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Grand Prix de judô agita o CT Paralímpico em São Paulo

Pela primeira vez uma etapa do circuito da IBSA será realizada na capital paulista e terá a presença de 90 competidores de 21 países

Arthur Silva judô paralímpico Grand Prix de São Paulo de judô paralímpico
(divulgação/CBDV)

A capital paulista recebe pela primeira vez uma etapa do circuito de judô da Federação Internacional de Esportes para Cegos (IBSA). O Grand Prix de São Paulo será realizado no sábado (2) e domingo (3), no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo e reunirá cerca de 90 competidores de 21 países. A seleção brasileira terá entre os representantes as medalhistas de bronze nos Jogos de Tóquio Lúcia Araújo e Meg Emmerich, além de Antônio Tenório seis vezes medalhista em sete edições de Paralimpíadas.

Outro que esteve na capital japonesa foi Arthur Silva, líder do ranking na categoria até 90 kg. “Ano passado, após minha participação em Tóquio, declarei que o Brasil tinha os melhores judocas cegos do mundo. Desde então, me senti na responsabilidade de fazer jus às minhas palavras, assim como meus colegas de equipe têm feito”, disse o brasileiro pouco antes do Grand Prix de São Paulo de judô paralímpico.

Lúcia Araújo judô bronze jogos paralímpicos tóquio 2020
Lúcia Araújo no pódio da Budokan, em Tóquio (Takuma Matsushita/CPB)

Campeão mundial e paralímpico

O Brasil entra na competição como favorito após terminar as duas primeiras etapas do Grand Prix deste ano, na Turquia e no Cazaquistão, na primeira colocação geral. Foram 20 medalhas: 11 ouros, quatro pratas e cinco bronzes. Arthur foi responsável por dois ouros. Desde as mudanças nas regras da modalidade, que mexeram nas divisões por peso e na classificação visual, ele não perdeu nenhum combate. “O Grand Prix será mais um passo para que eu alcance meu objetivo de encerrar este ciclo como campeão mundial e paralímpico”, afirma o atleta de 30 anos. Pela seleção, já ganhou uma prata (Lima 2019) e um bronze (Toronto 2015) em Jogos Parapan-Americanos, dentre outras conquistas.

Por esta mesma categoria, mas em outra classe, o país contará com o judoca mais novo da delegação. Marcelo Casanova tem apenas 18 anos e fará sua estreia em torneios internacionais. O gaúcho de Caxias do Sul competiu durante quase toda a trajetória no judô convencional, chegando a fazer parta da seleção sub-18. Em 2021, migrou para o paradesporto e se destacou, ganhando o Grand Prix nacional: “Sendo a minha primeira participação em Grand Prix internacional, e com o bônus de ser sediada no Brasil, minha expectativa vai lá para o alto”.

Antônio Tenório judô paralímpico Grand Prix de São Paulo de judô paralímpico
Antônio Tenório (Ale Cabral/CPB)

Rayfran Pontes

A forma como Rayfran Pontes chegou ao mundo das artes marciais não chega a ser um exemplo. Uma briga na porta da escola quando tinha 14 anos despertou a atenção de um professor de jiu-jítsu que visitava o local atrás de crianças interessadas em treinar na sua academia, em Parauapebas, no Pará. O lado bom dessa história é que nasceria ali o judoca que, neste fim de semana, tentará levar o Brasil ao pódio do IBSA Grand Prix de São Paulo. “Espero fazer uma boa competição, chegar até a final e tentar o lugar mais alto do pódio. É importante pontuar”, diz o atleta de 30 anos, quarto colocado do ranking na categoria até 73 kg.

A briga que deu início a tudo, relembra, começou quando um colega o provocou jogando futebol, na aula de educação física, por conta de sua deficiência visual – nasceu com glaucoma congênito. “Eu estava bem bravo porque o garoto ficava me chamando de cego o tempo todo. Como não podia brigar dentro da escola, esperei ele na saída. E foi esse professor quem nos separou. Ele perguntou ‘não quer ir brigar na academia, não?'”, conta.

Rayfran Pontes (divulgação/CBDV)

Os ensinamentos passados pelo treinador Islander Sousa, já falecido, foram levados para outra arte marcial, dois anos depois da fatídica briga. E viraram a principal característica da luta praticada pelo judoca, que chegou a participar da Rio 2016 – acabou eliminado com uma derrota na estreia. “No ciclo passado, acho que 70% das lutas, eu ganhava graças à minha luta de solo. Estou me organizando para voltar a treinar”, explica Rayfran, que parou de competir após 2016 e só retornou no fim do ano passado. Em 2022, ele conquistou a prata no Grand Prix de judô de Antalya, na Turquia.

Grand Prix de São Paulo

Sexta-feira (1º)
19h30 – sorteio do chaveamento

Sábado (2)
10h às 12h – preliminares (48 kg, 57 kg, 60 kg e 73 kg)
15h às 17h – finais (48 kg, 57 kg, 60 kg e 73 kg)
17h30 – Cerimônia de Premiações

Domingo (3)
10h às 12h – preliminares (-70 kg, +70 kg, -90 kg, +90 kg)
15h às 17h – finais (-70 kg, +70 kg, -90 kg, +90 kg)
17h30 – Cerimônia de Premiações

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