar participando de atividades que tragam satisfação.

Por isso, esportes e exercícios podem ter um papel que vai além do condicionamento físico.

Eles ajudam a manter o corpo em movimento e também estimulam a mente.

Não é preciso virar atleta para cuidar do cérebro

Um dos pontos mais importantes dessa discussão é que os benefícios não estão restritos a atletas profissionais.

Uma pessoa pode incluir movimento na rotina de diferentes formas:

  • caminhada;
  • bicicleta;
  • natação;
  • musculação;
  • esportes recreativos.

O mais importante é encontrar uma atividade que seja possível manter.

A regularidade tende a ser mais importante do que buscar uma modalidade considerada perfeita.

O esporte como treino para corpo e mente

Durante muito tempo, a atividade física foi vista principalmente como uma ferramenta para transformar o corpo.

Hoje, a ciência mostra uma visão mais ampla.

Movimentar-se também envolve atenção, memória, emoções e interação social.

Cada treino pode representar uma nova adaptação física.

Mas também pode ser uma oportunidade de estimular o cérebro.

O esporte não fortalece apenas músculos.

Ele desafia a mente a continuar aprendendo.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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