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Ana Marcela ganha ouro inédito do Pan com a cabeça em Tóquio

Maratona Aquática

Ana Marcela ganha ouro inédito do Pan com a cabeça em Tóquio

Após a conquista do ouro da maratona aquática nos Jogos Pan-Americanos, que era inédita para o Brasil, Ana Marcela Cunha já traça planos visando a medalha olímpica em Tóquio 2020

Ana Marcela Cunha aumentou sua extensa galeria de conquistar ao conquistar, pela primeira vez na carreira, a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. A brasileira completou a prova de 10km da maratona aquática com uma vantagem enorme sobre a segunda colocada, a argentina Cecilia Biaglioli.  que chegou 31s3 atrás da nadadora baiana, que, logo depois de bater a mão no pórtico de chegada, mostrou o quanto já está focada em seu maior sonho: o pódio olímpico.

“Foi a primeira prova de 10km. A gente começa hoje a se preparar para os Jogos Olímpicos. A partir de amanhã, falta um ano para a nossa prova, do feminino. Então, acredito que começar com o pé direito, com essa medalha, não só que faltava, mas sendo ouro, foi muito importante nessa jornada até a prova dos 10km dos Jogos Olímpicos”, afirmou a nadadora, que acredita que tem que aprimorar até lá o final de suas provas.

Wander Roberto/COB

“Ainda tem bastante etapas de Copa do Mundo neste ano e no próximo, ainda tem Jogos Mundiais Militares e Jogos Mundiais de praia. Então, tem bastante competição ainda até daqui um ano e a gente espera manter esse alto nível que a gente está conseguindo a cada prova”, explicou Ana Marcela Cunha. “Era uma das medalhas que faltava da lista das que faltavam pra gente ticar. A gente queria a dourada, então graças a Deus deu certo”, completou o técnico Fernando Possenti a respeito da conquista obtida nos Jogos Pan-Americanos.

Se engana, no entanto, quem pensa que a medalha olímpica é a única que falta na galeria de conquistas de Ana Marcela Cunha. Quinta colocada nos 10km no último Mundial, ela tem o ouro desta competição, da qual ela já ganhou prata em 2015 e bronze em 2o13 e 2017, como uma meta na carreira também. “Faltam duas na verdade. Além da olímpica, quero muito um dia ser campeã mundial nos 10km. Esse ano não foi possível. Muitos vão falar que já estou com 27 anos, que vou ter 29 no próximo Mundial e 31 no outro, mas eu tenho como referência a Poliana (Okimoto), que com 33 foi medalha nos Jogos Olímpicos. Então, nunca é tarde para a gente sonhar e acreditar. Com certeza eu vou em busca dessas duas medalhas, que, para mim, ainda faltam”, afirmou Ana Marcela Cunha. “Parece estranho o que eu vou dizer, mas a gente quer ganhar tudo, absolutamente tudo. Se você tirar par ou ímpar com a Ana Marcela, ela vai ficar brava se ela perder. E eu sou igual e acho que é por isso que dá certo. Você não tem ideia do quanto está difícil engolir o quinto lugar do Mundial. Ela já ganhou 23 vezes a prova de 10km em Copas do Mundo. É a maior vencedora do masculino e do feminino. Tem que ganhar essa prova do Mundial. Ela merece isso”, completou Possenti.

Wander Roberto/COB

Outra chance de vencer a prova de 10km da maratona aquática no Mundial será só em 2021. Então, o foco total agora será na Olimpíada. “O ouro olímpico, do dia que acabou o Mundial em diante, é o foco principal”, afirma categoricamente o treinador. “Não é segredo o quanto a gente almeja, o quanto a gente tem feito nas provas. A gente está treinando forte e conseguindo manter o alto nível. Das provas individuais, eu consegui apenas em uma não estar no pódio. Então, isso mostra que a gente pode chegar prova a prova para conseguir essa medalha. Não sei se vai ser o ouro, mas a gente quer o ouro”, garante.

Viviane Jungblut

Além de Ana Marcela, Viviane Jungblut completou a dobradinha do Brasil no pódio da prova feminina de 10km da maratona aquática ao conquistar o terceiro lugar. “Estou muito feliz com o resultado. O objetivo era realmente conseguir uma vitória para o Brasil. Eu não participei do Pan em 2015. Então, estar aqui já significa muita coisa”, disse a atleta gaúcha após a prova.

Por pouco, o resultado de Viviane Jungblut não foi ainda melhor. Na passagem para a última das oito voltas da prova, a nadadora estava em segundo lugar, atrás apenas de Ana Marcela. Mas, no finalzinho, acabou sendo ultrapassada pela argentina Cecilia Biaglioli e ficou na terceira colocação. “Acabei sentindo bastante na última volta, pesou o braço. Estou vindo de uma sequência de competições e isso pesou um pouco no final, mas estou super feliz com o resultado e só tenho a agradecer que torceu pela gente”, completou.

Enquanto Ana Marcela Cunha e Viviane Jungblut disputaram há pouco mais de duas semanas o Mundial de Esportes Aquáticos, a Argentina optou por não mandar seus principais atletas e focar na preparação para os Jogos Pan-Americanos e isso fez a diferença no final da prova a favor de Biaglioli. “Eles se prepararam bastante para o Pan. Estavam  num treinamento de altitude, mas acredito que todo mundo se preparou bastante para estar aqui”, acrescentou a brasileira, que fez questão de encher a bola da compatriota medalha de ouro.

“Ana Marcela vem numa sequência de vitórias. São muitos anos de trabalho e ela está colhendo os frutos. Fico muito feliz de dividir a Seleção com ela. Sou muito fã dela, a gente se dá bem fora da água. Então, é torcer pelo Brasil. Estou bem feliz”, finalizou.

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