O brasileiro Gabriel Araújo precisou se virar, literalmente, para ganhar a medalha de ouro nos 200 m livre no Mundial de Natação Paralímpica nesta quarta-feira (24). Deu certo e, com isso, ele assegurou o segundo dos três tricampeonatos que se propôs a conquistar neste ano em Singapura.
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Durante os primeiros 100 metros, Gabrielzinho e o russo Vladimir Danilenko travaram uma disputa acirrada, com o brasileiro nadando peito e o adversário, costas. Gabriel vencia com apenas 19 centésimos e via ameaçado o reinado em uma das suas três principais provas. Na virada para a terceira piscina, ele mudou para o nado costas e passou a alargar a vantagem. Nos últimos 50 metros, voltou ao nado peito e venceu.
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“Tive que virar de costas. Não foi como o planejado, mas para ganhar, para nadar rápido, eu sei o que tenho que fazer”, disse Gabrielzinho, atual tricampeão mundial nos 50 m costas e, por enquanto, “apenas” bi nos 100 m costas. Ele ainda vai em busca do tri nos 100 m costas em Singapura na final a ser disputada nesta sexta-feira (26). “Conheço os atalhos, o caminho. Foi o que eu fiz. O tempo veio e foi sensacional. Estou muito feliz”, acrescentou.

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“Confio em mim”
Gabrielzinho disse que a prova foi “diferente de todas que já nadei até hoje. Mostra o que é um trabalho bem feito, um planejamento bem feito, uma boa rotina de treinos. Esse ano, tive muitos problemas de treino, questão de técnica, de encaixar o nado. Foi chegando a época do Mundial, foi encaixando, ficando perfeito. Durante o período de treino, meu treinador [Fábio Antunes] falou para mim que estava ruim, que eu precisava resolver. Eu confio em mim, nele, e ele confiou muito em mim também”, completou.
Com o resultado, o mineiro de 23 anos garantiu a oitava medalha de ouro e manteve a invencibilidade nas três principais provas de seu programa, nas três edições de Mundial de Natação Paralímpica que disputou. Venceu as três na Ilha da Madeira 2022 e em Manchester 2023 e, até agora, duas delas em Singapura.
Talisson e Gesteira
Além do ouro de Gabrielzinho, o Brasil conquistou cinco medalhas no quarto dia do Mundial de Natação Paralímpico. Duas delas, com Talisson Glock e Mariana Gesteira, foram de prata.
Talisson Glock foi vice-campeão nos 400 m livre S6, prova em que é o atual bicampeão paralímpico. “Fico feliz com a prata. O tempo realmente não foi muito bom, mas melhor do que eu esperava. Foi um ano em que decidi desacelerar nas coisas para focar em outras áreas da vida e isso tem um certo preço. Agora é organizar a cabeça para nos próximos anos estar alinhado com o objetivo de estar bem nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028. É muito difícil. Como atleta tenho um lado competitivo muito forte e sinto isso estando aqui. Mas esse sentimento pode se transformar em algo positivo. Vou guardar ele para fazer mais força durante os treinos e alcançar meus objetivos”, afirmou.
Mariana Gesteira fez o caminho inverso e subiu um degrau no pódio dos 100 m costas da classe S9. Foi bronze em Paris-2024 e prata agora em Singapura. “É sempre uma honra representar o Brasil em competições como esta. Quero agradecer a todos pela torcida, que faz muita diferença para mim dentro da piscina. Ainda tenho mais duas provas importantes pela frente: os 100m costas, no dia 26, e os 50m livre, no dia 27, em que sou bicampeã mundial. Vou dar o meu máximo para continuar trazendo bons resultados para o Brasil”, disse a atleta, que conquistou sua nona medalha em Mundiais.