O Brasil inicia o Campeonato Sul-Americano 2026 de vôlei feminino com a missão de buscar a vaga olímpica para Los Angeles-2028, mas sem espaço para clima de favoritismo. Às vésperas da estreia, o técnico Zé Roberto Guimarães adotou tom de alerta, valorizou a evolução das seleções do continente e reforçou que a competição exige concentração máxima da equipe brasileira.
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Para Zé Roberto, o peso da vaga olímpica muda o nível de exigência do torneio. O treinador afirmou que o Sul-Americano “não te deixa abaixar a guarda” e destacou que, quando há uma classificação olímpica em disputa, é preciso buscar o melhor desempenho possível em todos os jogos. “Se você sabe que você tem a vaga olímpica pra ser disputada, você tem que tentar fazer o melhor possível pra tentar o melhor resultado possível”, disse o treinador à reportagem do Olimpíada Todo Dia (OTD).
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O técnico também evitou tratar o Brasil como favorito absoluto. Segundo ele, os rivais sul-americanos cresceram e merecem respeito. Zé Roberto citou a evolução de seleções como Colômbia, do treinador brasileiro Guilherme Schmitz, Argentina, Chile, Venezuela e Peru, lembrando também o trabalho do compatriota Antônio Rizolla no comando peruano. “Acho que a América do Sul está crescendo. E a disputa vai ser interessante, porque não pensa que o Brasil é favorito. Eu acho que vamos ter que correr e muito. Para poder tentar essa vaga para a Olimpíada de 2028”, afirmou o treinador.
Gabi volta como referência
Uma das principais novidades do Brasil para o Sul-Americano é o retorno de Gabi. Fora da campanha da Liga das Nações por lesão na lombar, a ponteira volta ao grupo como uma das referências técnicas e de liderança da seleção. Zé Roberto foi direto ao falar da importância da capitã para o time.
“A Gabi é a nossa líder, é uma das melhores jogadoras do mundo na posição”, afirmou o treinador. Ele também avaliou que a ausência dela na VNL impediu o Brasil de medir seu nível máximo contra as principais seleções do mundo. Para Zé Roberto, com Gabi em quadra, a seleção poderia ter buscado uma posição ainda melhor na competição.
O técnico lembrou que o Brasil não esteve completo na VNL. Além de Gabi, Zé Roberto citou a ausência de Nyeme e a contusão de Julia Kudiess como fatores que limitaram uma avaliação mais precisa do grupo. “Eu acho que isso seria um grande parâmetro pra gente planejar o futuro. Mas se Deus quiser, um ano que vem a gente vai conseguir isso”, completou.
Vivian e Sabrina sobem da Seleção B
Zé Roberto também explicou as mudanças no elenco para o Sul-Americano. Vivian e Sabrina, que estavam na Seleção B, foram integradas ao grupo principal. Vivian entrou no lugar de Macris, que engravidou, enquanto Sabrina foi chamada para a vaga de Kisy.
O treinador valorizou o funcionamento da Seleção B dentro do planejamento da comissão técnica. Para ele, o projeto aproximou jogadoras do grupo principal e criou um caminho mais rápido de transição em caso de necessidade. “A Seleção B esse ano foi uma das melhores coisas que a gente fez. Porque a Seleção B esteve muito próxima da Seleção A”, afirmou.
Segundo Zé Roberto, as levantadoras Vivian, Kênia e Bruninha estavam entre as atletas que participaram da rotina da Seleção B, viajaram para a França, fizeram amistosos contra a Bélgica e também treinaram em Saquarema com o grupo principal. A ideia, de acordo com o técnico, era manter as jogadoras observadas e preparadas para uma possível promoção.
“Na seleção B, elas estão correndo atrás e sendo vistas, podendo ter trocas da B para a A e da A para a B. Isso fez fazer parte do nosso planejamento”, disse Zé Roberto. O técnico afirmou que foi exatamente esse processo que permitiu a chegada de Vivian ao elenco principal após a notícia da gravidez de Macris.
Integração rápida no grupo principal
Mesmo com mudanças recentes, Zé Roberto avaliou que as novas convocadas chegaram bem ao ambiente da Seleção A. O treinador afirmou que a preparação seguiu a mesma linha do trabalho feito anteriormente e destacou a adaptação das atletas ao ritmo, à velocidade, à atitude e à regularidade cobradas pela comissão técnica.
Para o técnico, manter a Seleção B mais próxima amplia as opções da comissão e ajuda a formar um elenco mais forte pensando no ciclo olímpico. Zé Roberto ressaltou que, em caso de classificação para Los Angeles-2028, o Brasil precisará ter o melhor grupo possível para disputar os Jogos.
Assim, o Brasil chega ao Sul-Americano com Gabi de volta, Vivian e Sabrina integradas ao grupo principal e um discurso do treinador de atenção total. A meta é conquistar a vaga olímpica, mas, nas palavras de Zé Roberto, a seleção terá que “correr e muito” para cumprir o objetivo.



