Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 terão disputas em 15 modalidades diferentes. Nesta série de textos, o OTD apresenta cada um desses esportes. Um deles é o skeleton, disciplina de descida em trenó, onde o Brasil chega na Olimpíada com chance de medalha com a gaúcha Nicole Silveira.
Conheça o skeleton
O skeleton é uma das três modalidades de trenó dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. A modalidade surgiu na Suíça, no final do século XIX. Quando o esqui ainda não era praticado na Europa Central, soldados britânicos na Suíça construíram uma pista de tobogã entre as cidades de Davos e Klosters. Pistas similares já existiam na América do Norte, mas os soldados fizeram uma pista diferente na Suíça, com curvas diferentes para fazer a brincadeira mais desafiadora. E com trenós rudimentares que pareciam esqueletos, assim nascia o skeleton.

No skeleton, os atletas descem a pista sozinhos no trenó, de barriga para baixo e com a cabeça para frente. Na largada, os correm segurando uma das alças do trenó e saltam para assumir deitar no aparelho. O trenó é controlado através de movimentos que o atleta faz com o seu corpo, direcionando o equipamento com gestos do ombro e das pernas. Durante a descida, os trenós podem passar os 140 km/h nas pistas mais velozes.
A prova é disputada em uma série de tomadas de tempos. Nos Jogos Olímpicos de Inverno, são quatro descidas para cada atleta, divididas em dois dias. Os medalhistas serão aqueles com os tempos mais rápidos na soma das quatro rodadas. Em Milão-Cortina 2026, também haverá a disputa de equipes mista, onde um homem e uma mulher do mesmo país descem a pista uma vez, com a soma dos tempos definindo as medalhas.
Nova pista olímpica

O skeleton em Milão-Cortina 2026 será disputado na Pista Eugenio Monti, que recebeu as provas de trenó nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1956 em Cortina D’Ampezzo. A pista estava desativada desde 2008 e foi reconstruída para a Olimpíada deste ano com um novo traçado. A pista tem 16 curvas e um traçado de 1445m. Os atletas largam numa altitude de 1321m, com a chegada a 1254m acima do nível do mar.
O skeleton nos Jogos Olímpicos de Inverno
Por muitos anos, o skeleton ficou de fora dos Jogos Olímpicos de Inverno, sendo disputado primeiramente apenas nas edições de 1928 e 1948, realizados em St. Moritz, na Suíça. O esporte entrou de vez no programa olímpico em Salt Lake City-2002.
A Grã-Bretanha é o país com mais medalhas olímpicas no skeleton com nove. São três ouros, uma prata e cinco bronzes. Os Estados Unidos têm oito pódios, enquanto a Alemanha já ganhou seis medalhas olímpicas no skeleton. Mas nos últimos anos, mais países tem começado a frequentar o pódio na modalidade como Canadá, Holanda, China, Coreia do Sul e até o Brasil pode aparecer no pódio em Milão-Cortina 2026.
Nicole Silveira leva as cores do Brasil no skeleton
Atual presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG) e chefe de missão do Time Brasil em Milão-Cortina 2026, Emílio Strapasson foi o primeiro brasileiro a participar de competições oficiais de skeleton, disputando etapas do circuito mundial e conseguindo um 30º lugar no Campeonato Mundial de 2011. Alguns anos depois, o Brasil fez a sua estreia no esporte nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude em 2016.
A melhor atleta brasileira da história do skeleton é Nicole Silveira. Ela começou na modalidade em 2017 e com pouco tempo de prática, já mostrou uma grande evolução, conseguindo seus primeiros top-20 em etapas de Copa do Mundo e no Mundial de 2021. Na última Olimpíada de Inverno, em Beijing-2022, ela ficou no 13º lugar. Esse é até hoje o melhor resultado do Brasil em esportes de gelo em Olimpíadas.

Neste ciclo olímpico, Nicole Silveira evoluiu ainda mais. Ela chega em Milão-Cortina 2026 como uma das candidatas ao pódio no skeleton feminino, apesar de não ser uma das principais favoritas. Nicole ficou em quarto lugar no Mundial de 2025 e foi campeã pan-americana no ano passado. Nas últimas duas temporadas, ela ganhou três medalhas em etapas de Copa do Mundo, competindo contra as principais atletas do planeta. Nesta temporada, ela ficou em 10º lugar na classificação geral da Copa do Mundo, com o melhor resultado sendo a terceira posição na etapa de St. Moritz, na Suíça.
As estrelas

O principal nome do skeleton para Milão-Cortina 2026 é o britânico Matt Weston. Ele ficou com o título geral da Copa do Mundo de Skeleton nas últimas três temporadas e foi campeão mundial em 2023 e 2025. Weston venceu cinco das sete provas da Copa do Mundo 2025/2026 e chega a Cortina D’Ampezzo como o homem a ser batido.

No skeleton feminino, a disputa é mais aberta. A belga Kim Meylemans foi a campeã geral da Copa do Mundo 2025/2026. Esposa de Nicole Silveira, ela dominou o circuito com três ouros e dois bronzes em sete corridas. Do forte esquadrão alemão, destaque para a atual campeã olímpica Hannah Neise e Jacqueline Pfeiffer, prata em 2018, e que venceu o evento teste na nova pista de Cortina. Quem também está de olho em uma medalha olímpica inédita é a austríaca Janine Flock. A veterana é tetracampeã europeia e tem mais de 40 medalhas em etapas de Copa do Mundo, mas ainda falta um pódio olímpico no seu currículo.