Durante o II Fórum Esporte Seguro, promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) nesta terça-feira (12), no Rio de Janeiro, o membro do Comitê de Integridade das Competições e Combate à Manipulação de Resultados da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), Thiago Grigorovski, apresentou as iniciativas da entidade para prevenir, detectar e punir irregularidades relacionadas à manipulação de resultados.
O painel, voltado a Regulamentação e Legislação, destacou como a CBV estruturou um programa de integridade robusto, alinhado às diretrizes do movimento olímpico internacional e à nova Lei Geral do Esporte, que tipifica a manipulação de resultados como crime. “A integridade precisa ser um valor inegociável, incorporado à cultura organizacional e à identidade esportiva”, afirmou Grigorovski.
Estrutura de integridade e reformas internas
O programa de integridade da entidade foi implementado após uma ampla reforma institucional. As mudanças incluíram a revisão do estatuto, a criação de um código de conduta e ética unificado, a formação de um comitê de ética independente e o desenvolvimento de políticas de governança, compliance e sustentabilidade (ESG).
O novo Comitê de Ética da CBV conta com cinco membros, com paridade de gênero e autonomia em relação à diretoria. Entre os integrantes estão a desembargadora Letícia Sardas, presidente do colegiado, e a ex-jogadora Sandra Lima, vice-presidente.
Comitê de Integridade e canal de denúncias
Para lidar diretamente com casos de suspeita de manipulação de resultados, a CBV criou o Comitê de Integridade das Competições e Combate à Manipulação de Resultados. Além disso, montou um procedimento específico de apuração.
O comitê é responsável por receber e analisar denúncias. Depois, emite comunicações oficiais e encaminha casos comprovados à Justiça Desportiva, ao Ministério Público e às autoridades policiais.
A entidade também mantém um canal de denúncias independente, seguro e confidencial, acessível pelo site, aplicativo ou ligação gratuita. “O canal de denúncias garante sigilo absoluto e proteção ao denunciante. É fundamental para que atletas, árbitros e colaboradores se sintam seguros para relatar suspeitas de irregularidades”, destacou Grigorovski.
Parceria com a Sportradar e ações educativas
Um dos pilares do trabalho da CBV é a parceria estratégica com a Sportradar, empresa internacional especializada em detecção de fraudes esportivas. Por meio dessa colaboração, a entidade recebe relatórios de monitoramento de apostas, participa de investigações conjuntas e promove treinamentos e workshops voltados a atletas, árbitros e dirigentes.
As ações educativas incluem cursos presenciais e online sobre ética, integridade e apostas esportivas. Esses cursos são realizados no centro de treinamento da CBV em Saquarema e durante etapas do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia.
“Não existe transformação sem o engajamento da alta liderança. É fundamental que dirigentes e atletas estejam juntos nesse processo de mudança cultural”, ressaltou.
Base legal e compromisso coletivo
Grigorovski também destacou os principais marcos legais que orientam a atuação da CBV e das entidades esportivas no tema: a Convenção de Macolin, a Lei Geral do Esporte e o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Esses instrumentos definem a manipulação de resultados como crime e infração disciplinar, estabelecendo punições severas para atletas, árbitros e dirigentes envolvidos.
“O combate à manipulação é dever de todos nós. Não basta às entidades agirem — é preciso que atletas, treinadores e árbitros também estejam atentos e denunciem. Não aposte no seu esporte, não manipule, não se omita e, principalmente, denuncie”, concluiu.