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Olimpíada de Moscou

Laguna Olímpico

A Olimpíada de Moscou é inesquecível, apesar do boicote

Há exatamente 40 anos, começavam os Jogos Olímpicos na então União Soviética, que não ficaram marcados apenas pelo ursinho Misha

A bela cerimônia de abertura da Olimpíada de Moscou, apesar do boicote promovido pelos Estados Unidos e aliados (Reprodução)

A Olimpíada de Moscou é inesquecível, apesar do boicote

Verdadeiro ponto de inflexão na história do Movimento Olímpico, a Olimpíada de Moscou completa neste domingo (19) exatos 40 anos de sua abertura oficial. Sob inúmeros aspectos, os Jogos de 1980 são considerados históricos. Sem dúvida que o boicote liderado pelos Estados Unidos à grande festa esportiva organizada pela então União Soviética foi o seu fato mais marcante e que teve influência no restante da história das Olimpíadas.

A Olimpíada de Moscou-1980 representou o auge da tensão política entre soviéticos e americanos, em um prolongamento esportivo da chamada “guerra fria” entre as duas potências. Sempre houve provocações entre os países, que acabavam respingando vez ou outra em alguma competição. Mas nada comparado ao que houve nos Jogos de Moscou.

Depois da União Soviética invadir o Afeganistão, em dezembro de 1979, os Estados Unidos não sabiam como reagir. A pressão política fez o presidente americano Jimmy Carter decidir em janeiro de 1980 por não apoiar o envio de uma delegação do país para competir na casa do inimigo. Por ser a maior potência olímpica do mundo, os americanos imaginavam que com esta pressão iria intimidar os soviéticos ou os dirigentes do COI (Comitê Olímpico Internacional).

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Nem uma coisa, nem outra.

Tanto a União Soviética manteve suas tropas no Afeganistão sem se importar com as ameaças, como o COI fracassou nas tentativas de encontrar uma solução diplomática. O resultado foi que em abril de 1980, os Estados Unidos confirmaram que não estariam em Moscou em julho.

Em termos práticos, é obvio que o boicote influenciou no desempenho esportivo dos Jogos. Para começar, o evento teve a presença de apenas 80 países e 5.259 atletas, o menor número de participantes desde a edição de Melbourne-1956. Por causa da política, grandes nomes do esporte mundial foram impedidos de competir. Alguns jamais tiveram outra oportunidade de disputar uma Olimpíada.

Abertura da Olimpíada de Moscou, que sofreu boicote dos Estados Unidos e países aliados
Crianças dançam na abertura da Olimpíada de Moscou, com a fantasia da mascote Misha (Foto: COI)

Tática frustrada

Mas também é verdade que a estratégia americana não conseguiu anular por completo a festa soviética. A cerimônia de abertura, por exemplo, foi belíssima. Diante de um Estádio Lennin (hoje Estádio Luzhniki, na atual Rússia) completamente lotado, os anfitriões fizeram uma festa grandiosa. E apresentaram ao mundo aquela que é até hoje a mais carismática mascote olímpica, o urso Misha.

A pressão feito pelos Estados Unidos também não esvaziou o evento como Carter esperava. No final, 63 países oficialmente não participaram da Olimpíada de Moscou. Porém, alguns comitês nacionais não seguiram a orientação política de seus governos e competiram sob a bandeira olímpica. Foi o caso de Grã-Bretanha, Austrália, Itália, França, Holanda e Dinamarca, entre outros. O boicote também serviu para beneficiar países que não conseguiram se classificar em alguns esportes. O Brasil foi um deles, ocupando vagas no basquete masculino e no vôlei feminino.

Brasil x Iugoslávia pelo basquete masculino na Olimpíada de Moscou
Carioquinha (7) e Marcel tentam bloquear ataque da Iugoslávia, nos Jogos de Moscou (Foto: COI)

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Sem a concorrência americana, os soviéticos fizeram um evento em que foram os grandes protagonistas. Seus atletas faturaram simplesmente 195 medalhas, 80 delas de ouro. É verdade também em muitas provas contaram com uma inestimável ajuda dos árbitros.

O brasileiro João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, do atletismo, foi um dos que sentiu de perto o chamado “apito amigo soviético”, na prova do salto triplo. Na final, teve quatro de seus seis anulados. Em um deles, João teve certeza até o dia de sua morte, em 1999, que havia saltado acima dos 17,50 m, que lhe daria a medalha de ouro. Acabou ficando com o bronze, superado pelos soviéticos Jaak Uudmae e Viktor Saneyev (ouro e prata, respectivamente).

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Em relação ao Brasil, a Olimpíada de Moscou teve também um papel histórico. Foi a primeira vez que o país voltou com duas medalhas de ouro na bagagem, ambas na vela: Alex Welter e Lars Bjorkstrom, na classe Tornado, enquanto a outra veio com Marcos Soares e Eduardo Penido, na 470. O Brasil ainda trouxe uma medalha de bronze, na natação, na prova do revezamento 4 x 200 m medley. Foi a melhor participação brasileira na história das Olimpíadas até então.

O saldo que se tira de Moscou-1980 é que a Olimpíada nunca mais seria a mesma a partir de então. Até porque a revanche soviética foi devolver na mesma moeda nos Jogos de Los Angeles-1984, comandando um boicote com os países aliados sob orientação do regime comunista.

Veja como foi o adeus do ursinho Misha, na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Moscou:

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