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Atletismo

Ana Azevedo desabafa sobre falta de treinos no revezamento

Velocista diz que revezamento “merece respeito” e que não houve confiança na equipe para conquistar vaga olímpica

Ana Azevedo recebendo passagem de bastão de Vitória Rosa no revezamento 4x100m feminino
(Foto: Wagner Carmo/CBAt)

A velocista Ana Carolina Azevedo atribuiu a não conquista da vaga olímpica do revezamento 4x100m feminino brasileiro à falta de investimentos na equipe. Em entrevista após a conquista da medalha de ouro no Campeonato Ibero-Americano de Atletismo, neste domingo (12), ela fez um desabafo sobre a falta de treinos conjuntos entre as atletas para aumentar o entrosamento do quarteto.

“Minha avaliação como um todo é que o tempo não foi tão bom. Poderia ter sido melhor se a gente tivesse um investimento certo como o masculino teve e como todo revezamento merece respeito. Nós treinamos três dias, o que não ajuda em nada. Você precisa estar confiante na sua parceira, precisa estar confiante na passagem. A gente fez passagens pequenas, sendo que podemos trabalhar isso melhor”, disse Ana Azevedo.

“Estamos com uma safra de velocidade muito boa, a melhor que já teve no Brasil. Falta investimento no revezamento feminino e falta confiar mais na gente. Por que se eles não confiam na gente, como a gente vai confiar em nós mesmas?”, questionou. “Nós moramos longe umas das outras. Se a gente pudesse aproveitar melhor a nossa velocidade, ter mais tempo e mais troca entre a gente, teria sido perfeito. Falta o treino e um incentivo a mais”.

Pódio do revezamento 4x100m masculino no Ibero-Americano de Atletismo
(Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Ana Azevedo esteve ao lado de Gabriela Mourão, Lorraine Martins e Vitória Rosa durante o Mundial de Revezamentos, que aconteceu em Bahamas, na última semana. A competição serviu de classificação para os Jogos Olímpicos de Paris-2024, dando vaga para 14 equipes em cada prova. O 4x100m feminino ficou em quinto lugar na eliminatória e na repescagem e não conseguiu classificar-se.

Colegas concordam

Os demais revezamentos brasileiros, aliás, também tiveram um mau desempenho, com exceção ao 4x400m masculino, que foi o único a pegar a vaga olímpica. Das cinco equipes que foram ao Mundial, somente o 4x100m masculino teve a oportunidade de fazer um camping de treinos de mais de um mês, na Flórida. As outras equipes tiveram apenas poucos dias de treinos antes de embarcarem para Nassau.

“A gente não conseguiu treinar, só tivemos de fato um treino de passagem. As outras passagens que fizemos foi aquecendo no Mundial. Faltou isso pra ficarmos seguras. Não que a gente não confie uma na outra, mas sabíamos que precisaríamos de mais tempo. Geralmente, fazemos passagem no final de zona e tivemos que fazer no começo ou no meio para o bastão não escapar e acabar queimando”, falou Lorraine Martins.

Ainda nesta semana, Rosângela Santos, medalhista de bronze em Pequim-2008 com o revezamento 4x100m feminino, já havia criticado a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) pela falta de atenção com as demais equipes além do 4x100m masculino. “Algo precisa ser mudado urgentemente para que mais atletas não sejam prejudicados. Tem muita coisa errada”, falou em live no Instagram.

Sonho com vaga olímpica

Vitória Rosa correndo no Ibero-Americano de Atletismo
(Foto: Wagner Carmo/CBAt)

Depois de não conseguir a vaga olímpica no Mundial de Revezamentos, as brasileiras podem lutar pela vaga através do ranking mundial. Para isso, elas precisam ter um dos dois melhores tempos do ciclo entre as equipes ainda não classificadas. Hoje, a última classificada é a China, com 43s03. As brasileiras levaram o ouro no Ibero-Americano, mas com 43s54, marca acima dos 43s46 feitos pelo time verde-amarelo no Mundial de Budapeste.

“Foi pouco tempo de ajuste. É claro que não tivemos o mesmo investimento que os meninos tiveram, mas pensando pelo outro lado, eu observo que isto fez a gente crescer muito na prova, vindo encaixando e crescendo um pouco mais. Acho que se tivéssemos um pouco mais de competição, estaríamos melhorando devagarinho, aos poucos. Nós já estamos trabalhando em equipe, mas também falta do outro lado”, concluiu Vitória Rosa.

Paulistano de 22 anos. Jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Estou no Olimpíada Todo Dia desde 2022. Cobri os Jogos Mundiais Universitários de Chengdu e os Jogos Pan-Americanos de Santiago-2023.

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