Ninguém bloqueou mais do que Julia Kudiess nos jogos disputados no Maracanãzinho pela primeira semana da Liga das Nações (VNL) de vôlei feminino. A central está mostrando ser uma especialista em tocos, causando pesadelos nas adversárias com seu ‘paredão’. Na vitória sobre os Estados Unidos, na segunda rodada, a atleta de 1,92m marcou quatro dos 14 pontos do Brasil utilizando o muro. Desta forma, ela foi responsável por 33,33% dos acertos neste fundamento. No total da competição, ela soma nove, liderando em partidas jogadas no Rio de Janeiro e atrás apenas da dominicana Arias, com 11.
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“Eu gosto muito de estudar antes do jogo e de ver a distribuição. É uma coisa que tenho dentro de mim, isso facilita ali dentro nas escolhas. É difícil porque, às vezes, a bola é muito rápida e fica complicado de chegar e entrar bem com a mão, mas tenho muita vontade. Acredito que eu chamo tanto que a bola acaba vindo na minha mão. Mas acho que poderia ter bloqueado muito mais. Tiveram muitas bolas que poderia ter marcado. Eu fiz muitos bloqueios, mas eu não saio tão satisfeita”, afirmou Julia Kudiess ao Olimpíada Todo Dia (OTD) após vitória do Brasil sobre os Estados Unidos por 3 sets a 0.
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Ensinamentos de Julia Kudiess
Julia Kudiess tem apenas 22 anos, mas já pode ensinar aos leigos jornalistas como faz para ser bem-sucedida no bloqueio. Ela comentou sobre a distribuição do rival, o fato de atuar, com mais frequência, ao lado de Macris, na denominada rede de dois, e trouxe mais outros detalhes. “Distribuição em cada rede é importante. Eu estou ali com a Má (Macris), então acabo ficando mais com ela, pois tenho que chegar equilibrada lá com ela, então, dependendo de onde é o saque, tem uma probabilidade maior de ser pra trás, pra frente”, analisou Julia Kudiess.
“E, se eu consigo estudar isso bem, acaba facilitando um pouco no jogo. A gente sacou muito bem, o que facilita. Se não tem o passe na mão, alguns times já descartam a central, abrem mais o jogo. Então, se eu consigo estudar isso, claro que no jogo as coisas fluem de uma forma que, às vezes, não é como a gente estudou, mas o estudo me ajuda ali na probabilidade de fazer algumas escolhas”, acrescentou a atleta, em uma espécie de aula tática de bloqueio. Na famosa rede de dois, a central, geralmente, fica mais próxima à levantadora que, por ser mais baixa, precisa de uma ajuda na marcação.
Na denominada rede de dois, o time tem duas atacantes na rede, no caso, a central e uma das ponteiras, que dividem o espaço com a levantadora. Em alguns casos, as equipes ficam mais vulneráveis no setor ofensivo nessas ocasiões, forçando o treinador a realizar a chamada inversão 5-1, colocando uma oposta na vaga da levantadora que estava em quadra e, consequentemente, a levantadora reserva no lugar da atacante que vinha atuando.
Necessidade de evoluir no ataque
Sem Thaisa, aposentada da seleção brasileira, e Carol, que pediu dispensa da Liga das Nações, a disputa pela titularidade na vaga de central promete ser acirrada. Julia Kudiess, a princípio, saiu na frente, já que iniciou como titular contra República Tcheca e Estados Unidos. Diante das tchecas, ela teve Diana como parceira. Já contra as estadunidenses, a companheira de posição foi Lorena. O nível alto dela no bloqueio é inegável, mas, para se transformar em uma dona da posição de forma indiscutível se torna necessário uma evolução ofensiva, principalmente nas bolas por dentro, os chamados tempo frente e costas.
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“Isso é uma coisa que eu e a Macris, e com a Rô também, a gente tem treinado muito bem as bolas por trás, muito. Então, eu fico tranquila, uma hora vai sair. Eu não estou sendo muito acionada também, mas quando eu sou, eu quero colocar a bola no chão. Eu acho que, assim, é o que eu estou sentindo que, talvez falte ali, mas eu estou tranquila porque sei que nos treinos a gente está fazendo e, quando a gente consegue treinar, consequentemente no jogo sai”, declarou Julia Kudiess, que consegue atacar bem, com frequência, quando é acionada na jogada china.