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Paralímpicos

Legado paralímpico chega na reconstrução de corpos

Na busca por recordes e medalhas, esporte paralímpico impulsionou a evolução das próteses e criou novos horizontes para amputados

Velocistas paralímpicos em ação com diferentes próteses (Daniel Zappe/Exemplus/CPB)

A mobilidade e a independência do ser humano amputado é uma forma de inclusão social, que alia várias áreas do conhecimento. Da saúde ao esporte, sempre com muita tecnologia. As mais variadas próteses têm evoluído para que reconstrução corporal seja cada vez mais confortável e agregue qualidade de vida para atletas ou não. E esse é um legado do desporto paralímpico.

Outros fatores certamente contribuíram, como os novos materiais, capacidade de execução dos procedimentos médicos e cuidado na reabilitação. Mas impulsionado por resultados em competições paralímpicas, com destaque para o atletismo, o mercado de próteses evoluiu e segue em constante busca por desempenho.

Enquanto técnicas e ferramentas modernas trabalham para novos recordes e medalhas, pessoas que não são atletas profissionais, e portanto não buscam este tipo de performance, são beneficiadas. Mesmo porque os próprios atletas não usam próteses de competição o tempo todo, existem melhores para as atividades cotidianas.

O velocista Vinícius Rodrigues é um dos destaques do atletismo paralímpico do Brasil
O velocista Vinícius Rodrigues é um dos destaques do atletismo paralímpico do Brasil (Daniel Zappe/CPB/MPIX)

Paradesporto é o espelho

Então o esporte paralímpico serve de espelho para o desenvolvimento do produto. Os paratletas acabam sendo modelos também, e fonte de inspiração. Novos horizontes são criados a cada dia com os amputados tendo uma vida mais ativa e móvel.

“Tem pessoas que ainda estão presas em casa e o esporte tem o poder de resolver isso”, relata Vinícius Rodrigues, recordista mundial na prova dos 100 m rasos da classe T63.

“As Paralímpiadas têm causado isso e as pessoas com deficiência estão tomando coragem. Quando esse indivíduo souber que o atleta paralímpico tem um trabalho e consegue se sustentar, com certeza ele vai querer se empenhar e desenvolver esse lado do esporte”, concluiu o paratleta do atletismo.

Visibilidade e inspiração

Saber se reconhecer ao enxergar ao próximo. Com as competições paralímpicas, o amputado pode ser visto praticando uma modalidade, em ação no mais alto nível, sendo o melhor do mundo.

Os Jogos Paralímpicos são transmitidos para diversos cantos do mundo e isso influencia na noção de pertencimento. Os paratletas e o esporte têm esse poder de influenciar e mexer com as pessoas. Mesmo porque o processo para usar uma prótese é longo e há barreira discriminatórias.

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Além do atletismo, tênis de mesa, triatlo, parabadminton e esportes de neve também se beneficiam da tecnologia das próteses (Ale Cabral/CPB)

“Não pense que é só colocar a prótese e sair andando ou usando da maneira
que achar melhor. Caso o paciente não realize todas as etapas da protetização, com treino para a preparação adequada do coto e os treinos de marcha, a chance do paciente abandonar a prótese é grande”, diz o fisiatra Fabricio Hada, especialista em fisiatria e dor.

O processo de reabilitação demora em média alguns meses e a participação ativa do paciente é crucial para o sucesso da reabilitação

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O movimento paralímpico colocou a pessoa amputada em evidência, transbordando confiança e quebrando a discriminação. “O preconceito em ser um indivíduo amputado é uma barreira importante. Não é fácil convencer um paciente com um membro disfuncional a realizar a cirurgia de amputação para a colocação de uma prótese funcional com clara melhora na qualidade de vida”, frisa o ortopedista Dr. Oliver Ulson.

O esporte tem esse papel de varrer com o preconceito ao unir pessoas e agregar valor ao indivíduo. “Para cada paciente amputado ou com má-formação existe um tipo específico de prótese disponível. É muito importante uma avaliação com uma equipe multidisciplinar, seja atleta ou não”, ressalta o fisiastra Fabricio Hada.

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São diversos tipos de próteses usadas no universo paralímpico (Divulgação/CPB)

Sempre no limite

Assim como os atletas paralímpicos competem no máximo esforço, a tecnologia por trás das próteses está sempre no limite. É alto rendimento de quem compete e de quem dá condições para que haja competição de alto nível.

+ Acessibilidade e o papel do esporte na conquista de melhorias

“O que é mais incrível no desenvolvimento das próteses são aquelas que permitem um desempenho superior a de um indivíduo sadio, sem qualquer sequela, como aquelas vistas em amputados ao nível da tíbia que tem a função de mola em corredores e velocistas”, diz Dr. Oliver Ulson, ortopedista e traumatologista da Santa Casa de São Paulo. “Elas permitem através da força elástica uma impulsão superior a da musculatura da panturrilha.”

Claro que existem regras específicas para o uso das próteses no universo paralímpico. Há até uma projeção de que algumas próteses sejam alvo de proibição nas próximas décadas. Muito parecido com o que aconteceu com os trajes da natação e com os tênis para corredores de longas distâncias no olímpico. Nada eletrônico é permitido nas próteses, por exemplo.

“Como as próteses de membro inferior têm um impacto direto no resultado das corridas e saltos, o atletismo criou classes especificas (T61 a T64) para amputados no membros inferiores”, completa João Paulo Casteleti, Coordenador de Classificação Esportiva do CPB.

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Superação e glórias inspiram outros amputados (Daniel Zappe/Exemplus/CPB)

Só que fora das competição, as regras são outras e as opções são infinitas, com próteses eletrônicas e que respondem diretamente aos impulsos elétricos do corpo humano. Não há limites para a reconstrução dos corpos por meio de próteses.

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