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Paralimpíada

Jane Karla e sua incansável busca pelo pódio paralímpico

Após superar poliomelite na infância, um câncer, a morte da mãe, Jane Karla mudou de esporte, mas mantém o foco de alcançar em Tóquio a sonhada medalha paralímpica

Jane Karla teve polimomelite na infância e só conheceu o paradesporto aos 28 anos. Escolheu o tênis de mesa, teve sucesso, foi bicampeã dos Jogos Parapan-americanos e disputou duas Paralimpíadas. No meio do caminho, perdeu a mãe e superou um câncer. Depois, teve que trocar a raquete pelo tiro com arco, mas não desistiu do sonho e continuou a brilhar. Levou mais um ouro parapan-americano, participou dos Jogos do Rio de Janeiro em 2016 e tem o objetivo de alcançar em Tóquio 2020 o sonhado pódio paralímpico.

Daniel Zappe/CPB/MPIX”

“A gente nunca pode desistir do nosso sonho e  tem que saber que, se não der de um jeito, pode tentar de outro, tenta seguir o caminho que você quer porque de alguma forma o nosso universo vai chegar naquilo para você”, diz a atleta, que atualmente é quinta colocada no ranking do arco composto paralímpico e se prepara para disputar no começo de junho o Mundial da modalidade.

Hoje, Jane Karla vive com a família em Portugal, onde defende o Sporting de Lisboa. A atleta agradece ao esporte a tudo o que conseguiu na vida. “Tudo quem me deu foi o esporte. Não é nada além do esporte. Se voltar lá no inpicio, quando eu tive a poliomelite, o que seria de você Jane? E olha só: atleta com muito resultado e, se Deus quiser, quero brilhar muito mais e trazer mais resultado ainda para o nosso país”, afirma.

E não foram poucas as dificuldades que ela teve que superar. Filha de uma empregada doméstica, Jane Karla descobriu a polimomelite (paralisia infantil) quando tinha apenas três anos de idade. “A doença atingiu a parte da C7 na coluna até os membros inferiores. Então, eu perdi muitos movimentos”, se lembra. Mas ela contou com a força e dedicação da mãe para se recuperar.

“Quando eu nasci, meu pai abandonou a gente. Minha mãe, mãe solteira, foi uma grande guerreira porque ela abdicou de tudo para ficar do meu lado. Eu tinha muito problema porque precisava de fisioterapia e ela encontrou uma fisioterapeuta que ensinou para ela como fazer para recuperar os movimentos que poderiam ser recuperados. Ela aprendeu a fazer a fisioterapia e, naqueles momentos do trabalho de doméstica, ela tirava um tempinho e ia lá, fazia os exercícios comigo. Então, foi assim a grande dedicação dela para que eu voltasse a ter os movimentos que eu perdi”, conta Jane toda orgulhosa.

Mas o esporte demorou a chegada na vida de Jane. Com parte dos movimentos de volta, ela teve uma vida normal, se casou, teve filhos, mas só aos 28 anos foi apresentada ao esporte paralímpico. “Cresci sem achar que um dia eu praticaria esportes. Quando eu casei, tive filhos, descobri o esporte pela primeira vez. Foi pela Associação do Deficiente Físico e eles chamaram os associados para conhecer o esporte. Chegando lá, eu fiz basquete, vôlei sentado, tinham vários outros tipos de esporte. Aí cheguei no tênis de mesa. Eu brinco com todo mundo que foi amor à primeira raquetada”, se diverte.

“Eu vi que o esporte paralímpico não é um esporte social. Ele é alto rendimento. Ele é garra, é vontade e eu vi os atletas com deficiência super fortes lá lutando e você via que estavam muito bem preparados. Eu falei: ‘gente, é isso que eu quero’. E o próximo Parapan eu quero estar participando e vou garantir a vaga para a próxima Paralimpíada”. Dito e feito! Jane Karla disputou os Jogos Parapan-americanos do Rio de Janeiro e carimbou o passaporte para Pequim 2008. “Eu treinei muito, treinei muito, treinei muito e garanti a vaga para o Parapan do Rio e me chamaram também para conduzir a tocha em Goiás. E lá eu fui duas medalhas de ouro e me classifiquei para Pequim”.

Nos Jogos Paralímpicos de 2008, Jane Karla ficou perto do pódio, mas voltou da China com um quinto lugar. Mas ela queria mais. “Terminava um ciclo , eu já começava a me programar para o próximo”. Ela só não contava que a pior fase da vida dela estava prestes a começar. “Tinha me classificado para o Mundial da Coreia, que ia ser em 2010, e nesse período aconteceu a situação mais complicada da minha vida. Foi a descoberta do câncer de mama da minha mãe e depois de uns quatro meses eu descobri que eu estava também. O chão abriu ali. Ela já estava passando uma situação complicada com quimioterapia e tudo. Estava com a sensação mais fraca e eu ter que dar essa notícia para ela foi difícil. Não foi fácil. Então, eu sempre tentei mostrar para ela que eu estava forte e que eu estava tranquila porque tudo ia passar para incentivar ela”

Jane Karla conseguiu se recuperar, mas a mãe não teve a mesma sorte. “Minha mãe é uma grande guerreira. Ela lutou muito. Foi um ano de tratamento muito forte. Ela recuperou, mas o câncer voltou muito forte no cérebro e aí não teve mais jeito. Ela não resistiu”, conta emocionada.

Foi difícil voltar ao esporte, mas ela conseguiu. “Ela tem uma força e uma determinação bem mais do que o normal”, acredita Joachim Gogel, técnico alemão de tênis de mesa, atual marido de Jane. Com o tempo que ficou afastada do esporte para se tratar, a brasileira não tinha ranking para ir à Paralimpíada de Londres. Sua única chance era vencer os Jogos Parapan-americanos de 2011 em Guadalajara. E foi o que ela fez! Medalha de ouro no peito e vaga garantida para os Jogos de 2012.

Em Londres, Jane repetiu o resultado de Pequim e ficou em quinto lugar, adiando mais uma vez o sonho de subir no pódio. Mas, ela já estava de olho na Rio 2016, quando recebeu a notícia de que teria que se mudar de Goiás, onde morava com a família, para continuar na Seleção Brasileira. Depois de tudo o que tinha passado, ela não queria ficar longe de Joachim e dos dois filhos.

“O tênis de mesa foi uma grande paixão, meu esporte de coração, mas no momento que eles falaram que eu tinha que deixar a minha família e ir para outra cidade para mim pesou muito. Então, por amor à família, eu falei não vou, mas eu vou procurar um esporte que eu vou fazer aqui em Goiás e vou garantir essa vaga para a Olimpíada de novo”, conta.

Obstinada, Jane Karla experimentou a esgrima em cadeira de rodas, gostou, mas teria que ir para o sul do país se quisesse se juntar à Seleção Brasileira. Desistiu! Mas, pouco depois, encontrou em Goiás o tiro com arco paralímpico. “Tiro com arco. Nunca vi esse esporte, mas vou lá experimentar. Atirei, não acertei quase nada no alvo, mas senti que era esse esporte que eu ia fazer”.

A mudança aconteceu no começo de 2015 e Jane Karla contou com o apoio incondicional de Joachim Gogel, que a treinava no tênis de mesa e começou a estudar tiro com arco para ajudar o desenvolvimento da mulher na modalidade. Os resultados não demoraram e Jane conseguiu se classificar para os Jogos Parapan-americanos daquele mesmo ano em Toronto. Não só garantiu a vaga como voltou do Canadá com a medalha de ouro no peito.

“Acho que é muito difícil ter um atleta que mude de esporte desse jeito tão rápido e conseguir medalha em dois Parapans diferentes. Consegui no tênis de mesa e depois no tiro com arco, duas modalidades diferentes”, se orgulha.

Com a medalha de ouro, Jane Karla conseguiu também um lugar para disputar a Paralimpíada do Rio de Janeiro. Faltou pouco, outra vez, para chegar na medalha. Depois de ficar em terceiro na qualificação, Jane venceu duas fases eliminatórias, chegou às quartas de final e acabou eliminada por apenas dois pontos pela chinesa Lin Yueshan (141 a 139), adiando de novo o sonho, outra vez com um quinto lugar.

Mas era apenas o segundo ano de Jane Karla no novo esporte. De lá para cá, a brasileira evoluiu. Em 2018, chegou a liderar o ranking mundial, lista em que aparece atualmente em quinto lugar. Ela está entre as melhores do mundo e sabe que em Tóquio 2020, aos 44 anos, terá a grande chance de, enfim, realizar o sonho do qual ela nunca desisitiu. “Na primeira Olimpíada, foi tudo novo e agora estou mais experiente e que essa experiência me ajude a trazer essa medalha”, deseja.

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