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Parapan 2019

Incansável! Petrúcio chega mais maduro para o Parapan de Lima

Dono de duas medalhas de ouro em Toronto 2015, Petrúcio Ferreira, do atletismo paralímpico classe t47, chega mais maduro em busca de mais pódios para o Brasil

Petrúcio Ferreira concorre ao prêmio Mellhor Atleta das Américas
Divulgação/Nissan

Incansável! Petrúcio Ferreira, do atletismo paralímpico classe t47, começou o ano com um acidente no rio. Teve que se submeter à uma cirurgia no maxilar. Mesmo com o tempo sem treinar, Petrúcio voltou com tudo na temporada. Já tem até recorde mundial batido nos 200m rasos. Agora, mais maduro, o brasileiro se prepara para o seu segundo Pan-Americano, em Lima 2019.

“Agora eu estou mais experiente nas competições. Mas no início, no meu primeiro Pan, ainda teve aquela orientação na hora da chamada e tudo mais. Agora eu já estou um pouco, bem mais tranquilo. No meu primeiro Pan, eu estava um pouco nervoso ainda,” contou Petrúcio Ferreira em entrevista exclusiva ao Olimpíada Todo Dia.

Há quatro anos, o atleta esteve em sua primeira edição dos Jogos Pan-Americanos, em Toronto 2015. Na bagagem ele já tem duas medalhas de ouro, nos 100m e nos 200m rasos, em uma temporada também cheia de contratempos e momentos difíceis.

“Eu falo que o Pan-Americano foi um pouco sustoso pra mim. Teve um pouco de susto que antes de chegar nos Jogos Pan-Americanos eu tive algumas lesões na temporada 2015. E a temporada teve grandes competições. E eu voltei a treinar faltando três semanas para o Pan-Americano. Voltando de lesão e acabei recuperando essa lesão. Fui para o Pan-Americano e ao chegar no Canadá para participar eu consegui fazer umas boas provas. Inclusive, eu consegui melhorar até as minhas marcas, que antes era 10s81 no Pan-Americano eu consegui fazer 10s77. O medo que eu tive de não conseguir chegar no Pan-Americano, eu consegui chegar bem no Pan-Americano e fazer bons resultados. É a minha melhor lembrança de 2015. Uma lembrança que no início não foi nada bom, mas foi um final feliz no Pan-Americano.”

Petrúcio voltou para o Brasil com o dever cumprido. “Voltei muito alegre para o Brasil. Inclusive, ter representado meu país no Pan-Americano, ter conseguido me recuperar, melhor e voltei pra casa com o dever cumprido.”

Agora, em Lima 2019, o atleta pode ser considerado um dos favoritos pelas marcas que já tem no currículo. Mesmo assim, não existe favoritismo ou pressão em seu vocabulário. “Eu tento tirar essa palavra pressão. Tento levar para o lado… Uma brincadeira. Passa a ser uma brincadeira séria. Mas pra mim hoje estar correndo, treinando, é uma paixão. É amor pelo que eu faço.”

Se em 2015 foram dois ouros, a expectativa de 2019 não é diferente disso. “Minha expectativa pra Lima é das melhores. É chegar e dar o meu melhor. Subir no ponto mais alto do pódio.”

As provas de Petrúcio Ferreira em Toronto 2015

A primeira edição de Petrúcio Ferreira nos Jogos Pan-Americanos foi Toronto 2015. Se ele voltou com o lugar mais alto do pódio, voltou também com memórias cheia de detalhes das provas que participou. Relembre!

100m

“Relembrar a prova. Teve um fato interessante, que foi a respeito da semifinal. Eu corri a semifinal, fiz a marca de 11s15 e teve um cubano Raciel Gonzalez que correu bem a prova. Na semifinal. Chegou a correr 10s95. Pelos resultados, ele fez a melhor marca. Ele era o favorito para ganhar na final. No aquecimento, ele me encarava muito, porque sabia que eu tinha feito a segunda melhor marca, próxima da dele, 11s05. Mas com tudo isso a dele tinha sido bem mais expressiva que a minha. E acabou que ele me encarou. Eu não estava percebendo. Aí chegou um companheiro meu e disse: o cubano está te encarando, porque você fez a melhor marca pra classificar pra final. E no momento que eu olhei pra ele, que ele tava tentando me intimidar, eu só fiz assim: cumprimento. Tipo, deixei um recado que a gente se encontrava na final. E a gente foi para aquela prova. Eu consegui largar bem e consegui pegar o primeiro lugar, com a marca de 10s77. E ele repetiu o mesmo feito da semifinal 10s95. Já no pódio foi diferente. Ele me respeitou.”

200m

“Os 200m do Pan foi uma prova muito boa. Era uma prova esperada pelos meus adversários, porque eu acabado de… Eu tinha recém quebrado o recorde mundial dos 200m. Porque era uma prova que eu falava que estava mais cobrado, por ser o recordista mundial da prova. Então eu já esperava fazer um bom resultado. Mas eles não sabiam que eu estava voltando de lesão. E acabou que mesmo voltando de lesão eu quase igualava a minha melhor marca na temporada 2015. Era 21s49 eu consegui correr os 200m para 21s50. Pouca coisa eu não igualei minha melhor marca. Mas eu consegui fazer uma boa prova, mesmo com aquele receio de correr, com aquele medo de correr, que tinha voltado de lesão. E pra cabeça do atleta é um pouco complicado. A volta tem aquele medo de pisar, a mesma dor da lesão, que tinha sentido antes. E consegui fazer essa boa marca nos 200m e pegar a medalha de ouro. Subir no lugar mais alto do pódio.”

Jornalista formada pela Cásper Líbero. Apaixonada por esportes e boas histórias.

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