O confronto entre Brasil e Itália pela fase semifinal do Campeonato Mundial 2025 de vôlei feminino, neste sábado (6), vai muito além da disputa por vaga na grande final. À beira da quadra, estarão dois dos maiores nomes da história do vôlei mundial: Zé Roberto Guimarães, técnico da seleção brasileira, e Julio Velasco, comandante da equipe italiana. Ambos somam títulos, revoluções táticas e décadas de protagonismo. Os técnicos se enfrentam liderando selecionados nacionais pela primeira vez na competição mais relevante da modalidade.
A partida que vale vaga na decisão do Mundial de 2025 acontecerá em Bangkok, na Tailândia. O vencedor deste duelo terá pela frente na final o vitorioso do embate entre Turquia e Japão. Zé Roberto, tricampeão olímpico brasileiro, busca seu primeiro título da competição com 71 anos. Do outro lado, Julio Velasco, argentino naturalizado italiano, está com 73 e soma dois títulos Mundiais, nas edições de 1990 e 1994, ambos pela Itália, mas no naipe masculino. Ele que acaba de ser campeão olímpico pela primeira vez em Paris-2024.
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O legado de Zé Roberto Guimarães
Zé Roberto é o único treinador tricampeão olímpico da história do vôlei. Ele conquistou o ouro com a seleção brasileira masculina em Barcelona-1992 e com a equipe feminina em Pequim-2008 e Londres-2012. O técnico brasileiro também levou a prata nos Jogos de Tóquio-2020, o bronze em Paris-2024 e coleciona títulos em Grand Prix, Sul-Americano e Pan-Americano. Sob seu comando, o Brasil conquistou a hegemonia continental e sempre figura entre os principais favoritos em competições mundiais. Em 2021, o técnico foi eternizado no Hall da Fama do Vôlei.
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Comandando a seleção brasileira feminina desde 2003, Zé Roberto construiu projeto longevo e vencedor. Ele acumula também quatro medalhas de prata em Mundiais (1994, 2006, 2010 e 2022), sete títulos do Grand Prix (2004, 2005, 2006, 2008, 2009, 2013 e 2014), 13 conquistas do Sul-Americano (1993, 1995, 2003, 2005, 2007, 2009, 2011, 2013, 2015, 2017, 2019, 2021, 2023) e o ouro dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011. O treinador brasileiro também foi eleito Melhor Técnico do Mundo pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) em 2008.
Julio Velasco: da era dourada masculina à glória olímpica com as mulheres
Do outro lado estará Julio Velasco, considerado o arquiteto da geração de ouro masculina da Itália dos anos 1990. Com os homens do selecionado italiano, o treinador foi bicampeão mundial (1990 e 1994), tricampeão europeu (1989, 1993 e 1995), vice-campeão olímpico em Atlanta-1996 e pentacampeão da Liga Mundial (1990, 1991, 1992, 1994 e 1995), torneio que foi substituído pela Liga das Nações (VNL). Após passar por Argentina e Irã, ele assumiu a Itália feminina e conquistou o título olímpico que faltou no masculino na edição de Paris-2024.
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Além da Olimpíada, Julio Velasco conquistou a Liga das Nações em 2024 e 2025 comandando Paola Egonu, Monica De Gennaro e companhia. Com a atual seleção italiana, o treinador está invicto há 34 jogos. A última vez que a Itália deixou a quadra derrotada foi em 1º de junho de 2024, diante do Brasil de Zé Roberto, pela segunda semana da VNL de 2024. Naquela ocasião, as brasileiras venceram por 3 sets a 2 (25/21, 20/25, 23/25, 25/22 e 15/12). Julio Velasco é reconhecido por sua visão tática e pela capacidade de transformar equipes.
Um duelo para a história
O encontro entre Brasil e Itália não é apenas a semifinal de um Mundial: simboliza o peso da tradição, da genialidade, da longevidade no vôlei e um choque de estilos e filosofias representados por duas lendas vivas. Enquanto Zé Roberto aposta na tradição, na defesa sólida, no volume de jogo e na capacidade de renovação do elenco brasileiro, Julio Velasco traz a experiência de quem moldou campeões e conduziu a Itália ao título olímpico mais recente.
Independentemente do resultado em quadra, o jogo deste sábado já está marcado como um capítulo especial na história do vôlei internacional. A bola sobe a partir das 9h30, mas o espetáculo já começa com o aperto de mãos entre dois gigantes da história do esporte.