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Guerras, sanções e saudade: histórias de atletas imigrantes

No Dia do Imigrante, falamos com dois atletas que vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades: Yoandy Leal, craque da seleção de vôlei e um dos melhores ponteiros do mundo, e Serafim Veli, levantador de peso medalhista Pan-Americano

Leal e Serafim Veli deixaram Cuba e Albânia e encontraram o sucesso esportivo no Brasil (Montagem OTD)

Todos os dias, milhares de pessoas ao redor do mundo tomam a difícil decisão de deixar a família e o país natal para tentar a sorte em um novo lugar, com língua, cultura e estrutura totalmente diferentes de sua terra de origem. A imigração ajudou a formar a sociedade brasileira e os imigrantes que aqui chegaram ajudaram o Brasil a ser um dos países com maior diversidade do mundo.

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Nesse 25 de junho, celebra-se o Dia do Imigrante, e nós do Olimpíada Todo Dia homenageamos todos que resolveram tentar a sorte por aqui falando com dois atletas olímpicos imigrantes: Yondy Leal, cubano naturalizado brasileiro da seleção de vôlei e Serafim Veli, albanês que viveu na Grécia e representou o Brasil no levantamento de peso no Pan de Lima.

Leal e Serafim são atletas de países, culturas e modalidades diferentes, mas chegaram ao Brasil com um mesmo objetivo: a busca de uma vida melhor.

A história do cubano é mais conhecida. Nascido em Havana, capital de Cuba, Yoandy Leal estreou pela seleção de seu país em 2007, quando o ponteiro jogou o mundial sub-21. Vestiu a camisa da seleção caribenha por três anos. No entanto, em 2010, logo após ser derrotado na decisão do Campeonato Mundial para o Brasil, tomou a difícil decisão de deixar o país, que viria a lhe render um período de dois anos sem jogar imposto pela Federação Internacional de Vôlei por conta da mudança.

“Queria jogar no alto nível e dar meu melhor no voleibol e jogar fora. Até 2010, nunca tive problemas com o governo de Cuba, mas tudo mudou quando eu decidi que não jogaria mais pela Seleção e que tinha vontade de aceitar contratos de fora. Fiquei dois anos sem poder jogar nada por conta da sanção,” relembrou o Leal ao Olimpíada Todo Dia.

Salvação Mineira

A situação de Leal foi facilitada pelo Sada Cruzeiro. A equipe mineira fez uma proposta ao jogador que mudaria sua vida.

“Recebi a proposta do Sada Cruzeiro e decidi tomar a decisão de deixar Cuba. Sou grato aos dirigentes do clube e ao Alessandro Lima, meu empresário, que estenderam a mão para mim e me deram essa chance de jogar voleibol,” disse Leal.

Aqui, encontrou sua segunda casa. De acordo com o ponteiro, a decisão não foi fácil para os familiares, mas entenderam que ele estava indo atrás de um sonho, amplamente realizado em Belo Horizonte, cidade onde joga o Sada Cruzeiro.

“Desde quando mudei para jogar no Brasil fui muito bem recebido. Comecei aqui quando tinha 22 anos e sinto que cresci como homem e atleta nesse tempo. Em Belo Horizonte eu tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e fiz grandes amigos, me sinto em casa,” conta Leal, atualmente jogando na Itália.

No Dia do Imigrante, o Olimpíada Todo Dia ouviu histórias sobre o processo de imigração de Leal, do vôlei, e Serafim Veli, do levantamento de peso
Leal com a camisa do Sada Cruzeiro: passagem histórica por Minas Gerais, sua segunda casa (Instagram/yoandyleal)

A passagem entrou para a história do time mineiro. Em seis temporadas, o cubano ajudou a equipe a conquistar 25 títulos.

Marinheiro de segunda viagem

Já a história de Serafim Veli é bem diferente da de Leal. O albanês já havia imigrado uma vez antes de vir ao Brasil. Em 1997, a Albânia vivia o auge de uma crise econômica que acabou derrubando o governo e causou uma rebelião por uma grande parcela da população. Assim como muitas famílias albanesas, a de Serafim deixou a terra natal para tentar a sorte em países vizinhos. Os Veli desembarcaram na Grécia, com Serafim e suas três irmãs.

Experiência ruim

A experiência não foi das melhores. Apesar de em solo grego ter conhecido a futura esposa e descoberto o amor pelo levantamento de peso, Serafim Veli conta que sofreu muito com o preconceito e racismo por lá. Por influência da companheira, veio para o Brasil e acabou se encantando.

“Em 2015, me convidaram pra passear alguns dias de férias no Brasil. Então fiz minha mala e viajei. Quando cheguei, esperava uma coisa diferente do que encontrei. Já tinha sido imigrante na Grécia e a experiência não foi tão boa… Aqui no Brasil me senti muito bem recebido e nunca me senti diferente. O povo brasileiro abraça muito as pessoas de diferentes nacionalidades Me senti em casa!,” revelou Serafim ao Olimpíada Todo Dia.

Apoio da família

A partir daí, Serafim resolveu ficar. A decisão de deixar a família para viver em um país muito distante da Europa foi complicada, mas facilitada pelo apoio de seu genitor.

“Quanto eu contei para meu pai que iria para o Brasil, ele me disse ‘filho, faça o que seu coração deseja’,” contou o atleta, que diz sentir falta dos familiares e também do Mar Mediterrâneo.

No Dia do Imigrante, o Olimpíada Todo Dia ouviu histórias sobre o processo de imigração de Leal, do vôlei, e Serafim Veli, do levantamento de peso brasileiros naturalizados
(Serafim Veli competindo pelo Brasil. (Instagram/serafim_veli)

Naturalizações

O processo das naturalizações dos dois atletas também foi diferente. Leal teve que esperar mais para finalmente estrear com a camisa da seleção brasileira.

“Fiquei ansioso nesses quatro anos, mas acredito que consegui lidar bem com a espera e com essa possibilidade de defender o Brasil. Queria jogar no alto nível e dar meu melhor, acredito que consegui nos anos que passei aqui. O Brasil me tornou o jogador que sou hoje,” comentou Leal.

Já a naturalização de Serafim Veli saiu em 2017, um ano após a Olimpíada do Rio de Janeiro. Todos os cidadãos precisam de um tempo mínimo de vivência para conseguirem a documentação necessária. O levantador de peso já competiu pelo Brasil diversas vezes e já conquistou medalhas, feito do qual ele se orgulha muito

“Quando subi na primeira vez no pódio no Campeonato Pan-Americano representando o Brasil me senti orgulhoso e vitorioso, até hoje me sinto assim e sempre vou me sentir. Sou grato por representar o Brasil, aqui eu tenho minha família”.

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