A medalhista mundial Etiene Medeiros voltou ao lugar mais alto do pódio no Troféu Maria Lenk. Nesta quinta-feira (21), no Parque Aquático Júlio Delamare, no Rio de Janeiro, a pernambucana venceu os 50m costas com o tempo de 28s43 e marcou oficialmente o retorno à alta performance após três anos afastada das competições em alto nível.
Mais do que o título brasileiro, a vitória simboliza o início de uma nova fase da carreira da nadadora. Etiene está vivendo o pós-maternidade e um processo gradual de reconstrução física, emocional e competitiva. “Estamos numa reconstrução”, resumiu a atleta após a conquista.
+ SIGA O OTD NO WHATSAPP, YOUTUBE, TWITTER, INSTAGRAM, TIK TOK E FACEBOOK
- Brasil fecha Grand Prix de Cali com 36 medalhas no atletismo paralímpico
- O dia do Brasil no esporte: confira a agenda desta segunda, 21 de setembro
- Final de duplas do SP Open, com Luisa Stefani, é adiada para segunda-feira
- Brasil se garante no top-6 da classe quad na Copa do Mundo de tênis em CR
- Quadro de medalhas dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026
Paris reacendeu o sonho olímpico
Etiene revelou que a vontade de voltar a competir em alto nível começou a ganhar força durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Da arquibancada, acompanhando as disputas grávida do filho, a nadadora percebeu que ainda queria viver novamente o ambiente olímpico.
“Teve um burburinho dentro de mim durante os Jogos de Paris, que eu acho que foi muito emotivo ali. Sentir o meu filho, sentir aquela presença no dia em que eu estava vendo a prova do Marchand ganhando medalhas de ouro, com o presidente da França presente… E eu vi o quanto os Jogos Olímpicos representam para o mundo.”
Segundo ela, o momento vivido em Paris foi determinante para o retorno à natação competitiva.
“Eu estava na arquibancada e aquilo mexeu muito comigo. Encontrei a Fabíola, encontrei ex-atletas lá em Paris, e todo mundo me dando forças. Então, quando eu voltei para a Austrália, eu tive o meu filho e aí surgiu essa notícia [dos 50m costas sendo incluídos nos Jogos de Los Angeles 2028]. E aí o Fernando Vanzella (treinador) falou: ‘Eu acho que tudo são sinais para que a gente consiga fazer acontecer.’”
Cinco meses de treino em alta performance
Apesar do ouro no Maria Lenk, Etiene reforçou que ainda está distante do auge físico da carreira. A nadadora explicou que retomou os treinamentos de alta performance há apenas cinco meses. Antes disso, o foco principal estava no processo de recuperação física após a gravidez.
“De junho até dezembro foi um processo de perda de peso e de entender o ritmo que eu estava. De janeiro para cá foi realmente voltar a treinar performance”, afirmou.
Ela também detalhou a evolução recente nos tempos dos 50m costas. “Comecei o ano nadando na casa dos 29 segundos. Depois fui para 28 alto, 28.8 e agora 28.4.”
A atleta ressaltou que o retorno ainda acontece de forma gradual. “Tenho um longo caminho pela frente. Tenho só um ano e meio de pós-parto. Ainda estou entendendo os desafios.”
Uma nova Etiene dentro da piscina
Acostumada durante grande parte da carreira a competir em múltiplas provas, Etiene explicou que vive uma realidade completamente diferente neste retorno. Hoje, o foco está concentrado exclusivamente nas provas rápidas. “Hoje eu só nado 50 metros. Antigamente eu nadava muitas provas, 100 metros e revezamentos. Agora é uma outra formação para mim.”
A nadadora também admitiu que ainda tenta entender qual é sua atual versão competitiva após tantos anos de carreira. “O momento agora é entender como está a Etiene hoje dentro da competição.”
Retorno acontece aos 35 anos
Prestes a completar 35 anos, Etiene afirmou enxergar o atual momento da carreira de maneira diferente da atleta que iniciou na seleção brasileira ainda adolescente. Segundo ela, o retorno traz uma carga emocional muito maior. “A gente vira mãe, existe uma carga hormonal muito grande. Quando somos mais novas, não temos noção dos processos da vida.”
Mesmo assim, a campeã brasileira acredita que a experiência acumulada ajuda no processo de reconstrução.
Rede de apoio virou peça fundamental
Etiene também destacou que o retorno só foi possível graças ao suporte familiar e estrutural recebido nos últimos meses. A atleta revelou que o projeto de voltar à natação competitiva se tornou um esforço coletivo. Ela citou especialmente o apoio do marido, da família e da equipe que abraçou o processo de retomada.