Destaque nacional após conquistar a primeira medalha paralímpica da história do Brasil no badminton, Vitor Tavares segue com ambições altas. Em entrevista ao site oficial da Federação Mundial de Badminton (BWF), o paranaense de 28 anos afirmou que seu objetivo a curto prazo é “trocar a cor da medalha” no Mundial da modalidade, previsto para acontecer em 2026, no Bahrein.
Nos Jogos Paralímpicos de Paris-2024, ele conquistou o bronze. Em 2025, embala uma fase de crescimento esportivo. Em maio, conquistou dois ouros seguidos nos torneios de Dubai e Bahrein.
Inspiração para novas gerações
O impacto da medalha paralímpica foi imediato. Desde Paris, Tavares conta se tornou figura conhecida, passando a ser reconhecido em público e a ver de perto o crescimento do interesse pelo badminton. Ele tem visitado escolas em diferentes regiões do país para contar sua trajetória de superação e disciplina.
“Eu nunca imaginei o quanto uma medalha poderia mudar vidas – não só a minha, mas a de tantos jovens que agora enxergam o badminton como um caminho”, declarou o atleta, que vive em Curitiba. “É um sentimento de orgulho, mas que também vem com responsabilidade. Quero dar o melhor exemplo para essas crianças que me veem como inspiração.”
Mentalidade, disciplina e estrutura
Desde a derrota na disputa pelo bronze em Tóquio 2020, Tavares tem trabalhado intensamente o lado mental. A ideia, segundo ele, é manter a calma durante os jogos e tomar decisões difíceis com serenidade. “A primeira coisa em que venho trabalhando é a mente. Jogar com tranquilidade e sem pensar demais. Só assim consigo entregar o melhor em quadra.”
O técnico Ítalo Hauer, que acompanha o atleta há anos e hoje é o treinador principal da seleção brasileira de parabadminton, elogia a evolução do pupilo. “A disciplina do Vitor sempre foi sua maior força. Após Tóquio, listamos tudo o que precisava melhorar. Ele seguiu à risca e o crescimento nesses três anos foi incrível — não só como jogador, mas como pessoa.”
Popularização e estrutura de base
A medalha de Tavares também teve efeito prático no crescimento da modalidade no Brasil. De acordo com a BWF, hoje o país conta com mais de 180 atletas disputando competições nacionais. Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e Confederação Brasileira de Badminton (CBBd) têm atuado em parceria, promovendo treinamentos, eventos e programas de desenvolvimento em todo o território nacional.
“Diferente de países asiáticos, o Brasil não tem tradição no badminton. Mas isso está mudando, e o feito do Vitor em Paris foi um divisor de águas”, afirmou Hauer.