Siga o OTD

Thomas Bach, do COI em mensagem de abertura de 2020 - Foto Hanna Lassen / Getty Images

Laguna Olímpico

Aviso do COI sobre protestos em Tóquio provoca reação de associação de atletas

Em mensagem de final de ano, Thomas Bach avisou sobre a proibição de manifestações políticas em Tóquio-2020 e não demorou muito para levar o troco

Thomas Bach, em sua mensagem de Ano Novo, alertou os atletas para evitarem manifestações e protestos políticos em Tóquio. Mas recebeu como troco uma forte resposta da Global Athletes (Reprodução)

Aviso do COI sobre protestos em Tóquio provoca reação de associação de atletas

Em mensagem de saudação a 2020, o alemão Thomas Bach, presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional) não ficou apenas nos tradicionais desejos de sucesso. O dirigente deixou clara que a entidade não deseja ver protestos ou manifestações políticas dos atletas em Tóquio-2020. Um alerta preventivo, até pelo momento de polaridades políticas e sociais atuais.

O que possivelmente Bach não contava era receber uma resposta dura poucos dias depois, de uma entidade de atletas que acusou o próprio COI de ter politizado o esporte!

+ O blog está no Twitter. Clique e siga para acompanhar
+ Curta a página do blog Laguna Olímpico no Facebook
+ O blog também está no Instagram. Clique e siga

Em sua mensagem, Bach fez um apelo para que os atletas evitem qualquer tipo de protestos em Tóquio. Segundo ele, à crescente politização do esporte não leva a resultado algum e apenas aprofunda as divisões existentes. “Os Jogos Olímpicos sempre são uma plataforma global para os atletas e suas performances esportivas. Eles não são, e nunca devem ser, uma plataforma para promover fins políticos ou quaisquer outros fins potencialmente divisivos”, disse Bach, que completou. “Como a história demonstrou, essa politização do esporte não leva resultados e apenas aprofunda as divisões existentes. Os atletas têm um papel essencial no respeito a essa neutralidade política no campo de jogo”.

De fato, ninguém pode alegar ter sido surpreendido pelas palavras do mandatário do COI. Até porque a Carta Olímpica proíbe expressamente manifestações políticas durante os Jogos.

Só que reações à mensagem de Thomas Bach não demoraram muito para aparecer. No final da semana, a Global Athletes, uma nova entidade de atletas “que irá inspirar e liderar mudanças positivas no esporte mundial”, segundo a descrição de seu site, deu o recado. E não aliviou nas palavras.

Discurso duro

“Sejamos claros, o Movimento Olímpico já politizou o esporte. Para citar alguns exemplos: em PyeongChang, o COI promoveu uma equipe unificada sul e norte-coreana; o presidente do COI se reúne regularmente com os chefes de Estado que também desempenham funções como chefes dos comitês olímpicos nacionais e chefes das Comissões do COI ocupando cargos ministeriais. Este navio já zarpou: o COI já politizou o esporte”, disse a Global Athletes, em um comunicado publicado nas redes sociais.

A entidade, que tem entre seus integrantes o ciclista britânico Callum Skinner, campeão olímpico na Rio-2016, relembrou no texto a própria Declaração dos Direitos Humanos. “Nos termos do artigo 10 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a liberdade de expressão é um direito humano fundamental e as regras esportivas não têm a capacidade de limitar esse direito”, escreveu a Global Athletes.

No texto, a entidade reforçou que os atletas devem ter o direito de se manifestar, respeitando a Declaração dos Direitos Humanos. Por fim, lembra que ameaçar os atletas de serem expulsos dos Jogos é sinal de desequilíbrio de poder entre dirigentes e atletas.

Exemplo do passado

Óbvio que a Global Athletes construiu uma narrativa forte para provocar reações e marcar território. A Carta Olímpica é bem clara quanto às proibições de manifestações esportivas. A imagem do protesto dos americanos Tommie Smith e John Carlos, expulsos da Vila Olímpica nos Jogos da Cidade do México-1968, ainda está bem viva.

Além disso, a Comissão de Atletas do COI, por meio de sua presidente Kirsty Coventry, concordou com o discurso de Thomas Bach contra manifestações políticas. Não se pode esquecer que o Pan-Americano de Lima-2019 foi palco de dois protestos de atletas americanos.

Race Imboden, da esgrima, se ajoelhou durante a execução do hino dos Estados Unidos. Gwen Barry, do atletismo, repetiu o gesto de Smith e Carlos, erguendo o braço direito com punho fechado. Ambos protestaram contra as injustiças sociais, racismo e mau trato aos imigrantes. Os dois foram advertidos duramente pelo comitê olímpico americano.

Em um momento com protestos na Ásia, América do Sul e agora com ameaça de um conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, será interessante ficar de olho nos pódios em Tóquio.

VEJA TAMBÉM:

O calendário 2020 do esporte olímpico 
Fatos para relembrar e lamentar no esporte olímpico em 2019 
Desempenho cai em relação a 2016, mas COB fala em ‘pés no chão’

Mais em Laguna Olímpico