A bicampeã olímpica Jaqueline Carvalho está de volta às quadras após quatro anos afastada — e falou sobre tudo em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia. Em uma conversa leve e divertida com Rafael Zito e Fernando Gavini, a ex-ponteira da seleção brasileira detalhou o convite do Pinheiros, revelou como tomou a decisão de retornar ao vôlei e abriu o coração sobre família, carreira e o impacto do conteúdo digital em sua vida.
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Jaque não atuava de forma regular desde 2021. Em 2023, ainda tentou um retorno no Campinas, mas a equipe foi encerrada logo após sua chegada — um episódio que, segundo ela, mexeu profundamente com sua motivação. “Foi uma decepção muito grande. Pensando em parar, voltar e passar por aquilo… realmente mexeu comigo”, revelou.
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Agora, o cenário é outro. A atleta se reencontrou com a rotina de treinos e o carinho da torcida, que promete voltar a lotar ginásios para vê-la em quadra. “Eu sinto muita falta da energia da torcida. Sou a primeira a chegar e a última a sair do ginásio. Isso me move”, disse. Confira a entrevista completa:
Voltando às quadras depois de quatro anos

Rafael Zito: Jaque, como tem sido esse retorno depois de tanto tempo fora? Você tentou voltar ali em 2022 e 2023, jogou um jogo pelo Campinas, mas uma temporada inteira você não disputa desde 2021.
Jaqueline:
“Matei uma saudade nessa quebra de quatro anos. Está sendo maravilhoso pra mim, de verdade. Tentei voltar antes, joguei um jogo pelo Campinas, mas aconteceu tudo aquilo, a equipe acabou, deu aquele desânimo. Aí foquei em outras coisas, virei criadora de conteúdo, estava gostando dessa rotina em casa com minha família. Mas agora, voltando novamente, está sendo muito gostoso. Quando a gente pensa em parar de jogar é muito difícil, né? Por isso nunca falei oficialmente que me aposentei.”
“Tive oportunidades, mas não queria ficar longe de casa”
Fernando Gavini: E nesse tempo sem jogar, não pintaram convites?
Jaqueline:
“Tiveram oportunidades, sim. Mas eu não queria ficar longe de casa. Meu filho estava super adaptado na escola, eu estava trabalhando com internet… e é uma rotina muito boa também. Mas aí a saudade bate. Esse convite do Pinheiros veio do nada — e aceitei porque sei da grandeza do clube.”

O carinho da torcida no retorno
Rafael Zito: Você foi anunciada e já tinha torcedor dizendo que iria ao Pinheiros só pra te ver. Seu jogo de volta em Campinas lotou o ginásio. O que isso significa pra você?
Jaqueline:
“É reconhecimento. É saber que tudo que fiz pelo vôlei valeu a pena. Eu recebo diariamente pessoas me parando na rua, me agradecendo porque voltei a jogar. Isso me motiva demais. Eu sei que tenho dificuldades, né? Tenho mais de 40 anos — mesmo sem parecer (risos) — e três cirurgias no joelho. Mas quero dar meu melhor, por mim e por eles.”
A relação com a mídia e a criação de conteúdo
Rafael Zito: Você sempre teve uma relação muito forte com mídia. Em Osasco, já era uma das mais procuradas. Como isso se desenvolveu?
Jaqueline:
“Sempre gostei. Sempre fui de tirar foto, de conversar nas redes sociais. Era natural. Mas o boom foi na pandemia, quando comecei a mostrar minha rotina em casa. As pessoas têm curiosidade: como é a vida do atleta? Como é um casal de dois jogadores de vôlei? Isso aproximou muito.”
Murilo, o “simpaticão”, vira personagem dos vídeos
Fernando Gavini: Hoje seu conteúdo bomba — mas quem mais paga o preço é o Murilo, né?
Jaqueline:
“(risos) Paga! Ele é muito sério. Quando eu chego com o tripé, ele já faz aquela cara: ‘lá vem ela’. Às vezes tenho que prometer coisas pra ele topar, mas no fim ele vibra junto. As pessoas se identificam. Ele é meu parceiro pra tudo, desde os meus 14 anos. Sem ele, não sei que rumo teria tomado.”

O filho Arthur, o motivo mais forte do retorno
Rafael Zito: Em um momento da entrevista coletiva de apresentação você se emocionou ao falar do Arthur te ver jogar de novo. Como foi isso?
Jaqueline:
“Ele vai fazer 12 anos e lembra pouca coisa de quando eu jogava — era pequenininho. Agora, que ele treina vôlei, vai entender mais. Quando contei que talvez voltasse, ele disse: ‘não acredito, vou te ver jogar, mãe’. Pronto. Ali decidi voltar. Saber que ele vai poder me acompanhar… é realização de um sonho.”
Qual posição Jaqueline vai jogar?
Fernando Gavini: Você comentou no começo que não sabe a posição em que vai jogar. É verdade mesmo?
Jaqueline:
“É sim! Hoje estou treinando de líbero porque preciso fazer tudo com calma. Mas ninguém sabe o futuro. Se for ponteira, líbero, levantadora… onde me colocarem, estou dentro. O que ele quiser fazer comigo, estamos juntos.”

Recordações da carreira: o auge e a decepção
Rafael Zito: Qual seu momento mais marcante na carreira? E algum arrependimento?
Jaqueline:
“Positivo? 2012, claro. Bicampeonato olímpico. Nunca fui jogadora de pontuar e fui maior pontuadora da final contra os EUA. Aquilo me marcou demais. Negativo? Ter voltado ao Campinas e a equipe acabar. Foi decepcionante e me fez pensar em não voltar mais. Mas arrependimento, não tenho nenhum.”