Antes da bola subir para a final da Superliga 2025/26 de vôlei feminino, o Dentil Praia Clube já carregava uma mensagem clara dentro do vestiário. Não era tática, nem técnica. Era mental. “Acreditem que Davi derrubou Golias e vocês estão capazes de derrubar o Gigante”. A frase, repetida ao longo dos playoffs pelo psicólogo Hermes Balbino, ganhou vida dentro de quadra neste domingo (3), quando o time de Uberlândia venceu o Gerdau Minas por 3 sets a 0, parciais de 29/27, 25/21 e 25/13, e conquistou o título da principal competição nacional.
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Trabalho mental como virada de chave
Um dos nomes importantes da decisão, com 14 pontos, a ponteira Michelle foi quem detalhou o impacto desse trabalho na construção da campanha. Ao longo da temporada, o Praia conviveu com oscilações e dificuldades para encaixar o jogo. Segundo a ponteira, o trabalho psicológico acabou sendo essencial para mudar o rumo da equipe. “O nosso trabalho com o psicólogo também foi muito importante. Em todas as sessões de terapia ele falou sobre Davi derrubar Golias e, esteticamente, o nosso time era o menor na Superliga”, comentou.
“A gente iria enfrentar o Flamengo, uma equipe alta e favorita. Depois, o duelo contra o Minas, um time gigante, com jogadoras enormes e consagradas. Acho que isso realmente foi Deus na nossa crença. Se for ver, o cenário era todo ao contrário. O nosso psicólogo falou em todas as vezes: ‘acreditem que Davi derrubou Golias, vocês estão capazes de derrubar o gigante. E foi graças a Deus que aconteceu aqui hoje. Eu acho que não é só sobre voleibol, é sobre a fé desse time e de toda a comissão técnica que acreditou em algo a mais, em algo sobrenatural mesmo”, revelou Michelle ao Olimpíada Todo Dia (OTD).
Um time que aprendeu no processo
A conquista do Praia não foi construída de forma linear. Houve adaptação, erros e um longo processo até o encaixe ideal. Michelle explicou ao OTD como esse caminho foi determinante e sobre a relação com o técnico Rui Moreira, uma construção que aconteceu durante a temporada. “Ele veio com um trabalho diferente, uma metodologia nova. E claro que como todo o trabalho sendo novo, a gente demorou a se adaptar, mas o time acreditou desde o início. Embora não tenha dado certo em muitos momentos, a gente estava tentando fazer o que ele estava pedindo, mas às vezes o jogo não encaixava”, disse.
“O processo é difícil, mas a gente em nenhum momento deixou de acreditar no trabalho dele. E, graças a Deus, na reta final o time encaixou e ganhou uma confiança muito grande para superar adversários que eram favoritos. E isso deixou o time ainda mais confiante para essa final. Então o trabalho dele foi muito importante”. Ela também destacou o papel de Rui Moreira, que precisou de tempo para implementar sua filosofia, mas foi peça central na virada da equipe. “Ele é muito inteligente e a estratégia dele fez toda a diferença. Ele colocou na nossa cabeça que era possível e deu tudo certo”, afirmou Michelle.
“Existiram momentos difíceis em que a gente perdeu jogadora e o time trocava muito, com o Rui tentando buscar a equipe ideal. E também é uma metodologia dele de testar vários times, então acaba que confunde o adversário e deixa todo mundo pronto. Mas, em determinado momento em que a gente não tinha mais confiança, a Adenízia foi fundamental quando ajoelhou e falou: ‘agora é só a nossa fé mesmo, pois a gente já tentou tudo’. Todo mundo acreditou e confiou que Deus estava com a gente. Não que não tenha Deus nas outras equipes, mas a fé colocou todo mundo à prova ali”, concluiu Michelle.
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