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Teste de sentar e levantar: como funciona e o que avalia

Pessoa idosa realiza o teste de sentar e levantar com alguém ao lado por segurança.

Levantar-se de uma cadeira parece uma tarefa simples, mas exige força das pernas, coordenação, equilíbrio e controle do tronco. Por isso, profissionais de saúde utilizam esse movimento em avaliações da capacidade funcional, especialmente entre pessoas idosas.

Uma das versões mais conhecidas é o teste de sentar e levantar durante 30 segundos. A pessoa cruza os braços sobre o peito e conta quantas vezes consegue ficar totalmente em pé e voltar à posição sentada durante esse intervalo.

O teste ganhou destaque recente nas redes sociais como uma suposta avaliação de “longevidade”. Essa definição, porém, é exagerada. O protocolo do CDC tem como finalidade avaliar a força e a resistência das pernas e integra uma análise mais ampla do risco de quedas. O número obtido sozinho não prevê quanto tempo alguém viverá nem oferece um diagnóstico.


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O que é o teste de sentar e levantar?

O teste de 30 segundos foi desenvolvido para oferecer uma medida simples do desempenho dos membros inferiores. Em vez de utilizar aparelhos de musculação, ele observa quantas vezes a pessoa consegue realizar um movimento presente na rotina.

O estudo original, publicado em 1999, avaliou adultos com mais de 60 anos que viviam de forma independente. Os resultados apresentaram relação com a força medida no leg press, o que sustentou o uso do teste como indicador prático de força dos membros inferiores nessa população.

Atualmente, o protocolo faz parte do STEADI, programa do CDC voltado à prevenção de quedas em pessoas idosas. Dentro desse contexto, ele não é utilizado isoladamente: histórico de quedas, medicamentos, equilíbrio, marcha e condições de saúde também precisam ser considerados.

Como o teste oficial é realizado?

O protocolo do CDC utiliza uma cadeira firme, com encosto reto, sem braços e com o assento a cerca de 43 centímetros do chão. A cadeira deve estar estável, preferencialmente apoiada contra uma parede para que não deslize.

A execução segue estes passos:

  1. Sente-se no meio da cadeira.
  2. Mantenha os pés totalmente apoiados no chão.
  3. Cruze os braços sobre o peito, com cada mão no ombro oposto.
  4. Mantenha as costas eretas.
  5. Ao iniciar a contagem, levante-se até ficar completamente em pé.
  6. Volte a se sentar de maneira controlada.
  7. Repita o movimento durante 30 segundos.

Conta-se cada vez que a pessoa chega à posição totalmente ereta. Se o tempo terminar quando ela já passou da metade do último movimento, o protocolo do CDC permite contar essa repetição.

O documento também orienta que alguém permaneça ao lado do participante por segurança. Se a pessoa precisar usar os braços para conseguir levantar, o teste padronizado é interrompido. Isso não significa que ela deva insistir sem apoio: mostra apenas que aquela versão do protocolo não é adequada para ser concluída dessa forma.

O que o movimento avalia?

O resultado depende principalmente da capacidade de produzir força repetidamente com quadris e pernas. Também participam do movimento o controle do tronco, a mobilidade das articulações, a coordenação e a confiança para se levantar sem utilizar as mãos.

Por esse motivo, um resultado baixo não identifica sozinho qual componente está limitando a pessoa. Dor, receio de cair, rigidez, cansaço, dificuldade de equilíbrio e pouca familiaridade com o teste podem reduzir o número de repetições.

Levantar-se da cadeira também tem relação direta com tarefas cotidianas. O fortalecimento muscular pode facilitar ações como sair da cama, subir escadas, carregar compras e levantar de um assento, contribuindo para a manutenção da autonomia.

Existe uma pontuação considerada boa?

Não há um número universal para todas as idades. A tabela do CDC apresenta valores de referência para homens e mulheres entre 60 e 94 anos. No protocolo, resultados abaixo dos seguintes números são classificados como inferiores à média:

IdadeHomensMulheres
60 a 64 anosmenos de 14menos de 12
65 a 69 anosmenos de 12menos de 11
70 a 74 anosmenos de 12menos de 10
75 a 79 anosmenos de 11menos de 10
80 a 84 anosmenos de 10menos de 9
85 a 89 anosmenos de 8menos de 8
90 a 94 anosmenos de 7menos de 4

Esses valores fazem parte de um instrumento de triagem voltado a pessoas idosas. Um resultado abaixo da referência pode indicar a necessidade de uma avaliação mais completa, mas não confirma sozinho fraqueza, fragilidade ou risco inevitável de queda.

As categorias também refletem a população utilizada para criar as referências. Elas não devem ser aplicadas automaticamente a pessoas com deficiência, doenças neurológicas, recuperação de cirurgias, dor importante ou outras condições que alterem o movimento.

Pessoas mais jovens podem fazer o teste?

O movimento pode ser realizado por adultos mais jovens, mas a interpretação precisa utilizar referências apropriadas. Um estudo com pessoas saudáveis de 19 a 35 anos encontrou média de 33 repetições, com grande variação entre os participantes. Esses números não devem ser comparados diretamente com as referências do CDC para pessoas idosas.

Para adultos jovens e treinados, o teste pode não ser difícil o suficiente para representar toda a força das pernas. Ele também não substitui avaliações esportivas específicas, testes de potência ou acompanhamento profissional.

A altura da cadeira muda o resultado?

Sim. Levantar-se de um assento baixo geralmente exige maior amplitude e esforço do que sair de uma cadeira mais alta. Uma pesquisa com pessoas idosas mostrou que a altura do assento influencia o desempenho no teste.

Por isso, comparar resultados obtidos em cadeiras diferentes pode produzir uma impressão equivocada de melhora ou piora. Para acompanhar mudanças ao longo do tempo, devem ser mantidos:

  • a mesma cadeira;
  • a mesma altura do assento;
  • o mesmo tipo de calçado;
  • posição semelhante dos pés;
  • o mesmo modo de contagem;
  • condições parecidas de descanso e saúde.

Também pode existir efeito de aprendizagem. Em um estudo com pessoas que tinham osteoartrite inicial de joelho, os participantes melhoraram entre a primeira e a segunda tentativa apenas pela familiarização com o teste.

É seguro fazer o teste sozinho em casa?

O protocolo foi criado como uma avaliação acompanhada. Quem apresenta instabilidade, histórico recente de queda ou dificuldade para levantar-se não deve testar a própria velocidade sozinho.

Também é melhor buscar orientação antes da tentativa quando houver:

  • tontura ou sensação de desmaio;
  • dor forte nos joelhos, quadris ou coluna;
  • cirurgia ou lesão recente;
  • falta de ar ou dor no peito com pequenos esforços;
  • necessidade habitual de apoio para ficar em pé;
  • fraqueza importante de um lado do corpo;
  • perda de sensibilidade nos pés;
  • medo intenso de cair.

A pessoa não deve usar móveis leves, cadeiras com rodas ou assentos que possam deslizar. O objetivo não é conseguir um número a qualquer custo, mas observar uma capacidade funcional sem criar risco.

Usar as mãos significa que há um problema?

Não necessariamente. Muitas pessoas utilizam os braços por hábito, pela altura do assento ou porque se sentem mais seguras dessa maneira.

O uso das mãos apenas impede a comparação direta com o protocolo padronizado, que exige os braços cruzados. Em um exercício cotidiano, apoiar-se nos braços pode ser a adaptação adequada.

O Ministério da Saúde inclui sentar e levantar da cadeira ou do sofá entre as atividades leves que pessoas idosas podem incorporar à rotina. A progressão deve ocorrer aos poucos e respeitar as condições individuais.

Portanto, quem não consegue realizar a versão sem as mãos não deve continuar tentando até perder o equilíbrio. Um profissional pode começar com um assento mais alto, apoio dos braços ou menor número de repetições.

Como melhorar a capacidade de levantar da cadeira?

O teste não precisa ser repetido diariamente como treino. Para melhorar a função, podem ser utilizados exercícios de força e equilíbrio adequados à condição da pessoa.

Entre as possibilidades estão:

  • sentar e levantar com apoio;
  • agachamento até uma cadeira;
  • elevação dos calcanhares;
  • subida em degraus baixos;
  • exercícios de equilíbrio com suporte próximo;
  • musculação orientada;
  • caminhada associada ao fortalecimento.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que pessoas idosas incluam atividades que trabalhem força e equilíbrio na rotina semanal. O programa deve começar com quantidades pequenas e avançar gradualmente.

A repetição do teste também pode melhorar o número apenas porque a pessoa aprendeu a executá-lo mais rapidamente. Por isso, uma mudança pequena não deve ser interpretada automaticamente como grande ganho de força.

Quando o resultado merece atenção?

Vale procurar avaliação quando levantar-se de uma cadeira se torna progressivamente mais difícil, passa a exigir vários impulsos ou provoca dor, tontura ou perda de equilíbrio.

Outros sinais importantes são quedas recentes, tropeços frequentes, necessidade crescente de apoio e dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples.

O teste de sentar e levantar pode ajudar a iniciar essa conversa. Ele transforma uma tarefa cotidiana em uma observação mensurável, mas seu principal valor não está em disputar o maior número de repetições. O resultado precisa ser interpretado dentro da idade, da saúde, da rotina e das condições em que o movimento foi realizado.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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