Siga o OTD

Basquete

 

Oscar Schmidt, lenda olímpica: uma trajetória de recordes em cinco edições



Oscar é o maior pontuador da história do basquete olímpico, e já foi recordista brasileiro de participações. Relembre sua carreira nos Jogos Olímpicos



Oscar nas Olimpíadas. Basquete do Brasil nos Jogos Olímpicos
FIBA

Maior pontuador da história do basquete olímpico, protagonista de atuações memoráveis e dono de uma longevidade rara em cinco edições dos Jogos, Oscar Schmidt construiu uma trajetória lendária nos Jogos Olímpicos, ainda que marcada pela ausência da medalha que mais desejava. Ícone do esporte mundial, ele era certeza de espetáculo dentro e fora das quadras. Com arremessos certeiros, liderava o Brasil sempre entre as melhores seleções do mundo, batendo vários recordes e mantendo sempre uma personalidade marcante, sem papas na língua.

+ SIGA O OTD NO WHATSAPPYOUTUBETWITTERINSTAGRAMTIK TOK E FACEBOOK

Cestinha por três vezes dos Jogos Olímpicos, em Seul 1988, Barcelona 1992, e Atlanta 1996, ele detém outros recordes olímpicos: é o maior pontuador da história dos Jogos, com 1.093 pontos e é autor da maior pontuação em uma partida olímpica, quando marcou 55 pontos contra a Espanha em 1988. Durante muitos anos, também foi o brasileiro com mais participações olímpicas. Por toda sua trajetória nas Olimpíadas, foi honrado com a Ordem Olímpica em 1997, participou do revezamento da tocha em 2004 e carregou a bandeira olímpica em 2016, quando viu seu sobrinho se tornar campeão olímpico.

É dono de quatro diplomas olímpicos, concedidos aos oito melhores de cada evento (aos seis primeiros entre 1949 e 1980), uma das maiores marcas dentre esportistas brasileiros. No entanto, a medalha olímpica sempre lhe fez falta. Ele nunca fez questão de esconder isso, a partir do momento em que perdeu para os EUA nas quartas de final nas Olimpíadas de Atlanta 1996. Mas nos últimos anos, a memória de uma carreira de sucesso relativizou esse sentimento. “Fiz quase tudo o que quis no basquete, quase tudo… a medalha Olímpica me faz uma falta que você não tem ideia… na cabeça me dá uma ideia de ser um jogador incompleto. Não trocaria a medalha Olímpica pela minha carreira, porque a minha carreira foi bonita”, disse em entrevista ao serviço em língua portuguesa do Olympics.com em 2022. 

Estreia olímpica veio antes da introdução da linha de três

Ainda criança, assistiu ao basquete brasileiro nos Jogos Olímpicos de Munique 1972 e sonhou em estar ali um dia. Logo, ele transformou o sonho em realidade. Após a ausência do Brasil de Montreal 1976, Oscar liderou a seleção brasileira no Campeonato Mundial de 1978, nas Filipinas, conquistando a medalha de bronze. Lá, entrou para o time das estrelas e foi o quinto maior pontuador do torneio, com média de 19 por jogo. Aquela seria a última vez que a seleção brasileira masculina de basquete subiu ao pódio do torneio. 

Voltaria a integrar a seleção do torneio por mais duas vezes: em 1986 e 1990, desta vez sendo o cestinha do torneio, com 277 pontos, uma média de 34.6 pontos por jogo. Ao lado de Wlamir Marques, é o único jogador mundial a compor três vezes este elenco.

Com 22 anos, ele fez a estreia olímpica em Moscou 1980, onde foi o cestinha do Brasil, com 169 pontos. Nas Olimpíadas de Los Angeles 1984, repetiu exatamente a mesma pontuação, mas o time terminou apenas na nona colocação.

É importante ressaltar que na época, ainda não havia a linha de três pontos, que foi introduzida pela Federação Internacional de Basquete (FIBA) em 1984 e presente nos Jogos Olímpicos apenas a partir de 1988. Ou seja, o “Mão Santa” poderia ter acumulado ainda mais pontos em sua carreira olímpica.

Oscar é cestinha de Seul 1988, onde estabeleceu recorde

Após a campanha histórica nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis 1987 e um quarto lugar no Mundial de 1986, a seleção brasileira chegou como candidata ao pódio em Seul 1988. Oscar foi cestinha de todas as oito partidas da equipe nas Olimpíadas, marcando 338 pontos, uma média de 42.3 por jogo, sendo o cestinha do torneio.

Na fase de grupos contra a Espanha, marcou 55 pontos, metade dos 110 do Brasil, embora a equipe tenha perdido por 118 a 110. Essa marca segue como recorde absoluto de um jogador em uma única partida olímpica. Em outro jogo eletrizante naquelas Olimpíadas, contra a União Soviética, Oscar marcou 46 pontos, mas não evitou a derrota para a URSS por 110 a 105.

Para o Olympics.com em 2022, ele disse que mesmo 34 anos depois, ainda pensava em um lance decisivo no fim do jogo que poderia valer a vaga nas semifinais. “Tivemos a grande chance. Era a cesta de empate ou de virada. Eu errei. Não tem um dia na minha vida que eu não pense neste arremesso, juro por Deus”, contou. E completou, pensando que poderia ter alcançado a final olímpica se tivesse vencido aquela partida. ”Se eu coloco aquela bola (contra a União Soviética), a gente ia ganhar o ouro em Seul… foi um lance normal… o Cadum me deu a bola como se dissesse: ‘vai, ganha o jogo’, e eu errei. Devia ter forçado o arremesso de três, muito mais fácil”, completou.

Final de carreira nos anos 1990 e novo recorde em Atlanta 1996

Mesmo com a chegada do Dream Team dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos em Barcelona 1992, Oscar Schmidt voltou a ser o cestinha do torneio. Na Espanha, ele marcou 198 pontos, com o Brasil terminando novamente em quinto lugar. Já afastado da seleção brasileira, foi convencido a retornar para encerrar de vez sua história de sucesso com a camisa do Brasil em Atlanta 1996. Seria então, sua quinta participação olímpica – até então, um recorde para o Time Brasil nas Olimpíadas. 

Foi nos Estados Unidos em que Oscar viveu alguns de seus momentos mais importantes da carreira: quando escolheu não atuar na NBA para defender a seleção brasileira em 1984 e quando ganhou o ouro nos Jogos Pan-Americanos Indianápolis 1987. Um terceiro momento marcante veio em Atlanta 1996,  quando atingiu uma marca inédita. Lá, ele ultrapassou os mil pontos em Jogos Olímpicos, marcando 219 e totalizando 1.093, recorde absoluto que permanece até hoje. 

Após a derrota para os Estados Unidos nas quartas de final, foi elogiado pelos membros do Dream Team e refletiu sobre sua carreira. “Paro porque é o momento, a realidade. O basquete sempre me deu alegria. Só fica uma mágoa: nunca conquistei uma medalha olímpica. Trocaria tudo por uma”, disse Oscar para a imprensa na época. Ao final do torneio, ainda seria o cestinha olímpico pela terceira vez consecutiva.

Cerimônia de Abertura Rio 2016 Oscar bandeira olímpica
Cerimônia de Abertura da Rio 2016 (Foto: FIBA)

Oscar é reconhecido por sua trajetória olímpica, com prêmio do COI, revezamento de tocha e bandeira olímpica

Em julho de 1997, Oscar recebeu a Ordem Olímpica do Comitê Olímpico Internacional (COI), a honraria mais alta do movimento olímpico. “Se tivesse de fazer uma escolha entre todos os prêmios que recebi em minha carreira, escolheria a Ordem Olímpica”, afirmou à Folha de São Paulo na época. ”Uma medalha se conquista pela obstinação. Este colar eu recebi porque a entidade máxima do esporte no mundo achou que eu merecia. É especial”, completou. Na época, ele inclusive era secretário municipal de esportes de São Paulo, mantendo o vínculo com o esporte.

Sua ligação com o esporte e os Jogos Olímpicos não parou por aí. Torcedor declarado do Brasil, suas comemorações efusivas no Pan de 2007 foram alvos de discussões acaloradas. Em 2004, ele participou do revezamento da tocha quando passou pelo Rio de Janeiro. Em 2008, ele participou como comentarista do Grupo Globo nas Olimpíadas. Na Rio 2016 foi um dos portadores da bandeira olímpica durante a Cerimônia de Abertura. 

Nesta edição, aliás, tão especial para o torcedor brasileiro, um dos momentos mais marcantes do Time Brasil foi na verdade uma conquista familiar: seu sobrinho Bruno Schmidt conquistou o ouro. “Foi uma satisfação incrível. A medalha que eu nunca ganhei, ele ganhou para mim”, disse na época ao Superesportes. Em 2019, Oscar recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico. Ainda neste mês, o Comitê Olímpico do Brasil o incluiu no Hall da Fama do COB.

Relembre as campanhas de Oscar nos Jogos Olímpicos 

  • Moscou 1980: 5º lugar; 169 pontos (média de 24.1 por jogo)
  • Los Angeles 1984: 9º lugar; 169 pontos (média de 24.1 por jogo)
  • Seul 1988: 5º lugar; 338 pontos (média de 42.3 por jogo)
  • Barcelona 1992: 5º lugar; 198 pontos (média de 24.8 por jogo)
  • Atlanta 1996: 6º lugar; 219 pontos (média de 27.4 por jogo)

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

Mais em Basquete