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Velasco busca “Brasil de 70” na Itália ao testar Antropova como ponteira



Técnico italiano explicou ao OTD a experiência com a oposta na entrada de rede e comparou a ideia a uma tentativa de aproveitar melhor os recursos do elenco



Seleção italiana pode ter Egonu e Antropova juntas depois dos testes que Julio Velasco está fazendo na VNL
Seleção italiana pode ter Egonu e Antropova juntas depois dos testes que Julio Velasco está fazendo na VNL (Volleyball World)

Julio Velasco está tentando resolver um problema que todo técnico gostaria de ter: como colocar mais talento em quadra ao mesmo tempo. Na seleção italiana feminina, isso passa por uma experiência que chama atenção na VNL 2026: a utilização de Ekaterina Antropova como ponteira, e não apenas como oposta.

A comparação é ousada, mas ajuda a explicar a ideia. Assim como a seleção brasileira de futebol de 1970 precisou encontrar espaço para vários jogadores de criação no mesmo time, Velasco tenta descobrir uma forma de aproveitar melhor o excesso de força ofensiva da Itália. O movimento com Antropova pode abrir caminho, no futuro, para uma equipe com duas opostas de elite em quadra: ela e Paola Egonu.

Questionado pelo Olimpíada Todo Dia sobre a semelhança com o Brasil de 1970, Velasco evitou aumentar demais a analogia, mas admitiu que a lógica passa por usar da melhor forma possível os recursos disponíveis. “O time de 70 acho que foi o melhor da história do futebol. É uma comparação grande demais. Mas tentamos utilizar os recursos que temos da melhor forma possível. Vamos ver se esse experimento funciona. Se funcionar, ela vai seguir nessa posição. Se não, voltará ao posto que tinha, que já é muito bom”, afirmou Velasco.

Antropova ainda busca adaptação

A própria jogadora admitiu ao Olimpíada Todo Dia que ainda não se sente totalmente confortável como ponteira. Ao mesmo tempo, vê a VNL como uma boa oportunidade para testar, treinar e evoluir na nova função. “Por enquanto, ainda não muito. Mas este é um ótimo momento para treinar, ver e melhorar. Sou muito grata ao meu time, porque elas têm me ajudado. Para elas também, a recepção não é tão fácil, e eu tento melhorar a cada jogo. Vamos ver o que vai acontecer”, disse Antropova.

Questionada se acredita que seguirá como ponteira nas próximas semanas, a italiana foi direta: “Sim”, respondeu.

Velasco vê força no ataque, saque e bloqueio

Velasco explicou que Antropova tem características para cumprir a função, mas ainda passa por um processo de adaptação. O principal ajuste está no bloqueio, já que a movimentação muda bastante de uma posição para outra. “É uma jogadora muito forte no ataque, no saque e também no bloqueio. No bloqueio, precisa se acostumar a bloquear na posição 4, porque sempre bloqueou na posição 2, à direita da quadra. Mas é uma jogadora com grande capacidade de adaptação. Faz muito pouco tempo que está fazendo isso”, disse o treinador.

A posição 4 é a entrada de rede. Já a posição 2 é a saída, onde as opostas costumam atuar. Por isso, a mudança exige novos tempos de bloqueio, leitura de ataque adversário e deslocamentos diferentes.

Poupada antes de enfrentar o Brasil

Velasco também explicou por que Antropova foi poupada no jogo anterior da Itália. Segundo o treinador, a jogadora vinha com alto desgaste justamente por estar atuando em uma função nova. “Hoje deixei ela descansar porque vem jogando muito e tem muito desgaste jogando em um papel ao qual não está acostumada. Mas amanhã, seguramente, vamos usá-la”, afirmou.

Com isso, Antropova deve ser uma das atrações do duelo entre Brasil e Itália, neste domingo, às 14h30, no Ginásio Nilson Nelson, em Brasília. A partida encerra a primeira semana da VNL feminina para as duas seleções.

Egonu não está em Brasília, mas plano chama atenção

Paola Egonu não disputa esta primeira etapa da VNL em Brasília. Ainda assim, o teste com Antropova como ponteira chama atenção justamente pelo que pode representar para o futuro da Itália. Caso a adaptação funcione, Velasco ganha uma alternativa para colocar duas das jogadoras mais fortes do elenco em quadra ao mesmo tempo.

A seleção italiana chega à partida contra o Brasil como atual campeã olímpica, mundial e da Liga das Nações. Mesmo com um grupo mais jovem nesta etapa, a equipe segue como uma das principais forças do vôlei mundial.

Brasil terá teste de alto nível

O Brasil entra em quadra invicto na VNL 2026. A seleção de José Roberto Guimarães venceu Holanda e República Dominicana por 3 sets a 1 e passou pela Bulgária por 3 sets a 0. Agora, terá o principal desafio da semana contra a Itália.

Depois da vitória sobre a Bulgária, Zé Roberto afirmou que enfrentar a Itália será uma “prova de fogo” para a seleção brasileira. Para ele, a equipe italiana vai testar os pontos fracos do Brasil e trazer informações importantes para a sequência da temporada.

A cobertura da VNL 2026 no Olimpíada Todo Dia é feita em colaboração com a Volleyball World. Para assistir a todos os jogos da Liga das Nações ao vivo, acesse a VBTV pelo link subscribe.volleyballworld.com e use o cupom 10OLIMPIADA para garantir desconto na assinatura.

Serviço — Brasil x Itália

Competição: VNL feminina 2026
Jogo: Brasil x Itália
Data: 7 de junho, domingo
Horário: 14h30
Local: Ginásio Nilson Nelson, em Brasília
Transmissão: TV Globo, Sportv 2, Globoplay, GE TV e VBTV
Live OTD: pré-jogo, comentários em tempo real e pós-jogo no Olimpíada Todo Dia

Paulista em terras mineiras. Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais. Apaixonado por esportes.

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