As Yaras voltam a campo neste domingo (13) para um novo capítulo da história do rúgbi de 15 feminino no Brasil. Depois da participação inédita na Copa do Mundo, disputada na Inglaterra em 2025, a Seleção Brasileira estreia pela primeira vez no WXV Global Series Challenger, a segunda divisão da liga mundial. O primeiro adversário será Hong Kong China, dona da casa, em partida que também marcará o primeiro confronto entre as duas seleções.
O duelo acontece às 4h30 (horário de Brasília), no Kai Tak Sports Park, em Hong Kong. Depois da estreia, as Yaras enfrentam os Países Baixos, no dia 19, e a Espanha, no dia 26. O torneio contará com seis seleções: Brasil, Espanha, Países Baixos (Holanda), Fiji, Samoa e Hong Kong China jogarão no “sistema suíço”, com cada seleção enfrentando três oponentes ao longo de três semanas. Ao final das três rodadas, o primeiro colocado nos pontos corridos será declarado campeão da competição.
Mais do que o início de uma competição inédita, o WXV representa o retorno do Brasil ao rúgbi de 15 internacional em um torneio após a histórica participação na Copa do Mundo do ano passado. Na Inglaterra, as Yaras fizeram sua estreia em Mundiais como a primeira seleção sul-americana a disputar a competição. O Brasil enfrentou África do Sul, França e Itália na fase de grupos.
Agora, pouco mais de um ano depois daquela campanha, a equipe chega a Hong Kong com uma combinação de experiência e renovação. Das 28 atletas convocadas para o WXV, 16 estiveram na Copa do Mundo de 2025, enquanto 11 têm experiência olímpica no rúgbi de 7.
Preparação curta e evolução gradual
O caminho até Hong Kong foi construído de maneira diferente daquele que levou as Yaras à Copa do Mundo. Em 2026, a equipe voltou a se reunir, já sob comando do Guilherme Coghetto, somente em maio e realizou seis partidas antes do WXV: duas vitórias contra a Colômbia, uma vitória e uma derrota diante dos Estados Unidos Falcons e dois triunfos sobre a África do Sul A.
Nos quatro últimos compromissos, disputados em agosto, o Brasil venceu as norte-americanas por 14 a 12, depois de perder o primeiro confronto por 19 a 7. Contra a África do Sul A, as Yaras venceram por 34 a 12 e 29 a 19.
Para Guilherme Coghetto, que assumiu o comando principal da seleção em 2026 depois de ter sido assistente durante a Copa do Mundo, o momento é de consolidar o que foi construído nos últimos meses, e não de tentar acelerar o processo.
“Eu não acredito que vai ser perfeito. O time ainda está longe de atingir o potencial máximo que tem. Quando a gente fala em construção de um time, estamos falando de, no mínimo, seis meses para consolidar alguns comportamentos dentro de campo. O WXV serve como um passo a mais para a gente trabalhar onde está e para onde tem que ir.”
Na coletiva antes da estreia, o treinador também explicou que a ideia de jogo utilizada nos amistosos será mantida contra Hong Kong, Holanda e Espanha. A expectativa é encontrar adversários que tiveram mais tempo de preparação, o que torna o desafio tático ainda maior.
“A gente quer fazer um jogo dinâmico em ataque, jogar em velocidade e desarmar essas defesas. E queremos uma defesa que impressione bastante, que crie pressão e consiga recuperar a bola o mais rápido possível, sem cometer faltas.”
Coghetto também destacou que o principal objetivo é fazer com que as características das jogadoras se encaixem no modelo de jogo da equipe. Para ele, a combinação entre atletas experientes e jovens talentos é uma das principais forças das Yaras neste momento.
Experiência de Raquel Kochhann como referência
Uma das principais representantes dessa experiência é Raquel Kochhann. Veterana da seleção, a abertura esteve na Copa do Mundo de 2025 e agora retorna ao grupo para o WXV. Com passagens por três edições dos Jogos Olímpicos no rúgbi de 7, Raquel conhece também algumas das adversárias que o Brasil encontrará em Hong Kong.
Para ela, apesar das diferenças entre as duas modalidades, existe uma base comum que pode ajudar a equipe.
“O sevens e o 15 são diferentes e, ao mesmo tempo, são a mesma coisa. É rúgbi no final. A gente está moldando muito o nosso jogo focado nas nossas fortalezas. É muito mais sobre nós, sobre realmente aproveitar ao máximo o que a gente tem dentro do nosso grupo.”
Raquel também ressaltou justamente a mistura entre juventude e experiência como uma das armas brasileiras. “Tem uma galera aqui que tem muita energia, e essa energia faz com que o jogo consiga fluir. A experiência vai guiando essa energia.”
Para a veterana, a missão antes de cada partida é simples: fazer as jogadoras acreditarem no próprio potencial.
“Todas as atletas que estão aqui são as melhores jogadoras do Brasil e têm uma qualidade incrível. Quando elas têm essa autoconfiança e conseguem aplicar isso dentro de campo, o jogo flui e fica gostoso e fácil de jogar.”
A importância da experiência também aparece na estratégia de Coghetto. Raquel começará a partida no banco e será uma das opções para mudar o ritmo do jogo ao longo dos 80 minutos. Segundo o treinador, a ideia é aproveitar a capacidade das jogadoras mais jovens para dar intensidade desde o início e utilizar atletas experientes para controlar os momentos decisivos.
Yaras definidas para a estreia
Coghetto confirmou a escalação brasileira durante a coletiva. O time titular terá Samara Vergara como pilar, ao lado da hooker Júlia Leni e da pilar Giovana Pires Mamede da Costa. Na segunda linha estarão Eshyllen Coimbra e Marcelle Souza. A terceira linha será formada por Larissa Carvalho, Marina Fioravanti e Mariana Moreira.
Na formação de backs, Luiza Campos será a scrum-half, e capitã, e Gisele Gomes dos Santos fará sua estreia como abertura. Thalita Costa será ponta, com Rafaela Zanellato e Carolyne Katrine no centro. Giovanna Barth será a outra ponta e Fernanda Tenório atuará como fullback.
No banco estarão Patrícia Lima (pilar esquerda), Juliana Maria da Silva (pilar direita), Alessandra Lima (pilar direita), Dayana Dakar (segunda linha), Milena Mariano (terceira linha), Leila Silva (scrum-half), Mariana Nicolau (centro) e Raquel Kochhann (abertura).
Gisele Gomes será uma das novidades da formação titular. A jogadora aparece no documento oficial com a indicação de estreia, enquanto Juliana da Silva também fará sua estreia caso entre em campo.
A partida contra Hong Kong será, portanto, mais do que o primeiro jogo das Yaras no WXV. Vai ser o primeiro teste de uma equipe que ainda está em construção, mas que chega ao torneio depois de mostrar evolução nos amistosos e carregando a experiência de uma campanha inédita em uma Copa do Mundo.
E, para Coghetto, o resultado não será o único termômetro para avaliar o domingo.
“Eu ficaria satisfeito se visse a entrega das atletas em campo. Tenho certeza de que elas podem entregar isso, porque é característica desse grupo. Se a gente conseguir avançar dentro do campo, tanto em defesa quanto no ataque, vou ficar satisfeito.”
Próximos jogos das Yaras no WXV, com transmissão pela ESPN e Disney+:
13/09 – Hong Kong China x Brasil, às 4h30 (horário de Brasília)
19/09 – Brasil x Países Baixos, às 8h (horário de Brasília)
26/09 – Espanha x Brasil, às 8h (horário de Brasília)