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Olimpíada

Clubes olímpicos exigem participação nas decisões do COB

COB muda estatuto em assembleia e revê participação de atletas
Depois de publicarem carta aberta, clubes olímpicos organizam coletiva de imprensa, no Rio de Janeiro, por voz ativa no COB.

No início do mês de dezembro, dez dos principais clubes olímpicos do Brasil divulgaram uma carta aberta na qual cobram participação nas decisões do Comitê Olímpico (COB). Agora, nesta quarta-feira (20), no Rio de Janeiro, as agremiações esportivas organizarão uma coletiva de imprensa para cobrar voz ativa na entidade máxima do esporte nacional.

Dez tradicionais clubes do país estão na jogada. São eles: Club Athletico Paulistano (SP), Clube de Regatas do Flamengo (RJ), Esporte Clube Pinheiros (SP), Minas Tênis Clube (MG), Clube Curitibano (PR), Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral (ES), Grêmio Náutico União (RS), Hebraica São Paulo (SP), Sociedade de Ginástica Porto Alegre/Sogipa (RS) e Sport Club Corinthians Paulista (SP).

A principal requisição dos clubes é destinação das duas vagas de membros independentes a representantes de clubes olímpicos. Além disso, as entidades ainda propuseram outras mudanças, tais como a diferenciação entre clube social e clube olímpico e também um maior critério para a eleição de dirigentes com poder de voto.

Parece que as federações apoiam os clubes. Pelo menos é o que acontece na LNB. O presidente João Fernando Rossi, que vê quatro dos times do NBB no pedido, comentou: “o primeiro entendimento da Liga Nacional de Basquete foi reconhecer a sua razão de ser que são os clubes. São eles que formam jogadores, montam as equipes, participam das competições e oferecem o espetáculo para todos os públicos. Esta percepção de quem está na base da pirâmide do esporte brasileiro é o que fez o sucesso da LNB como modelo de gestão e participação. A LNB deseja que seus filiados e demais Clubes do Brasil encontrem junto com o comitê Olímpico Brasileiro a melhor forma de serem representados”.

A proposta foi apresentada  à Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados e encaminhada à Comissão Estatuinte, que estuda as mudanças do Estatuto do COB.

Confira a carta aberta dos clubes na íntegra:

Diante dos recentes escândalos de corrupção, envolvendo o Comitê Olímpico do Brasil (COB), mudanças são imperativas para a correção de rumos e a retomada do desenvolvimento do esporte nacional. Nesse sentido, representantes de dez dos principais clubes olímpicos do país – Club Athletico Paulistano (SP), Clube Curitibano (PR), Clube de Natação e Regatas Álvares Cabral (ES), Clube de Regatas do Flamengo (RJ), Esporte Clube Pinheiros (SP), Grêmio Náutico União (RS), Hebraica São Paulo (SP), Minas Tênis Clube (MG), Sociedade de Ginástica Porto Alegre/Sogipa (RS), Sport Club Corinthians Paulista (SP) – tornam pública a proposta apresentada à Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados e encaminhada oficialmente à Comissão Estatuinte do Comitê Olímpico do Brasil que estuda mudanças no Estatuto do COB.

 Nossa proposta inclui: 1) destinação para representantes de clubes olímpicos das duas vagas de ‘membros independentes’ (até por que não está claro de que ou de quem esses membros seriam independentes); 2) conceituação diferenciada de clubes olímpicos e clubes sociais, sendo “clubes olímpicos, para a finalidade de preenchimento das vagas do Conselho de Administração, aqueles que tiveram, ao longo dos dois últimos ciclos olímpicos, no mínimo três modalidades olímpicas e atletas participando dos dois últimos jogos olímpicos”; 3) que os representantes dos clubes olímpicos sejam atuais ou ex-dirigentes dos clubes olímpicos que tenham exercido função, estatutária ou não, por no mínimo dois anos.

 É fato que os clubes possuem entidades próprias de representação, como o Comitê Brasileiro de Clubes (CBC). Mas, é fato também que essas entidades atuam em outras áreas, como a formação de gestores, o intercâmbio de experiências corporativas, a integração das agremiações e o fomento ao esporte de base.

Sendo assim, enfatizamos a legitimidade da nossa proposta, uma vez que ela poderá corrigir uma falha grave que persiste há décadas: o alijamento dos clubes olímpicos da gestão do esporte de alto rendimento no Brasil, contrariando a própria lei esportiva (Lei nº 9.615/1998 e suas posteriores modificações), que coloca os clubes, assim como o COB, as federações, confederações, atletas, como membros integrantes do Sistema Nacional do Desporto, encarregados da coordenação, administração, normatização, apoio e prática do desporto.

 Deve ser lembrado, também, que o sistema confederado hoje existente no Brasil passa, obrigatoriamente, pelos clubes, na medida em que atletas se filiam a um clube, que se filia à federação, que se filia a confederação, que, por sua vez, é membro do COB.

Concluindo, acreditamos que, para atingirmos a adequada governança do esporte olímpico brasileiro, é vital a participação de atletas, clubes, federações, CBC, confederações e COB. Manter os clubes olímpicos fora do COB é negar voz, voto e direito a um dos principais “players’ do movimento olímpico, aos quais, até agora, somente foram dadas obrigações. É tempo de se reconhecer a relevância dos clubes no desenvolvimento esportivo do país, pois são eles, efetivamente, os responsáveis por formar, treinar, cuidar e manter os atletas olímpicos, muitas vezes utilizando recursos próprios

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