Siga o OTD

Bem-Estar Todo Dia

 

Esgrima para adultos: como começar mesmo sem experiência

Quer começar na esgrima depois de adulto? Veja como funcionam as primeiras aulas, as diferenças entre as armas e onde procurar a modalidade.

Máscara no rosto, uma arma na mão e um adversário do outro lado da pista. Para quem nunca praticou esgrima, a modalidade pode parecer técnica demais para ser aprendida depois de adulto.

Mas não é preciso ter segurado um florete na infância para experimentar o esporte.

No Brasil, a própria estrutura competitiva da Confederação Brasileira de Esgrima (CBE) contempla praticantes de várias idades. Além da categoria Adulto/Livre, existem Pré-Veterano, dos 40 aos 49 anos, e categorias de veteranos dos 50 até mais de 70 anos. Isso não significa que seja preciso competir: mostra apenas que a prática não termina na juventude.

Para quem chega do zero, a primeira meta não é vencer um duelo. É aprender como se posicionar, movimentar e usar o equipamento com segurança.

Preciso estar em forma para começar?

Não existe uma condição física específica que todo adulto precise alcançar antes de fazer a primeira aula.

A esgrima envolve deslocamentos rápidos, mudanças de direção, equilíbrio e coordenação entre pernas e braços. Essas demandas podem ser trabalhadas progressivamente durante a aprendizagem.

Quem está sedentário ou retornando à atividade física pode precisar começar com menor volume e intensidade, assim como aconteceria em outras modalidades.

Também vale avisar o professor sobre dores, lesões anteriores ou limitações que interfiram nos movimentos.

Não faz muito sentido esperar “ficar preparado para a esgrima” antes de experimentar justamente a atividade que irá ensinar seus movimentos.

Vou lutar contra alguém logo na primeira aula?

Uma boa iniciação não precisa começar colocando duas pessoas sem experiência para disputar pontos.

Antes disso, existe bastante coisa para aprender: posição do corpo, deslocamentos, distância em relação ao adversário e controle da arma.

A esgrima possui uma técnica própria, e o iniciante precisa construir esses fundamentos antes de pensar apenas em acertar o outro lado.

Portanto, não estranhe se a primeira aula tiver mais movimentos repetidos do que combates.

Aprender a avançar, recuar e encontrar uma posição confortável já faz parte do esporte.

Florete, espada ou sabre: qual é a diferença?

A esgrima esportiva possui três armas: florete, espada e sabre. Elas mudam não apenas de formato, mas também nas regras para marcar pontos.

No florete, o toque válido é feito com a ponta da arma e a área de pontuação é o tronco.

Na espada, também se toca com a ponta, mas todo o corpo pode valer como alvo. Também são permitidos toques simultâneos em determinadas situações.

No sabre, é possível marcar com a ponta ou com a lateral da lâmina, e a superfície válida envolve cabeça, tronco e membros superiores, com exceção das mãos.

Quem está começando, porém, não precisa decidir sozinho qual será sua arma antes da primeira aula.

A escola ou clube pode trabalhar inicialmente com determinada arma e permitir que o praticante conheça a modalidade antes de escolher uma especialidade.

A espada tem ponta de verdade?

Não como uma arma de combate.

Segundo a CBE, as armas utilizadas na esgrima esportiva não possuem fio ou ponta afiada. Os praticantes também utilizam equipamentos de proteção, incluindo máscara e uniforme resistente aos golpes.

Ainda assim, isso não significa tratar o equipamento como brinquedo.

A prática deve acontecer em ambiente adequado, respeitando orientação, regras e equipamentos próprios da modalidade.

Essa é outra razão para não tentar aprender esgrima improvisando armas em casa depois de assistir a vídeos.

Preciso comprar máscara, roupa e espada?

Não deveria ser a primeira preocupação.

Antes de investir em equipamento, vale procurar uma escola, clube ou projeto e perguntar como funciona a aula experimental e se há material disponível para iniciantes.

A CBE mantém uma página chamada Onde Praticar, com entidades reconhecidas em diferentes estados. A relação inclui academias, clubes e associações em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Alagoas, entre outros.

Ao entrar em contato, pergunte:

  • há turma para adulto sem experiência?
  • o equipamento é emprestado nas primeiras aulas?
  • qual arma é utilizada na iniciação?
  • existe aula experimental?
  • quais roupas ou tênis precisam ser levados?

Essas respostas ajudam muito mais no começo do que comprar uma arma pela internet sem saber exatamente do que você precisa.

É preciso ter reflexos muito rápidos?

Reflexos e velocidade podem ganhar importância conforme o praticante evolui, mas ninguém precisa chegar à primeira aula reagindo como um atleta olímpico.

A esgrima exige aprender a reconhecer distância, movimentação e ações do adversário. A própria CBE cita concentração, equilíbrio, coordenação, agilidade de pensamento e movimento entre características trabalhadas pela modalidade.

Essas habilidades são justamente parte do aprendizado.

O adulto iniciante provavelmente vai pensar bastante antes de cada movimento. Com a prática, ações que pareciam difíceis podem ficar mais familiares.

Dá para começar aos 40, 50 ou 60 anos?

A idade isoladamente não determina se alguém pode experimentar a modalidade.

A estrutura oficial brasileira possui categorias específicas para praticantes a partir dos 40 anos: Pré-Veterano, Veterano 1, Veterano 2 e Veterano 3, esta última para atletas com 70 anos ou mais.

Isso não significa que todo adulto esteja automaticamente liberado para treinar sem considerar suas condições individuais.

Mas derruba a ideia de que a esgrima seja um esporte reservado a quem começou criança.

Como encontrar uma aula?

Um bom primeiro passo é consultar clubes e escolas da sua região.

A página Onde Praticar, da Confederação Brasileira de Esgrima, reúne entidades vinculadas ou reconhecidas pela confederação e permite encontrar locais em diferentes estados.

Também existem iniciativas públicas em algumas cidades.

A oferta varia de cidade para cidade, então vale pesquisar clubes, associações e programas públicos locais.

Você não precisa começar sabendo duelar

A imagem da esgrima olímpica pode intimidar.

Os atletas se movimentam rapidamente, tomam decisões em frações de segundo e executam ações que parecem automáticas.

Mas essa é a chegada, não o ponto de partida.

Quem começa adulto pode primeiro aprender a ficar em guarda.

Depois, avançar e recuar.

Controlar a distância.

Segurar a arma.

Entender quando e onde um toque vale.

A primeira vitória não precisa acontecer no placar.

Pode ser simplesmente sair da aula sabendo algo que, uma hora antes, parecia um esporte impossível de aprender.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

Mais em Bem-Estar Todo Dia