Siga o OTD

Laguna Olímpico

Nenhum dinheiro do mundo vale um recorde por conta de doping

Australiano James Magnussen, dono de três medalhas olímpicas na natação, quer disputar os “Jogos Avançados”, sem controle de doping, bater a marca de Cesar Cielo nos 50 m livre e embolsar US$ 1 milhão

James Magnussen natação Rio 2016
O australiano James Magnussen compete durante os Jogos Rio-2016 (Facebook/James Magnussen)

Até que demorou, mas apareceu o primeiro nome famoso a se candidatar a participar dos inacreditáveis “Enhanced Games”, ou “Jogos Avançados”, uma Olimpíada onde o doping é liberado para que os atletas alcancem sua máxima performance. O nadador aposentado australiano James Magnussen, dono de três medalhas olímpicas, se colocou à disposição para disputar esta bizarra competição. Magnussen topa se dopar na chamada Olimpíada dos Esteroides se pagarem nada menos do que US$ 1 milhão (R$ 4,95 milhões).

Acompanhe o blog no TwitterFacebook e no Instagram.

Na última sexta-feira (9), durante uma entrevista à rádio SEM, de Sydney, Magnussen demonstrou simpatia perla ideia dos “Jogos Avançados”, definidos pelo seu criador Aron D’Souza, defensor do uso livre de doping em competições, como as Olimpíadas do futuro. “Como atletas olímpicos, estamos cientes de que melhorias de desempenho acontecem em outros países, mas não há igualdade de condições para todos. Pelo preço certo, seria uma busca muito interessante. Por US$ 1 milhão, eu poderia quebrar o recorde dos 50 metros”, afirmou Magnussen.

O recorde dos 50 m livre pertence ao brasileiro Cesar Cielo, desde o dia 18 de dezembro de 2009, com 20s91. Na ocasião, ele nadou com os trajes tecnológicos, que auxiliavam a flutuação, e passaram a ser proibidos a partir de 2010.

Doping seguro?

Magnussen diz que é possível fazer um doping de maneira segura, acredite se quiser. “Quero abordar isso de uma maneira correta. Tomar os suplementos certos e documentar tudo isso em vídeo. Mostrar como isso pode ser feito adequadamente e criar um atleta que nunca vimos antes”, explica o ex-nadador australiano.

Como atleta olímpico, James Magnussen conquistou uma medalha de prata nos 100 m livre e uma de bronze no revezamento 4 x 100 m medley, em Londres-2012, e outra de bronze no 4 x 100 x livre no Rio-2016. Ganhou três ouros em campeonatos mundiais (2011 e 2013). Aposentado das piscinas desde 2019, tem como melhor marca nos 50 m livre 21s52, estabelecido em 2013, em uma competição na Austrália.

Os “Enhanced Games” nasceram de uma ideia estapafúrdia do advogado australiano e ex-atleta de rúgbi Aaron D’Souza, que anunciou ainda em 2023 a criação de uma Olimpíada sem testes de doping, para destruir todos os recordes mundiais. Ele defende atletas que possam superar todos os seus limites, sem as amarras do COI ou da Wada (Agência Mundial Antidoping). “Meu corpo, minha escolha”, argumenta o cidadão.

D’Souza pretende dar mais detalhes dos seus infames Jogos em abril em Paris, cidade que receberá a verdadeira Olimpíada a partir de julho. Ele já conta inclusive com um mecenas: Peter Thiel, que faz parte do grupo de elite dos bilionários do Vale do Silício. Os Jogos Avançados terão provas de natação, atletismo, ginástica, levantamento de peso e combate e a primeira edição deve acontecer em 2025.

Seja realizada de fatos ou não passe de uma patética estratégia de marketing, a Olimpíada do Esteroide só me faz chegar a uma única conclusão: nenhum dinheiro do mundo compensaria um recorde conquistado através do jogo sujo do doping.


Um domingo de eliminações e reflexões

No último domingo (11), em um espaço de poucas horas, a delegação do Time Brasil para os Jogos de Paris-2024 viu confirmado dois desfalques consideráveis. As eliminações das seleções de futebol masculino e de basquete feminino, em seus respetivos pré-olímpicos, teve momentos dramáticos, cada um a seu modo. De um ponto de vista prático, irá afetar um pouco na contabilidade final do quadro de medalhas para o Brasil, cujas últimas previsões não são muito animadoras.

Kamilla briga por rebote no jogo do Brasil contra a Alemanha no Pré-Olímpico de basquete feminino
Kamilla briga por rebote no jogo do Brasil contra a Alemanha no Pré-Olímpico de basquete feminino (Wander Roberto/Fiba)

A derrota para a Argentina por 1 a 0, no Pré-Olímpico de Caracas, tirou da seleção masculina de futebol a chance de brigar pelo tricampeonato olímpico, repetindo os feitos do Rio-2016 e Tóquio-2020. É verdade que a campanha pífia ao longo da competição não justificava a vaga olímpica. O time comandado pelo técnico Ramon Menezes era um deserto de ideias, que só sobrevivia às custas do talento individual de craques como Endrick ou John Kennedy.

A eliminação vexatória do futebol masculino, repetindo o que aconteceu antes de Atenas-2004 e Barcelona-1992, traz duas consequências. A primeira, imediata, é um impacto real no resultado geral do Brasil nos Jogos de Paris. Dificilmente a equipe ficaria fora do pódio e certamente brigaria pelo ouro.

A outra consequência que deveria acontecer é a CBF decidir como encarar a seleção olímpica. A cada ciclo, reina uma absoluta bagunça, seja pela constante troca de treinadores ou por causa da forma como a competição em si é encarada.

Problemas profundos

Já a eliminação da seleção feminina de basquete no Pré-Olímpico em Belém (PA), sacramentada com uma derrota para a Alemanha por 73 a 71, foi ainda mais dolorida. Deixou o Brasil  longe dos Jogos pela segunda edição consecutiva (a última participação foi em casa, no Rio-2016). Também puniu uma geração que vinha apresentando ótimos resultados. Nomes experientes como Damiris, Isabela Ramona, Tainá Paixão e a veterana Érika ao lado de duas das maiores promessas dos últimos anos, Kamilla Cardoso e Stephanie Soares. Para infelicidade delas, não estarão juntas numa Olimpíada.

O problema é que a seleção brasileira, campeã de tudo o que disputou neste ciclo, cometeu muitos erros justamente no jogo em que não poderia errar, contra a Sérvia. A derrota por sete pontos aumentou a pressão para a partida contra as alemãs, quando teria que ganhar por oito ou mais de diferença.

A obrigação da CBB (Confederação Brasileira de Basquete) agora é manter o trabalho do técnico José Neto. Ao mesmo tempo, fortalecer de fato a estrutura interna do nosso basquete feminino. Se algo não for feito, o risco de emplacar 12 anos fora de uma Olimpíada, em Los Angeles-2028, é bem real.


Olímpicas

Destruição no Ibirapuera

Corta o coração as imagens do Estádio do Ibirapuera e sua histórica pista de atletismo sendo destruída. Tudo para a montagem de um evento de automobilismo, “Ultimate Drift”, no começo de março. Nada contra a categoria automobilística. Contudo, jamais deveria acontecer naquele espaço. A repercussão foi tão ruim que nesta quarta-feira (14), a Secretaria de Esportes do Governo de São Paulo cancelou o contrato com o organizador do evento, após reunião com integrantes da CBAt e FPA (Federação Paulista de Atletismo). Agora, precisa botar a mão na massa e reformar o templo do atletismo brasileiro!

Tragédia no atletismo

O atletismo mundial ainda está se recuperando do choque da morte do maratonista queniano Kelvin Kiptum, no domingo (11). Ele sofreu um acidente de carro junto ao seu treinador, na região montanhosa do Quênia, onde fazia um período de treinos. Com apenas 24 anos, Kiptum era a maior esperança para se tornar o maior maratonista de todos os tempos. Ele já tinha marcado o recorde de prova masculina na Maratona de Chicago de 2023, ao completar o percurso de 42 km em 2h00min35s. Era favorito a se tornar o primeiro atleta do mundo a completar uma maratona em menos de duas horas.

Livreiros salvos

Personagens históricos da paisagem parisiense, os livreiros e seus quiosques localizados ao longo do Rio Sena estarão a salvo durante a Olimpíada de Paris-2024. Eles estava ameaçados de remoção, em razão da cerimônia de abertura, que acontecerá em trechos do Rio Sena. Segundo a agência AFP, o presidente francês Emmanuel Macron pediu ao Ministério do Interior para que os livreiros fossem preservados. Presentes na cidade há mais de 150 anos, os livreiros sofreram muito no período da pandemia. Agora, sonham com a chegada dos turistas no período dos Jogos para recuperar o prejuízo.


A FRASE

Se tivesse que escolher, preferia ganhar este ano a medalha de ouro olímpica em Paris do que o título de Roland Garros”

Tenista espanhol Carlos Alcaraz, que aos 20 anos já tem no currículo os títulos do US Open em 2022 e o torneio de Wimblendon, em 2023


Mais em Laguna Olímpico