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Complexo do Ibirapuera privatização

Laguna Olímpico

Aurélio Miguel pede tombamento do Ibirapuera a órgão federal

Campeão olímpico do judô em Seul-1988 tem pedido de análise aceito pelo Iphan, que pode travar de vez a privatização do Complexo do Ibirapuera

Proposta de privatização do Complexo do Ibirapuera pode acabar com a pista de atletismo e o parque aquático, além de transformar o ginásio em shopping center(Reprodução)

Aurélio Miguel pede tombamento do Ibirapuera a órgão federal

A novela que envolve a privatização do Complexo Esportivo do Ibirapuera ganhou um novo capítulo. No último dia 17, uma liminar acatada pelo Justiça suspendeu a publicação do edital de concessão, conforme publicou o blog “Olhar Olímpico”, do UOL. Agora, há uma chance de todo o tradicional palco do esporte brasileiro conseguir ser finalmente tombado. Um pedido feito pelo ex-judoca Aurélio Miguel, campeão olímpico nos meio-pesados em Seul-1988, foi aceito pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O pedido de tombamento será agora submetido para análise em janeiro.

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O Iphan é um órgão federal, vinculado ao Ministério do Turismo. Teoricamente, tem autonomia de tombar uma área, apesar do que foi decidido pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico). No dia 30 de novembro, a entidade estadual rejeitou a proposta de tombamento. Na prática, a decisão dava aval para que o projeto de privatização do Completo do Ibirapuera, feito pelo governo do estado de São Paulo, fosse colocado em prática.

Aurélio Miguel em ação na final olímpica de Seul-1988, onde ganhou o ouro (Arquivo/COB)

O estudo do projeto de concessão da gestão João Doria prevê a demolição do estádio de atletismo para a construção de uma arena multiuso para 20 mil pessoas. No local do parque aquático, o estudo indicava a construção de uma torre comercial e de um hotel. Já o velho Ibirapuera seria transformado em um grande shopping center, aproveitando sua estrutura.

Pedido de urgência

Aurélio Miguel protocolou uma carta ao Iphan no último dia 14. No pedido, além de encaminhar documentação com um parecer elaborado pelos arquitetos José Antônio Chinelato Zagato e Silvia Ferreira Santos Wolf, solicitou urgência na análise pelo Iphan.

“Pelo presente, solicitamos, também, urgência no processo, tendo em vista que o referido Complexo está em processo de concessão e poderá ser demolido em breve. Dessa forma, dentro do possível, solicitamos uma decisão, mesmo que em caráter liminar, que possa abrir o processo de análise e estudo de tombamento e suspender o lançamento do edital de concessão até que se concluam os referidos estudos necessários pelo IPHAN”, escreveu Aurélio.

Na resposta, a superintendência do Iphan em São Paulo disse que solicitou à sede do órgão em Brasília a abertura do processo de tombamento. Confira abaixo:

Resposta da superintendência do Iphan em São Paulo, ao pedido de tombamento do Ibirapuera feito por Aurélio Miguel (Reprodução)

Aurélio Miguel é um dos maiores nomes da história do judô do Brasil. Em 1988, conseguiu a até então inédita medalha de ouro para a modalidade nos meio-pesados, durante a Olimpíada de Sul. Depois, bateu de frente com a gestão do polêmico ex-presidente da CBJ (Confederação Brasileira de Judô), Joaquim Mamede, e ficou quase três anos afastado das competições.

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Após um acordo com o dirigente, o judoca voltou a tempo de disputar os Jogos de Barcelona-1992, mas não chegou ao pódio. Sua despedida olímpica foi em Atlanta-1996, quando conquistou a medalha de bronze. Na vida pública, ele foi vereador em São Paulo por três mandatos, deixando a vida pública em 2016.

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