A dobradinha brasileira nos 100m peito dos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé-2026 ofereceu mais do que duas medalhas ao Brasil. Depois da prova, Caio Pumputis e João Gomes Júnior fizeram uma análise detalhada do momento que atravessam na temporada e dos diferentes caminhos que seguirão na preparação para as principais competições do ciclo olímpico.
João terminou a prova com sua melhor marca de 2026. O desempenho confirmou uma evolução importante para o nadador, que passou aproximadamente um ano afastado das competições e ainda busca recuperar completamente o ritmo competitivo. Caio, por sua vez, estabeleceu o recorde dos Jogos e reforçou o bom momento antes da preparação para o Mundial de piscina curta.
Os dois também destacaram a importância de competirem juntos. Companheiros no Pinheiros e na seleção brasileira, eles dividiram o pódio pela segunda semana consecutiva. A parceria, porém, não elimina a disputa dentro da piscina.
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João Gomes recupera ritmo de competição
A principal leitura de João Gomes Júnior foi sobre a sequência de evolução apresentada nas últimas competições. Depois de recuperar o ritmo de treinamento, o experiente nadador entende que agora precisa reconstruir a capacidade de competir em alto nível.
“Eu estou retomando o ritmo de competição. Já voltei ao ritmo de treino, agora preciso pegar o ritmo de competição. Emendar essas três competições seguidas foi muito importante para mim. No Pan-Pacífico, eu não nadei tão bem os 100m. Achei que nadaria um pouco melhor pelo que estava apresentando nos treinos, mas é a competição que determina. No Finkel, já fui muito melhor e aqui fui melhor ainda, mais do que eu esperava”, analisou João.
A marca obtida em Santa Fé também aumentou a confiança do brasileiro em uma prova na qual possui uma longa trajetória internacional. João explicou que conseguiu sustentar a estratégia até os metros finais, mesmo diante das condições enfrentadas durante a competição.
“Para mim, é muito importante voltar a nadar bem essa prova. Eu queria nadar próximo dessa casa, um minuto baixo, um minuto alto. Saí para arriscar tudo e, no final, dei uma quebrada. Ainda estou pegando o ritmo de voltar a nadar essa prova. De manhã estava muito frio e foi tudo corrido. Falei: ‘Seja o que Deus quiser, vou tentar fazer minha prova o máximo possível’. Deu certo até os 85 metros, quando consegui segurar”, contou.
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Estratégias diferentes dentro da piscina
João e Caio conversaram antes da final e traçaram estratégias distintas. Enquanto o primeiro decidiu atacar a passagem inicial, o segundo preferiu controlar o ritmo nos primeiros 50m. A combinação proporcionou uma disputa direta entre os brasileiros até a parte final da prova.
“Eu avisei: ‘Caio, vou passar na frente, vou atacar a minha passagem’. Ele falou que passaria um pouco mais tranquilo. A gente se entende ali e, no final, vence o melhor. Existe a rivalidade na água, lógico. Eu quero ganhar e ele quer ganhar. Mas sabemos que é sempre pelo clube ou pelo Brasil. Para mim, hoje, o importante é termos o máximo possível de atletas no pódio”, afirmou João.
“Para mim, é muito importante estar próximo do Caio, porque sei como ele nada. Acabo me medindo por ele. É muito importante dividir o clube e o pódio com ele. Só tenho gratidão”, completou.
Adaptação entre piscinas curta e longa
A prova em Santa Fé aconteceu depois de uma sequência intensa para os dois nadadores. Eles precisaram lidar com viagens, mudanças de competição e a adaptação entre piscinas de 25m e 50m.
“Eu vim do Pan-Pacífico e, duas semanas depois, competi o Finkel. Você precisa mudar e se ajustar. Tive uma semana depois do Pan-Pacífico para me adaptar à piscina curta. Conseguimos fazer essa mudança um pouco mais rápido porque estendemos o polimento. Eu venho de um polimento de aproximadamente um mês e meio, enquanto o Caio vem de três a quatro semanas”, explicou.
Os próximos passos serão diferentes. Caio seguirá a preparação voltada ao Mundial de piscina curta. João pretende continuar disputando provas em piscina longa, com atenção especial aos 50m peito e às seletivas de 2027.
“Teoricamente, voltamos agora e descansamos. O Caio já entra no ritmo do Mundial de piscina curta e eu vou para o US Open de piscina longa. Já estou pensando na minha seletiva do ano que vem, nos 50m peito. Preciso competir mais em piscina longa. Mesmo se tivesse feito o índice para o Mundial de curta, optaria pelo US Open para nadar mais vezes em piscina longa”, detalhou João.
Caio comemora marca sem pressão pelo recorde
Caio Pumputis afirmou que entrou na final sem a cobrança de perseguir uma marca específica. O objetivo principal era vencer a prova e dividir novamente o pódio com João, assim como havia acontecido na semana anterior pelo Pinheiros.
“Faço das palavras do João as minhas. Foi uma prova em que entramos sem muita expectativa. Claro que sempre queremos fazer um tempo bom, mas sem aquela cobrança de pensar em tempo o tempo inteiro. Fico feliz com esse resultado. Na semana passada, estávamos dividindo o pódio representando o Pinheiros, em primeiro e segundo. Agora, novamente em primeiro e segundo, mas representando a seleção brasileira. É muito gratificante para mim”, disse Caio.
O recorde dos Jogos apareceu como consequência da disputa. Segundo Caio, os dois sabiam que a marca estava ao alcance, mas não transformaram o tempo em uma obrigação antes da largada.
“A gente entrou pensando em tentar ganhar a prova. Eu falei que quem ganhasse, quem batesse na frente, estaria feliz com o resultado. Não estava mirando muito o recorde, mas sabia que ficaríamos próximos. Era um recorde plausível. Fiquei muito feliz com o resultado, com a marca e por ter batido o recorde da competição”, concluiu.
No encerramento da entrevista, os dois projetaram a continuidade da parceria até os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028. Antes disso, porém, apontaram os Jogos Pan-Americanos de Lima-2027 como a primeira grande meta conjunta do ciclo.



