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Nyeme, Natinha ou Marcelle: quem deve ser a líbero titular do Brasil?



As defensoras Nyeme, Natinha e Marcelle chegam ao segundo ano do ciclo olímpico de Los Angeles-2028 em alto nível, com desempenhos e números expressivos tanto com a camisa do Brasil quanto na última edição da Superliga



Nyeme, Natinha e Marcelle são as líberos convocadas por Zé Roberto para a temporada de 2026 da seleção brasileira (Fotos: FIVB/Divulgação)
Nyeme, Natinha e Marcelle são as líberos convocadas por Zé Roberto para a temporada de 2026 da seleção brasileira (Fotos: FIVB/Divulgação)

Se existe uma posição em que a seleção brasileira feminina de vôlei parece extremamente bem servida para a Liga das Nações (VNL) de 2026, é a das líberos. As defensoras Nyeme, Natinha e Marcelle chegam ao segundo ano do ciclo olímpico de Los Angeles-2028 em altíssimo nível, acumulando desempenhos e números expressivos tanto com a camisa do Brasil quanto na última edição da Superliga. E, justamente por isso, a disputa pela titularidade promete ser uma das mais interessantes da temporada e fará com que o técnico José Roberto Guimarães tenha que tomar uma decisão difícil.

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As três atletas possuem características diferentes, mas entregam segurança em aspectos essenciais para as exigências da posição no vôlei moderno: defesa, recepção e regularidade. Em comum, as defensoras carregam o fato de serem referências absolutas no cenário nacional e convocações incontestáveis. Além disso, elas são nomes com enorme potencial para figurarem entre as melhores da função em âmbito internacional. O fato é que o Brasil conta com três líberos de excelência brigando por espaço. E aí fica a pergunta: quem seria a sua titular na seleção brasileira? A minha escolhida é a Nyeme!

Por que Nyeme é a minha preferida?

Nyeme atuou como titular nos Jogos Olímpicos de Paris-2024
Nyeme atuou como titular nos Jogos Olímpicos de Paris-2024 (Foto: FIVB/Divulgação)

Nyeme, atleta do Gerdau Minas, talvez seja hoje a jogadora mais consolidada defensivamente entre as três. A líbero terminou a Superliga 2025/26 com o passe mais eficiente da competição, alcançando impressionantes 75,3% de eficiência na recepção. Além disso, de acordo com as súmulas das partidas disponibilizadas no site da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), ela somou 359 defesas em 26 partidas, média de 13,80 por jogo. Mas o principal argumento a favor dela aparece quando o recorte é feito com a camisa da seleção brasileira.

Titular nas campanhas da VNL de 2022, VNL de 2024 e dos Jogos Olímpicos de Paris-2024, Nyeme entregou números de elite mundial. No megaevento realizado na capital francesa, a maranhense de Barra do Corda terminou com a melhor recepção, com 90 passes perfeitos e apenas cinco erros. Para completar, ela também ficou na segunda colocação em defesas, com média de 14,50 bolas recuperadas por partida, um total de 87 ações perfeitas. Na última Liga das Nações que disputou, há dois anos, ela fechou como a segunda melhor defensora, com 167 bolas recuperadas, média de 11,13 por jogo.

Além disso, Nyeme ficou em sétimo na recepção com 80 passes perfeitos e 34,93% de eficiência. Em 2025, ela não atuou pelo Brasil porque havia acabado de ser mãe, já que sua filha Antonella nasceu no dia 2 de maio. Para completar, a maranhense de 27 anos tem uma qualidade específica que suas rivais não possuem: a capacidade de atuar como levantadora em momentos de passe quebrado e distante das mãos das especialistas na função (Roberta e Macris), diferencial para manter o ataque veloz e não tão previsível com bolas mais altas.

Virtudes de Natinha e Marcelle

Líbero do Dentil Praia Clube em 2025/26, campeã da Superliga, Natinha chega para a temporada de seleções como uma das jogadoras mais confiantes do vôlei brasileiro. A defensora paulista, nascida em Guarulhos, terminou a última competição nacional como a quinta melhor passadora, com 65,9% de eficiência, além de 363 defesas em 28 partidas, média de 12,96 por jogo. Com o Brasil, a atleta de 29 anos teve protagonismo principalmente na VNL de 2023. Na ocasião, ela atuou como titular da equipe na maior parte do tempo, colocando Nyeme no banco de reservas.

Naquela edição, Natinha também terminou como a 32ª melhor defensora e a 18ª melhor recebedora da Liga das Nações. Mesmo quando não aparece liderando rankings, a líbero costuma agregar com bastante intensidade emocional, liderança e energia competitiva. Já Marcelle talvez seja, na atualidade, a jogadora que mais cresce entre as três. Aos 24 anos, a líbero terminou a Superliga com números absurdos no sistema defensivo: foram 401 defesas em apenas 23 jogos pelo Fluminense, média impressionante de 17,43 por partida — a maior entre as concorrentes.

Quando teve oportunidade como titular da seleção brasileira em 2025, Marcelle respondeu muito bem. Na VNL daquele ano, a carioca assumiu a titularidade que era de Laís e não perdeu mais a posição com atuações de alto nível. No Mundial de 2025, ela novamente apareceu em destaque, encerrando como a quinta melhor defensora, com 65 defesas, média de 9,29, e a oitava em recepção, registrando 34,69% de aproveitamento. Na disputa entre elas, Marcelle parece ter aproveitado melhor as chances recentes com a camisa do Brasil do que Natinha, especialmente em competições grandes.

Marcelle e Natinha também estão na disputa pela titularidade
Marcelle e Natinha também estão na disputa pela titularidade (Foto: FIVB/Divulgação)

O peso dos Jogos Olímpicos

Se a escolha fosse minha, Nyeme começaria como titular da seleção brasileira na temporada de 2026. O desempenho dela em Paris-2024 pesa muito para essa preferência. Ser a melhor recebedora de saques de uma Olimpíada e ainda terminar entre as principais defensoras do torneio é algo que não pode ser ignorado. Além disso, acredito que ela alcançou um patamar de transmitir uma sensação de estabilidade defensiva extremamente importante em jogos decisivos. Já Marcelle, pelo momento recente na seleção, aparece logo atrás como segunda opção.

Para completar o trio de líberos convocadas e inscritas na VNL, Natinha continua sendo uma jogadora importante, principalmente pelo seu alto nível técnica, experiência e personalidade competitiva. O Brasil inicia caminhada na Liga das Nações na quarta-feira (3) diante da Holanda, às 20h. O duelo acontecerá no Ginásio Nilson Nelson, na Etapa de Brasília do campeonato. Ainda em solo brasileiro, as comandadas por Zé Roberto Guimarães terão pela frente mais três rivais. Na quinta-feira (4), o adversário será a República Dominicana, às 20h, com Bulgária no sábado (6), às 11h, e Itália no domingo (7), às 14h30.

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