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Tênis

‘Penso em 2021 e só penso na palavra gratidão’, diz Laura Pigossi

Brasileira destaca crescimento no ranking, elevação do nível de torneios que passou a disputar e inédita medalha olímpica em Tóquio. Revela, ainda, que o ouro em Paris é o maior sonho

Recorde de medalha - Brasil - Jogos Olímpicos de Tóquio
Pigossi e o histórico bronze dos Jogos Olímpicos de Tóquio (Rafael Bello/COB)

Não foram poucos os motivos que levaram Laura Pigossi a sentir-se agradecida com a temporada no tênis. Em entrevista exclusiva durante a virada esportiva em São Paulo, na quadra de tênis montada pela Asics em plena Avenida Paulista, ela destacou o crescimento no ranking individual, a possibilidade de jogar em torneios de maior nível e, claro, a inédita medalha de bronze conquistada ao lado de Luisa Stefani nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Revelou também qual o maior sonho na carreira: “medalha de ouro em Paris 2024. Depois dessa de bronze, que foi ótima, linda, maravilhosa. Mas ficou aquele gostinho, aquela dor de perder a disputa do ouro. Acho que esse é meu maior sonho”.

“Penso em 2021 e só penso na palavra gratidão. Foi espetacular, o melhor ano da minha carreira. Comecei 395 do mundo e terminei 190. Alcancei todos os meus objetivos”, disse. “Comecei jogando os 15 mil porque não conseguia entrar nos 25 mil e daí consegui entrar em uma chave de 25 mil. Fui lá e ganhei e isso fez com que eu pudesse jogar os 25 mil a partir dali”, acrescenta Laura Pigossi, sobre o nível de torneios do circuito da federação internacional de tênis, avaliados na premiação em dólares. A paulista colocou ainda, como destaque no ano, a participação na Billie Jean Cup. “Joguei na simples, que era um sonho meu. Fez ver o nível que eu estava jogando e o quanto podia jogar com as jogadoras boas. Só me fez crescer mais.” O citado torneio é uma competição entre seleções e o Brasil parou na Polônia com uma derrota por 3 a 2.

Laura Pigossi tênis virada esportiva Avenida Paulista
Laura Pigossi na virada esportiva, em São Paulo (divulgação)

Medalha Olímpica

Em julho, talvez o grande momento dela não só no ano, mas na carreira. A histórica medalha de bronze nos Jogos Olímpicos, nas duplas, a primeira do Brasil no tênis. “Algo inesperado, mas que sempre sonhei minha vida inteira. Sempre. Com minha psicóloga falando todos os dias, em todas as sessões, que tinha atletas olímpicos, a maneira como eles se posicionavam diante dessa situação, a diferença de uma pessoa que vai disputar a Olimpíada e de uma que ganha medalha. Então tinha bem claro isso na minha cabeça”, falou. Inesperado mesmo, afinal, ela e Stefani foram as últimas a terem a vaga no torneio, confirmada a poucas horas do prazo final de inscrição. A medalha, segundo ela mesma diz, “trouxe muita confiança, acreditar que a gente podia sair de momentos praticamente perdidos. Deu muita força, mas acho que o principal foi essa fase interior, acreditar que eu posso.”

“Talvez no primeiro mês, não. Tive de ajustar tudo o que eu estava sentido, foi muita mudança, passei de 6 mil para 86 mil seguidores (nas redes sociais). Precisava lidar, dentro de mim, de um tempo para assimilar. Durou mais ou menos um mês, quatro ou cinco semanas, para finalmente poder engrenar. Foi quando fui para um torneio na Colômbia, fui vice-campeã de simples e daí tudo começou a fluir”, disse. “Depois tive o melhor final de temporada da minha carreira, consegui um título de 25 mil no Equador e semifinal do torneio de Goiás e de Rio do Sul, no Brasil. Foi muito especial e, para fechar com chave de ouro, estava em 190 do mundo. Foi um ano espetacular e espero que 2022 eu trabalhe ainda mais, tenha mais garra, mais sonho, para poder ser ainda melhor”.

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Vitória e bronze na Olimpíada (Rafael Bello/COB)

Invasão do bem

O crescimento de seguidores foi outra consequência que saltou aos olhos de Laura Pigossi. “Amo demais essa troca. Sofri um pouco depois da Olimpíada, porque sempre respondi todas as mensagens. Então, quando vi que não estava conseguindo responder tanta gente que falava tantas coisas positivas, comecei a querer ficar mais no instagram e não tinham horas do dia que me faziam responder todas as mensagens. Quando a gente ganhou a medalha, que foi meu aniversário, eu coloquei um post que teve 3,5 mil comentários. Não conseguia dar conta. Tive de assimilar, mas é uma troca incrível”, disse.

O pódio teve outra característica peculiar. Foi ao lado de uma grande amiga. “Sempre fui muito próxima da Luisa, sempre fomos muito amigas, desde os 12, 13 anos. Ela também é de São Paulo. Mas depois da medalha, a gente tá muito mais unida e essa parceria é algo que eu queria manter. No momento não tenho ranking como o dela para poder entrar nos torneios que ela joga, então depende um pouco de mim pra poder chegar lá. Com certeza vai rolar em algum torneio. Agora tudo o que eu mais quero é que ela esteja saudável, por essa fatalidade que aconteceu no joelho dela. Ela está precisando ser muito forte”, disse, lembrando lesão que Stefani sofreu na semifinal do US Open desse ano.

Esporte feminino

Por fim, Laura Pigossi disse ser inspirador o reflexo que o atual momento na carreira traz para o esporte feminino. “O máximo de pessoas, meninas, crianças, sejam mulheres ou até homens, mulheres principalmente, que vejam que é possível alcançar o que alcançamos e ser até melhor. É uma questão de visibilidade. Estou muito feliz em poder fazer isso com um esporte que eu tanto amo, principalmente no Brasil, onde geralmente é muito mais futebol, vôlei. Ver o tênis passando mais na TV, mais pessoas falando que começaram a jogar por minha causa e por causa da Luisa é reconfortante e eu quero para minha vida. Poder entregar um pouco do que aprendi na minha carreira para essa nova geração e para mais pessoas começarem a jogar o tênis”.

*Colaborou André Rossi

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