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Paralímpicos

Paratletas cegos recorrem à tecnologia para driblar isolamento

Competidores do goalball, futebol de 5 e judô estão buscando alternativas através da tecnologia para seguirem ativos em meio ao isolamento do coronavírus

Atletas com deficiência visual treinando online (CBDV)

Com o isolamento social acarretado pela pandemia do novo coronavírus, os atletas com deficiência visual estão precisando deixar de lado as bolas com guizos e golpes no tatame e se manter ativos durante o período através da tecnologia. Sem a possibilidade de um home office, esportistas do goalball, futebol de 5 e judô terão perdas inevitáveis nas áreas física e técnica, mas estão buscando minimizar isso e seguir ligados ao esporte por meio da internet.

Futebol de 5

Atual tricampeã brasileira de futebol de 5, a Agafuc, do Rio Grande do Sul, viu a sua quadra em Canoas se transformar em depósito de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), utilizados pelos profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus. Diante disso, o clube recorreu à tecnologia.

“Enviamos aos atletas os exercícios por áudio e vídeo no nosso grupo do WhatsApp, cobrando para que treinem pelo menos duas vezes por semana. Eles têm de mandar fotos e vídeos para nós mostrando a execução das atividades. São exercícios de alongamento e alguns básicos com bola”, explicou Rafael Astrada, treinador da equipe do melhor jogador do mundo desta modalidade, o ala Ricardinho.

No caso do Maestro-PR, atual campeão da Série B no futebol de 5, as instruções da comissão técnica comandada por Fábio Costa também são passadas através da tecnologia, por mensagens de áudio e vídeo. Depois, os atletas se reúnem por videoconferência para tirarem dúvidas e acertarem detalhes do treinamento.

“Realizamos semanalmente um encontro via aplicativo Zoom para melhor entendimento das instruções técnicas”, contou Renata Pozzi, gestora do time idealizado pelo ex-jogador de futebol Ricardinho.

Goalball

Atletas cegos do goalball, futebol de 5 e judô estão buscando alternativas através da tecnologia para seguirem ativos em meio ao isolamento do coronavírus.
Atletas do goalball não estão podendo treinar (Miriam Jeske/brasil2016.gov.br/HeusiAction)

Campeão nacional do goalball em 2019 tanto no masculino quanto no feminino, o Sesi-SP utilizou os treinos à distância por cerca de dois meses devido à pandemia do coronavírus, mas a comissão técnica vem trabalhando presencialmente com parte dos dois times em Suzano desde o início deste mês.

Com outras modalidades paralímpicas sob sua organização, o Sesi-SP faz as atividades dentro da academia em horários exclusivos para quem é do goalball. Ao chegar até o ginásio, cada atleta tem a temperatura medida e segue até o vestiário, já previamente higienizado. A quadra também é desinfetada pelo próprio treinador Diego Colletes.

“A gente sabe que para os atletas de alto rendimento fica muito difícil passar tanto tempo totalmente afastados do contato com bola. Mudei totalmente a estratégia de treino. Normalmente não trabalhamos de forma tão individualizada”, disse Colletes.

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Quem não conta com a mesma estrutura acaba tendo a tecnologia como única saída. “Tenho feito fichas com os exercícios para cada grupo muscular. Envio e eles retornam mostrando como estão fazendo a execução”, explicou Diego Valadares, treinador da Adevibel-MG, campeão da Série B entre os homens no ano passado.

 “A gente fez um mapeamento do espaço que cada uma tem em casa. E elaboramos treinos nos quais elas consigam executar os movimentos de acordo com esses espaços”, disse Gabriel Goulart, técnico do Cetefe-DF, atual vencedor da segunda divisão feminina.

Judô

Diferentemente do futebol de 5 e do goalball, em que se aplicam treinos técnicos individualmente, no judô o distanciamento social torna impossível aprimorar os golpes sem um oponente. O jeito, então, é treinar com quem está passando o período de isolamento social do coronavírus.

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“Minha esposa entrou na dança. Ela bota quimono, eu faço entradas de golpe, ela fica parada, não dá para fazer mais do que isso (risos)”, contou Roberto Paixão, campeão na categoria até 60 kg do último Grand Prix Internacional de Judô Paralímpico.

“Estou treinando em ritmo forte dentro das limitações impostas pelo isolamento social. Meu marido, que também é preparador físico, me auxilia nessa rotina”, contou Maria Núbea Lins, da seleção brasileira, outra que utiliza o marido como sparring.

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