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Em ano atípico, COB vê conquistas inéditas como bom sinal

Apesar da pandemia, vitórias como de Henrique Avancini, Ana Marcela, Ana Sátila e Pepê Gonçalves animam para Tóquio, diz Jorge Bichara

CT Time Brasil, onde está sendo feita parte da preparação da equipe brasileira que irá aos Jogos de Tóquio (Divulgação)

Em ano atípico, COB vê conquistas inéditas como bom sinal

Fosse este um ano normal – e não tivesse a Olimpíada de Tóquio-2020 no calendário –, estaríamos agora fazendo comparações com o desempenho dos atletas brasileiros em relação aos rivais estrangeiros nas mais diversas competições. Esta é a forma que o COB (Comitê Olímpico do Brasil) encontra para avaliar em que estágio estão as diferentes modalidades. A pandemia não deixou os Jogos Olímpicos acontecerem e poucas competições internacionais puderam ser disputadas. Ainda assim, a performance de alguns atletas deixou o COB animado pensando na temporada de 2021, quando a Olimpíada de fato for realizada.

Nos eventos disputados, mesmo com limitações, os atletas brasileiros tiveram destaque em alguns deles. Foram os casos, por exemplo, de Henrique Avancini e a inédita conquista de uma etapa da Copa do Mundo de ciclismo mountain bike; os três pódios consecutivos de Ana Marcela Cunha na maratona aquática; e ouros de Ana Sátila e Pepê Gonçalves nas etapas de Copa do Mundo da canoagem slalom.

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Obviamente que os resultados positivos dos brasileiros este anos não dão uma certeza absoluta de medalha nos Jogos de Tóquio. Antes que algum torcedor mais fanático já comece a contar com estas medalhas em 2021, um pouco de cautela não faz mal a ninguém e evita decepções futuras.

Assim sendo, como o COB avaliou este ano de 2020 tão fora do comum? Na segunda parte da entrevista exclusiva ao blog Laguna Olimpico e ao Olimpíada Todo Dia, o diretor de esportes da entidade, Jorge Bichara, faz um balanço desta temporada para o esporte olímpico do Brasil (leia a primeira parte da entrevista aqui).

“Tiveram bons resultados no atletismo, na natação, mesmo sendo em piscina curta durante a ISL, com modelo diferente de competição. Algumas modalidades sofreram mais, especialmente esportes coletivos e de combate, pois tiveram mais impactos das restrições impostas pela pandemia”, disse Bichara.

Jorge Bichara, diretor do COB
O diretor de esportes do COB, Jorge Bichara, entende que os atletas brasileiros conseguiram passar bem pelo complicado ano de 2020 (Crédito: Wander Roberto/COB)

“Entendo que nós conseguimos passar por este momento com grandes dificuldades iniciais. Num determinado momento, COB e confederações e clube conseguiram prover condições de treino. Assim, chegamos ao final do ano com cenário um pouco mais equilibrado. Melhor do que a perspectiva que a gente tinha em março e abril”, completou o dirigente.

Ponderações

Diante deste contexto, o Comitê Olímpico consegue ver o copo meio cheio ao analisar especificamente alguns resultados de brasileiros em 2020, em particular de Avancini e Ana Marcela (que são atletas do Time Ajinomoto), Ana Sátila e Pepê Gonçalves. “Temos que fazer sempre uma ponderação, diante de um cenário onde existiram restrições ou dificuldades para que adversários de peso estivessem na prova, para ter uma avaliação mais fidedigna do nível técnico das competições. Mesmo assim, estes quatro atletas tiveram uma avaliação positiva”, analisou Bichara.

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“Por exemplo, a vitória inédita do Avancini numa etapa de Copa do Mundo, onde tinha um nível técnico altíssimo de participantes. Era uma etapa anterior ao Campeonato Mundial. As próprias conquistas da Ana Marcela, conseguindo se manter entre as melhores do mundo. As vitórias inéditas do Pepê em uma etapa de Copa do Mundo, da própria Ana Satila, que voltou a figurar lá em cima no pódio. Saio com uma avaliação positiva destes atletas, principalmente no ganho psicológico, de confiança que eles tiveram ao enfrentar as dificuldades do ano que vem”, afirmou o diretor do COB.

Olimpíada com nível alto

Em relação aos Jogos de Tóquio-2020, há quem aposte em uma Olimpíada com nível técnico bem inferior às últimas realizadas. O motivo seria exatamente os problemas que todos os países enfrentaram para treinar e competir com a pandemia. Para Jorge Bichara, a história pode ser completamente diferente.

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“Tenho uma percepção otimista e tecnicamente será uma Olimpíada sensacional e muito forte. Este ano já demonstrou isso”, disse Bichara. “O que 2020 deixou claro é que mesmo diante das dificuldades, os atletas continuaram se manter ativos, em alto nível. Acredito que será uma Olimpíada de nível técnico alto, que recordes mundiais serão batidos, assim como recordes olímpicos. A verdade é que os países já aprenderam este ano o que precisam fazer para blindar suas equipes e existe ainda uma periodização inteira a ser feita até os Jogos Olímpicos”.

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