O surfe mundial se prepara para a despedida de um de seus personagens mais resilientes. Aos 36 anos, Alejo Muniz anunciou que a temporada de 2026 será a sua última no Championship Tour da WSL. Argentino de nascimento e brasileiro de coração, Muniz planeja encerrar sua trajetória competitiva no icônico Lexus Pipe Masters, no Havaí, fechando um ciclo marcado por superação e disciplina.
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Jornada e desafio das lesões
Alejo Muniz surgiu como uma das grandes promessas da elite em 2011, terminando seu ano de estreia na 10ª posição do ranking mundial. Ao longo da carreira, conquistou vitórias memoráveis sobre lendas como Kelly Slater e brilhou em eventos do QS, como o US Open of Surfing, Ballito Pro e Hang Loose Pro. Em 2022, conquistou o título em casa, em Mar del Plata, na Argentina, além do evento do Circuito Banco do Brasil de Surfe, realizado em Ubatuba, São Paulo.
Contudo, sua trajetória foi testada por lesões graves nos dois joelhos, que o afastaram da elite por longos oito anos, a ausência mais extensa já registrada por um atleta do CT. Sobre o retorno garantido em 2024, Alejo refletiu: “Exigiu muito mais do meu corpo e da mente. Eu precisava provar para mim mesmo que ainda era capaz”.
Permanência e legado
Seu retorno foi garantido no final de 2024. Porém, no CT, seus resultados foram irregulares. Os melhores desempenhos foram uma aparição no top-10 no Surf City El Salvador Pro e um terceiro lugar na Austrália, no Bonsoy Gold Coast Pro. Assim, ele chegou em Margaret River, último evento antes do corte, precisando alcançar as quartas de final para permanecer na elite.
Durante o evento, Alejo acabou eliminado na segunda fase e necessitou de uma combinação improvável de resultados. No entanto, tudo acabou acontecendo: todos surfistas que poderiam ultrapassá-lo com resultados positivos foram eliminados, não conquistando o título. A eliminação de Imaikalani deVault nas quartas garantiu a permanência de Alejo Muniz no CT.
Integrante da primeira geração da Brazilian Storm, Alejo destaca que seu principal legado vai além dos troféus: “Minha marca não foi baseada apenas em resultados ou performance, mas em disciplina, comprometimento e profissionalismo. Esse é o exemplo que eu gostaria de deixar, inclusive para o meu filho: nunca desistir, ser profissional e manter a disciplina“.
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O último ano no Tour
Dessa forma, Alejo Muniz projeta que, após pendurar a lycra de competição, pretende realizar surf trips e compartilhar sua vasta experiência com a próxima geração de atletas. “Eu sei o quanto é importante ter alguém ao lado do atleta“, concluiu.
O CT de 2026 terá 11 etapas, com o início em Bells Beach, na Austrália, em abril, e será finalizado mais um ano em Pipeline, no Havaí. Além de Alejo, o Brasil conta com mais seis surfistas no Tour: Yago Dora, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Italo Ferreira, Miguel Pupo e João Chianca.