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De olho na Copa América, Brasil é convocado para treinamentos

Basquete

José Neto: o “louco” que foi abraçado pelo basquete feminino

“Só deu certo porque as pessoas do basquete feminino ajudaram”, disse José Neto sobre o efeito positivo de sua chegada

(Foto: Alexandre Loureiro/COB)

José Neto: o “louco” que foi abraçado pelo basquete feminino

“O que mais me falaram foi que eu estava louco”. A frase é de José Neto ao descrever a reação de amigos e familiares após ser confirmado como técnico da seleção brasileira feminina de basquete. A situação realmente não era boa. Sem ter se classificado para o último Mundial, sem ganhar um jogo nos Jogos Olímpicos desde 2012 e caindo nas disputas continentais. Após a chegada do treinador, o cenário mudou e Neto é claro ao falar do porquê disso. “A comunidade do basquete feminino abraçou a ideia e veio junto, só assim deu certo”. 

A chegada aconteceu em 2019 com o primeiro desafio batendo à porta. Sem tempo para muitos testes e amistosos, a seleção brasileira de José Neto e companhia iria estrear nos Jogos Pan-Americanos de Lima contra o Canadá, que era o atual campeão. No Peru, as meninas do Brasil conseguiram uma campanha perfeita, cinco jogos e cinco vitórias, conquistando a medalha de ouro depois de 28 anos. Para o treinador, o resultado em quadra só aconteceu por um movimento em conjunto. 

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“Me chamaram de louco por aceitar o desafio, mas o que mais foi importante não foi a minha “loucura”, foi a forma como as pessoas entenderam a minha chegada. Só deu certo porque as pessoas do basquete feminino ajudaram, técnicos, ex-técnicos, LBF (Liga de Basquete Feminino), Confederação, todos, sem exceção, abraçaram. Me ajudaram, remaram para o mesmo lado, as jogadoras com esse suporte passaram a “viver como atletas” em tempo integral e o resultado chegou logo no Pan de Lima”. 

“Ganhou o Pan, mas é o time C dos Estados Unidos”

Mesmo conquistando a medalha de ouro no Peru, a seleção brasileira feminina ouviu comentários sobre o seu desempenho no torneio. Se levarmos em consideração os últimos torneios de âmbito mundial, o Brasil entrou nos Jogos Pan-Americanos de Lima como a quinta força do continente, atrás de Estados Unidos, Canadá, Porto Rico e Argentina, que representaram as Américas no último Campeonato Mundial. 

Seleção Brasileira de basquete
Foto: Alexandre Loureiro/COB

Apesar de voltar ao pódio depois de oito anos e ter a campanha perfeita, um dos primeiros comentários após a conquista do ouro, contra a seleção americana, foi que “ganhou o pan, mas é o time C dos Estados Unidos”. 

“Eu ouvi isso e sinceramente, entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Elas não estavam com a força máxima que poderiam e nós também não. A seleção americana de Lima tinha sete jogadoras que disputaram a última temporada da WNBA, o Brasil não tinha nenhuma, porque a Damiris não foi liberada. Quem fala isso não entende o basquete feminino e prefere ver a nossa conquista como demérito das adversárias e não como mérito das brasileiras”. 

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Nem tudo foram conquistas

Após o ouro marcante, José Neto e a seleção brasileira seguiu em busca do que parecia impossível, que era a vaga na Olimpíada de Tóquio. O caminho começou na Americup, em que as meninas do Brasil voltaram a figurar entre as três melhores equipes do continente e se garantiram no Pré-Olímpico das Américas. 

Nele, as comandadas de José Neto venceram Colômbia e Argentina e acabaram superadas pelos Estados Unidos. Desta maneira, a seleção brasileira se garantiu na última “etapa” para a Olimpíada, o Pré-Olímpico mundial. Na competição, a chave do Brasil contava com Porto Rico, França, que era dona da casa, e Austrália. 

Na disputa, três das quatro seleções na chave se classificariam para Tóquio e o Brasil ficou de fora. Com derrotas em sequência o “sonho do impossível” acabou ruindo na última fase. Sobre as derrotas na França, José Neto não tem meias palavras. 

França x Brasil - Pré-Olímpico de basquete feminino
(Foto: Divulgação/CBB)

“Poderia te falar vários motivos que nos fizeram perder a vaga, 98% do jogo ganho contra Porto Rico, lesão das pivôs, mudança do esquema de jogo, tudo pode ser motivo. Doeu muito não conseguir, mas não veio. Todos nós aprendemos algo na França, eu entendi que o Brasil precisa ser mais consistente e aprendemos a jogar para vencer durante os 40 minutos. O pré-olímpico mundial fez a gente aprender na dor”. 

O ciclo terá cinco anos 

Sem a vaga em Tóquio, os planos seguiram. José Neto teve o contrato com a seleção brasileira de basquete renovado pela CBB (Confederação Brasileira de Basquete) e já pensa no futuro. “O Brasil precisa voltar a jogar o Mundial, isso precisa e vamos fazer de tudo para que aconteça. Me incomoda o fato de a competição só classificar 12 seleções, mas eu penso que existem 11 vagas, uma é nossa. Somos um de três países que ainda existem no mundo que conquistou o mundial, se foi feito lá atrás pode ser feito de novo”. 

O técnico José Neto comanda a seleção brasileira de basquete feminino (Crédito: Fiba)

Olhando um pouco mais para a frente, visando Paris 2024, José Neto tenta ver o atual cenário do mundo da forma mais positiva possível. O adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio fez com que o Brasil, mesmo fora da Olimpíada, conseguisse “ganhar” tempo. 

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“O ciclo de Paris 2024 das seleções que estão em Tóquio terá três anos por conta do adiamento, de 2020 para 2021. O ciclo do Brasil para Paris terá cinco anos, porque eu cheguei em 2019. Acredito em trabalhos de médio e longo prazo com ações imediatas. Conseguimos melhorar as coisas logo na chegada e conquistar o Pan de Lima com a ajuda de todos e todos acreditando. 2024, para mim, está perto mas é possível buscar coisas melhora até lá”, finalizou o técnico. 

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