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Ouvido de nadador: como evitar o problema depois da piscina

Ouvido de nadador: como evitar o problema depois da piscina

Terminou o treino de natação e ficou com aquela sensação de água presa no ouvido? Na maioria das vezes, o incômodo desaparece. Mas a permanência de umidade no canal auditivo, principalmente quando existe alguma pequena lesão na pele, pode favorecer um problema conhecido como otite externa ou ouvido de nadador.

Apesar do nome, não é necessário ser nadador profissional — nem sequer praticar natação regularmente — para desenvolver o quadro. Piscina, mar, rio e cachoeira podem aumentar a exposição à água e à umidade.


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O que é o ouvido de nadador?

A otite externa é uma inflamação ou infecção que ocorre principalmente na pele do canal auditivo externo, região localizada antes do tímpano.

É diferente da otite média, que ocorre atrás da membrana timpânica e costuma estar associada a outros fatores, como infecções respiratórias.

O apelido “ouvido de nadador” surgiu justamente pela associação frequente entre otite externa e exposição à água.

O protocolo da Ebserh/UFTM explica que a umidade pode remover parte da camada protetora da pele do canal. Pequenas fissuras podem então funcionar como porta de entrada para microrganismos.

Por que a água no ouvido pode causar problema?

O problema não é simplesmente uma gota de água tocar o ouvido.

A combinação entre umidade prolongada e uma barreira da pele fragilizada facilita o desenvolvimento da infecção. A causa mais comum é bacteriana, embora fungos também possam estar envolvidos.

Isso explica por que outro comportamento aparentemente inofensivo pode aumentar o risco: colocar objetos dentro do ouvido.

Cotonetes, unhas, grampos e outros itens podem provocar pequenas lesões na pele do canal. Se depois disso a região permanece úmida, existe uma condição mais favorável para o problema aparecer.

Como saber se não é apenas água presa?

A sensação inicial pode ser de ouvido cheio ou “entupido”, mas a otite externa pode apresentar outros sintomas.

Entre os sinais descritos em protocolo brasileiro estão:

  • dor no ouvido;
  • coceira;
  • sensação de ouvido cheio;
  • inchaço do canal;
  • vermelhidão;
  • secreção;
  • em alguns casos, redução da audição.

Uma característica frequente é a dor aumentar quando a entrada do ouvido ou o pavilhão auricular são tocados.

Portanto, ouvido molhado depois de nadar e ouvido dolorido no dia seguinte são situações diferentes.

Como secar o ouvido depois da piscina?

Depois de sair da água, o cuidado deve acontecer principalmente por fora.

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo recomenda secar delicadamente a região externa com papel ou lenço, sem introduzir hastes flexíveis no canal auditivo.

Inclinar a cabeça para o lado pode ajudar a água que ficou próxima à entrada a escorrer naturalmente.

O importante é não transformar a tentativa de secar em uma limpeza profunda.

O ouvido possui mecanismos naturais de proteção, incluindo a cera, e introduzir objetos pode empurrá-la para dentro ou machucar a pele.

Cotonete ajuda a tirar a água?

Não é uma boa estratégia.

A haste pode parecer capaz de “absorver” a água, mas também pode empurrar cera e secreções para dentro e provocar pequenas lesões no canal auditivo. Autoridades de saúde brasileiras desaconselham esse uso.

Isso vale também para outros objetos improvisados.

Se existe sensação persistente de ouvido obstruído, a solução não é tentar alcançar mais fundo.

Preciso usar tampão para nadar?

Não necessariamente.

Para a maioria das pessoas, não existe recomendação de usar tampões obrigatoriamente em toda entrada na piscina.

A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que, quando as otites externas acontecem repetidamente, a avaliação de um especialista pode indicar tampões apropriados.

Isso é diferente de colocar qualquer objeto no ouvido por conta própria.

Quem nada regularmente e sofre episódios repetidos deve discutir a melhor estratégia com um otorrinolaringologista.

Posso pingar alguma coisa no ouvido depois de nadar?

Não é indicado transformar soluções caseiras ou gotas medicamentosas em rotina sem orientação.

O tratamento da otite externa depende de avaliação do canal auditivo e do tímpano. A Sociedade Brasileira de Pediatria explica que, quando existe diagnóstico de otite externa, medicamentos tópicos podem fazer parte do tratamento — mas são utilizados depois da avaliação adequada.

Também é importante lembrar que dor de ouvido não significa necessariamente otite externa.

Existem diferentes causas de dor e diferentes tipos de otite.

Quando procurar atendimento?

Dor persistente ou intensa, secreção, inchaço, redução da audição ou piora progressiva depois de nadar justificam avaliação.

A Prefeitura de São Paulo recomenda procurar atendimento diante de dor ou desconforto e evitar automedicação.

O protocolo do HC-UFTM também destaca que o diagnóstico é clínico e depende da história e do exame físico, incluindo a avaliação do canal auditivo. Casos persistentes, graves ou com complicações podem exigir avaliação especializada.

Pessoas com diabetes ou imunossupressão merecem atenção especial diante de sintomas importantes, porque existem formas mais graves de otite externa nesses grupos.

Nadar não precisa significar ficar com dor de ouvido

A mensagem não é evitar piscina, mar ou natação.

A própria Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que atividades aquáticas são bem-vindas e que muitos episódios podem ser prevenidos evitando a manipulação do canal auditivo.

Depois do treino, portanto, a rotina pode ser simples:

secar delicadamente por fora, deixar a água sair naturalmente e manter cotonetes e outros objetos longe do canal.

A sensação de algumas gotas no ouvido pode passar.

Dor, coceira intensa ou secreção não devem simplesmente virar parte do treino de natação.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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