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Cotovelo de tenista: por que a lesão não acontece só no tênis

cotovelo de tenista

O nome pode enganar. Apesar de ser conhecido como cotovelo de tenista, o problema não acontece apenas com quem entra em quadra com uma raquete.

Atividades que exigem repetidamente segurar objetos, movimentar o punho ou usar com força os músculos do antebraço também podem sobrecarregar os tendões da região externa do cotovelo. Pintores, carpinteiros, encanadores, cozinheiros e trabalhadores que utilizam ferramentas estão entre os grupos citados pela Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS).

Até tarefas aparentemente distantes do esporte, como trabalhar no computador, costurar, usar uma chave de fenda ou tocar determinados instrumentos musicais, podem estar relacionadas ao problema.


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O que é o cotovelo de tenista?

O cotovelo de tenista é o nome popular da condição conhecida como epicondilalgia lateral, frequentemente chamada também de epicondilite lateral.

Ela envolve principalmente os tendões dos músculos do antebraço responsáveis por movimentos como estender o punho e os dedos. Esses tendões se conectam à parte externa do cotovelo.

A sobrecarga repetida pode provocar alterações e pequenas lesões no tecido do tendão. Por isso, embora o termo “epicondilite” seja muito utilizado, o problema não deve ser entendido simplesmente como uma inflamação aguda. A AAOS descreve degeneração e, em alguns casos, microrrupturas do tendão associado à região.

Onde dói?

O sintoma mais característico é dor na parte externa do cotovelo.

Ela pode começar de maneira leve e aumentar gradualmente ao longo de semanas ou meses. Também pode haver sensação de queimação na região e diminuição da força para segurar objetos.

Algumas situações simples do cotidiano podem deixar o problema mais perceptível:

  • segurar ou levantar objetos;
  • apertar alguma coisa com a mão;
  • movimentar o punho;
  • girar uma ferramenta;
  • apertar a mão de alguém;
  • realizar movimentos repetitivos com o antebraço.

O NHS também cita dor no antebraço e dificuldade para estender completamente o braço entre os sintomas possíveis.

Por que o tênis ficou no nome?

Porque os movimentos repetidos da raquete podem exigir bastante dos músculos extensores do antebraço.

No tênis, técnica inadequada e equipamento pouco apropriado podem aumentar a sobrecarga. Mas a mesma lógica aparece em outras atividades: não é a raquete em si que provoca o problema, e sim a demanda repetida sobre determinadas estruturas do antebraço e do cotovelo.

É por isso que uma pessoa que nunca jogou tênis também pode desenvolver sintomas compatíveis.

Outros esportes também podem provocar o problema?

Sim.

Esportes e exercícios que envolvem movimentos repetidos das mãos e dos punhos, além de grande exigência de pegada, podem aumentar a carga sobre os músculos do antebraço.

Isso não significa que musculação, badminton, beach tennis ou outros esportes necessariamente provoquem a condição. O risco depende de fatores como volume, intensidade, técnica, recuperação e aumento recente de carga.

Uma mudança brusca também pode ser relevante. Uma revisão clínica descreve que os sintomas podem aparecer depois de uma atividade incomum envolvendo repetidas extensões do punho.

Por isso, vale observar não apenas qual esporte você pratica, mas também se houve recentemente um aumento grande no número de treinos, repetições ou esforço de pegada.

Precisa parar completamente de treinar?

Nem sempre.

A primeira medida costuma ser reduzir ou modificar temporariamente aquilo que provoca a dor, em vez de insistir no mesmo movimento e intensidade.

A AAOS cita redução de esportes, trabalhos pesados e outras atividades que provoquem os sintomas como parte inicial do manejo. Exercícios específicos para fortalecer os músculos do antebraço também podem fazer parte da reabilitação orientada por profissionais.

Isso não significa simplesmente escolher alguns exercícios na internet e executá-los apesar da dor.

A carga adequada depende da intensidade dos sintomas, do estágio do problema e das atividades que a pessoa precisa retomar.

Munhequeira ou faixa no antebraço resolve?

Algumas pessoas utilizam faixas posicionadas no antebraço ou órteses para o punho. Esses recursos podem reduzir temporariamente a carga sobre determinados músculos e tendões, mas não substituem a identificação do movimento ou da carga que está provocando o problema.

A própria literatura clínica aponta que a utilidade das faixas de contraforça pode variar entre pacientes.

Por isso, comprar uma faixa não deve ser a única estratégia diante de uma dor persistente.

Quando procurar avaliação?

Nem toda dor na parte externa do cotovelo é cotovelo de tenista.

Compressões nervosas, outros problemas nos tendões e até alterações provenientes do pescoço podem causar sintomas semelhantes. Por isso, diagnosticar o problema apenas pela localização da dor pode levar a erro.

O NHS recomenda procurar avaliação quando a dor permanece mesmo depois de um período de redução das atividades e medidas de autocuidado.

Dor após queda ou impacto importante, perda acentuada de força ou sensibilidade e sintomas que limitam progressivamente as atividades também não devem ser simplesmente atribuídos à sobrecarga do treino.

O cotovelo não precisa conhecer uma quadra para sofrer

O nome “cotovelo de tenista” sobreviveu porque o problema ficou fortemente associado ao esporte. Mas ele descreve uma sobrecarga que pode aparecer em contextos muito diferentes.

Raquete, ferramenta, mouse, peso ou instrumento musical: o elemento comum está na repetição e na exigência dos músculos do antebraço.

Por isso, se a parte externa do cotovelo começa a reclamar constantemente, a pergunta não deve ser apenas “eu jogo tênis?”. Vale observar quais movimentos você repete todos os dias — dentro e fora do esporte.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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