Cortina D’Ampezzo – O Time Brasil terminou os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 com a melhor campanha de sua história. O destaque fica com a medalha de ouro de Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino. Mas para além do pódio inédito, o Brasil teve um bom desempenho nas outras modalidades, com vários recordes nacionais e colocações entre as principais potências dos esportes de inverno.
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Ao todo, foram oito resultados no top-30 dos Jogos Olímpicos de Inverno, com cinco deles no top-20. Antes os melhores anos do Brasil foram 2014 e 2022. Nas duas ocasiões, tivemos cinco resultados dentro do top-30. Mesmo desconsiderando Lucas Pinheiro Braathen e seu talento fora da curva, a métrica mostra como o Brasil está cada vez mais competitivo nos esportes de inverno. Marcamos presença em modalides diferentes e não estamos mais lutando apenas pelas últimas colocações.
Top-20 radicais
No snowboard, competimos pela primeira vez no halfpipe. E colocamos nossos dois atletas no top-20. Pat Burgener foi o 14º colocado. Havia uma expectativa de uma final para o atleta, mas não deixa de ser o segundo melhor resultado masculino do Brasil em uma Olimpíada de Inverno. Já o 19º lugar de Augustinho Teixeira é interessante, pensando na perspectiva de melhora do jovem atleta para daqui quatro anos.

Nicole Silveira ficou em 11º lugar no skeleton. Um resultado que mostra a consistência da atleta que se mantém entre as 15 melhores do mundo desde 2022. O cenário no topo do skeleton feminino atualmente é muito embolado, com essas 15 atletas sempre alternando posições nas etapas de Copa do Mundo. Calhou que a Olimpíada foi disputada em uma pista que Nicole ainda não domina, o que fez com que a briga por um top-10 ficasse mais difícil. Já no bobsled, um 24º lugar no two-man e a missão principal cumprida: 19ª colocação no four-man, o melhor resultado da história do Brasil na modalidade.
Evolução no cross-country
No esqui cross-country, o top-30 veio no team sprint feminino com Bruna Moura e Eduarda Ribera fechando a prova na 21ª colocação. As brasileiras melhoraram o 23º lugar de Beijing-2022. Além disso, elas ficaram a poucos segundos da vaga na final. E marcar presença numa prova dessas é importante para um país como o Brasil que ainda é emergente no cross-country.

Destaque também para o 48º lugar de Manex Silva no sprint individual masculino. O acriano tem se especializado na prova e demonstrou grande evolução nos últimos dois anos. É um nome que tem totais condições de melhorar sua performance para tentar um top-30 em um Campeonato Mundial, Copa do Mundo ou na próxima Olimpíada de Inverno.
História feita no esqui alpino
No esqui alpino, Alice Padilha e Christian Oliveira não completaram suas provas. Mas foi interessante ver os resultados de Giovanni Ongaro. Se antes o Brasil tinha dificuldade de ficar entre os 40 primeiros colocados, ele teve um 27º lugar no slalom e a 31ª posição no slalom gigante.

Por fim, tivemos nosso campeão olímpico Lucas Pinheiro Braathen fazendo história para o Brasil e a América Latina. A medalha brasileira estava no caminho e talvez demorasse mais umas duas ou três edições dos Jogos Olímpicos de Inverno. Lucas catapultou esse processo e fez com que ela chegasse já em 2026. Será interessante ver o impacto da conquista para 2030, já que deve atrair maiores investimentos para os esportes de inverno no Brasil, além de incentivar jovens brasileiros que morem no exterior a experimentar as modalidades de gelo e neve.
Ao final, o Brasil encerra os Jogos Olímpicos de Inverno no 19º lugar no quadro de medalhas. Algo impensável alguns anos atrás, quando o país iniciou sua jornada na neve e no gelo. Ficamos na frente de tradição como Finlândia, Letônia, Bulgária e Estônia, onde a prática de esportes de inverno é mais fácil. Agora é focar em 2030. Mas até lá, o OTD segue acompanhando todas as provas dos atletas brasileiros, seja na neve ou no gelo.