A estrevista especial com Ana Marcela Cunha foi ao ar nesta sexta-feira (29) no canal do Olimpíada Todo Dia no YouTube. Campeã olímpica e multicampeã mundial das águas abertas, a brasileira abriu os bastidores da preparação para um dos maiores desafios da carreira: atravessar o Canal da Mancha em 2026. Clique no player acima para assistir!
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Na conversa com Fernando Gavini e Gabriel Gentile, Ana Marcela explicou por que decidiu encarar a travessia entre Inglaterra e França ainda como atleta de alto rendimento. A nadadora contou que o Canal da Mancha era um sonho antigo, que acabou ficando em segundo plano depois de conquistas em Jogos Olímpicos, Mundiais e Jogos Pan-Americanos, mas que voltou a ganhar força em um ano mais tranquilo no calendário competitivo.
Canal da Mancha como novo desafio
Durante a entrevista, Ana Marcela destacou que a travessia é diferente de uma competição tradicional. Segundo ela, no Canal da Mancha não há adversárias diretas, boias ou um circuito delimitado. O desafio envolve a relação com o mar, a orientação pelo barco, a leitura das correntes e, principalmente, o controle mental durante horas de esforço.
No melhor cenário, a travessia deve ter entre 33 e 34 km em linha reta. Mas as condições do dia podem mudar completamente o percurso. Corrente, maré, temperatura da água, vento e o ponto de chegada interferem diretamente no tempo e na dificuldade da prova.
Sem neoprene e com água fria
Outro ponto abordado por Ana Marcela são as regras tradicionais do Canal da Mancha. A brasileira explicou que não poderá usar neoprene, maiô de competição até o pé, duas toucas ou touca de neoprene. A travessia deve ser feita com maiô, touca e óculos, respeitando o modelo histórico da prova.
A temperatura da água também será um dos principais desafios. Ana Marcela projeta uma travessia em água entre 15 e 18 graus, podendo variar de acordo com as condições do verão europeu. Por isso, parte da preparação será voltada para adaptação ao frio e para treinos em ritmo mais cadenciado do que o usado em provas tradicionais de 10 km.
Treino no escuro e Guinness no barco
Na entrevista ao OTD, Ana Marcela também revelou detalhes da preparação. Um dos treinos previstos será um simulado de 12 horas na Represa Billings, em São Paulo, das 20h às 8h. O objetivo é testar a sensação de nadar no escuro, já que a largada no Canal da Mancha pode acontecer de madrugada, dependendo da maré e da janela escolhida pela organização.
A brasileira também contou que a equipe deve ter um representante do Guinness no barco, além do árbitro oficial da travessia. A presença serviria para facilitar a validação do tempo caso ela nade abaixo da melhor marca registrada. Mesmo assim, Ana Marcela reforçou que não quer transformar o recorde em cobrança. Para ela, o desafio tem peso de realização pessoal e profissional.
Caminho até Los Angeles 2028
A entrevista também passa pelo futuro da carreira. Depois do Canal da Mancha, Ana Marcela tem no calendário os Jogos Sul-Americanos, etapa importante para a classificação do Brasil aos Jogos Pan-Americanos. A campeã olímpica não cravou presença em Los Angeles 2028, mas deixou claro que o caminho até a próxima Olimpíada segue no radar.
Além da travessia, Ana Marcela falou sobre renovação nas águas abertas brasileiras, o papel das novas gerações, os projetos fora das piscinas e o processo de transição para pensar o futuro sem deixar de competir em alto nível.
A entrevista completa com Ana Marcela Cunha estreia nesta sexta-feira (29), às 19h, no canal do Olimpíada Todo Dia.