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Depressão - Depressão no esporte - Setembro Amarelo

Olimpíada

Setembro Amarelo: precisamos falar de depressão no esporte

No Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, o OTD fala da importâcia de se conscientizar sobre a depressão no esporte e na vida

Depressão é a principal causa de suicídio no mundo (Divulgação)

Setembro Amarelo: precisamos falar de depressão no esporte

O dia 10 de setembro é considerado o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A principal causa do suicídio é a depressão, doença que acomete mais de 320 milhões de pessoas no mundo todo, segundo dados do ano passado da OMS (Organização Mundial da Saúde). E o esporte não é exceção. Muitos atletas sofrem da doença, às vezes por motivos externos, mas outras vezes por razões ligadas diretamente à carreira. Por isso, é necessário falar sobre depressão no esporte como forma de prevenção, conscientização e também ajuda.

“Não tinha força para fazer nada! Eu me sentia muito mal. De vez em quando eu fazia algumas coisas, mais por causa da minha família, porque eu via que eles estavam sofrendo muito com o estado que eu estava. Mas por mim, eu ficava só deitada, sem ver ninguém”. A fala é de Cátia Oliveira, atleta do tênis de mesa paralímpico. Ela sofreu um grave acidente de carro em 2007 e ficou paraplégica aos 17 anos. 

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No dia do acidente, ela seria convocada para o Mundial sub-17 de futebol feminino. A ficha demorou a cair. Por muito tempo, Cátia achou que voltaria a andar, mas aos poucos, ela percebeu que não seria bem assim. “Os meses foram passando e eu vi que o negócio era mais sério. Comecei a ficar revoltada, não queria ver uma cadeira de rodas na minha frente, não queria que ninguém fosse me visitar”. 

Cátia Oliveira - Depressão no Esporte
Cátia Oliveira achou sua força no esporte para dar a volta por cima (Instagram/catiaoliveira_oficial)

Ajuda profissional

Depressão é uma doença como qualquer outra e exige tratamento, acompanhamento e diagnóstico de um profissional. É comum que muitas pessoas achem que podem sair do quadro depressivo sozinhas, mas a ajuda de quem entende é sempre importante, mesmo que às vezes seja uma tarefa difícil. 

“Fiz muitos tratamentos com vários psicólogos, mas eu era uma pessoa muito fechada. Então as psicólogas vinham falar comigo, eu falava que estava tudo bem e não queria conversar. Para mim era muito difícil”, contou Cátia.

“A depressão é um transtorno psicológico que atinge a população enquanto um todo. Portanto os atletas não estão isentos a ela. Ela apresenta várias causas, bem como pode também ser efeito no universo esportivo. Uma vez identificada a causa da depressão, a intervenção deve ser feita imediatamente e a indicação correta também, desde indicação ao médico psiquiatra, assim como ao acompanhamento psicológico clínico para reabilitação desse atleta”, explica Alessandra Dutra, psicóloga do COB (Comitê Olímpico do Brasil).

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O próprio COB vem investindo cada vez mais na saúde mental de seus atletas, entendendo que o psicológico é tão importante quanto o físico. 

“Entendemos que o atleta funciona dentro de uma tríade: técnica/tática, física e mental. E dentro do COB temos sim a preocupação com a intersecção desempenho e saúde mental. Dentro do laboratório olímpico há um protocolo psicológico que é aplicado no atleta que entra para se submeter a qualquer tipo de intervenção interdisciplinar. Uma vez identificado algum indicador de depressão ou qualquer transtorno que possa interferir significativamente na vida integral do atleta, vemos se ele está em acompanhamento psicológico ou não e se faz então as intervenções necessárias para o acolhimento adequado e as devidas orientações”.

Alessandra Dutra - Depressão
No meio, Alessandra Dutra, com a seleção de caratê (Instagram/viniciusfigueira)

É preciso falar

A depressão ainda é muitas vezes subestimada e não recebe a devida seriedade que precisaria, assim como muitas outras doenças mentais. Mas só que passou por isso sabe que de simples, não tem nada. 

“Depressão é uma doença sim e muito séria. Infelizmente, tem pessoas que acham que quando a gente fala que não quer sair, ter contato, é frescura. E não é, é muito sério. A gente precisa de ajuda! E tem muita gente que tem medo de falar que tem depressão, porque tem medo de ser julgado.Temos que parar de julgar as pessoas”, pontua Cátia Oliveira. 

Por isso, o primeiro passo no combate à depressão é desmistificá-la. E o segundo passo é falar sobre ela, divulgar mais sobre o que é, seus sintomas e tratamentos, para que se possa prevenir quem pode vir a ter e ajudar que já tem. 

Cátia Oliveira
Em 2018, Cátia Oliveira foi vice-campeã mundial (Instagram/catiaoliveira_oficial)

“É extremamente necessário falar sobre depressão. Só assim poderemos desmistificar o transtorno e poder ajudar da forma mais adequada possível. Escutar sobre as necessidades dos atletas, suas angústias, suas aflições, cobranças… Compartilhar com os demais, traçar programas e projetos de prevenção estimulam a saúde mental e proporcionam o empoderamento dela a favor do bem estar e da busca da performance de forma mais saudável”, explica Alessandra Dutra. 

“Não tenham medo ou vergonha de falar que tem depressão, porque a gente não está bem e precisa de ajuda. Por mais que a gente tente sair sozinha, às vezes a gente não consegue, porque estamos tão mal, que não temos forças. Quando a gente fala para qualquer pessoa que esteja do nosso lado, elas podem ajudar muito. Então quando a gente parar de julgar, olhar para o outro e entender que depressão é uma doença, a gente vai ajudar muitas pessoas”, concluiu Cátia.

A reportagem acima foi publicada em apoio ao Setembro Amarelo, mas a conscientização sobre depressão, doenças mentais e suicídio deve e precisa continuar. Para mais informações, visite o site da Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos) e do governo federal.

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